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A Alva Brasil ganhou concorrentes, chegou a ficar sem mercadoria e diversificou o negócio para continuar de pé

- 9 de março de 2017
Em dois anos, Ananda Boschilia ganhou um novo sócio, duas filhas e tornou a Alva, uma linha de cosméticos orgânicos, mais flexível.
Em dois anos, Ananda Boschilia ganhou um novo sócio, duas filhas e tornou a Alva, uma linha de cosméticos orgânicos, mais flexível.

A vida da catarinense Ananda Boschilia, de 29 anos, mudou muito ao longo de dois anos. Na época em que conversou com o Draft pela primeira vez, ela havia acabado de se mudar para São Paulo e tinha planos de abrir uma loja física da marca alemã de cosméticos orgânicos Alva Brasil. Depois disso, Ananda descobriu que seria mãe de gêmeas, se separou do então marido (e pai das meninas) e acabou voltando para Joinville (SC). Hoje as meninas já têm 1 ano e dez meses, ela tem um novo namorado, um novo sócio, e se prepara para importar produtos de duas outras marcas de cosméticos orgânicos.

Em 2015, a Alva era a única linha de cosméticos orgânicos à venda no Brasil. (Clique na imagem para ler a reportagem)

Em 2015, a Alva era a única linha de cosméticos orgânicos à venda no Brasil. (Clique na imagem para ler a reportagem)

Enquanto se dava essa reviravolta pessoal, o mercado também mudou e a concorrência avançou. Em 2014, a Alva reinava como a primeira linha de maquiagem orgânica no Brasil, hoje já existem pelo menos outras quatro marcas disputando território. Para enfrentar os concorrentes, Ananda passou a apostar em diferentes frentes. Uma delas foi trazer duas outras marcas de cosméticos orgânicos para o mercado brasileiro: a Acorelle (linha francesa de perfumes orgânicos, produtos para bebê e protetor solar) e a Lafe’s (linha americana de desodorante sem alumínio na composição).

Ambas estão em processo de registro na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a expectativa é que elas cheguem ao mercado ainda neste ano. “Estamos buscando novos fornecedores, novas marcas, nosso objetivo é ser a maior e melhor importadora de cosméticos orgânicos do Brasil”, afirma.

Apesar de alguns percalços, a Alva Brasil conseguiu fechar 2016 com um faturamento de 850 mil reais, mas não sem um esforço. O varejo, por exemplo, sentiu o impacto de greves e entraves burocráticos do processo de importação. Em 2014, o ticket médio da loja online que era de 400 reais, mas no ano passado ele baixou para 310 reais. Ananda fala dos motivos por trás da queda:

“Teve greve da ANVISA, da Receita Federal, erro de documentação que atrasou remessa… Foram dois anos bem difíceis. Chegamos a ficar três meses sem mercadoria”

A turbulência do câmbio nos dois últimos anos também teve um impacto importante e quase fez Ananda desistir de vender no atacado, ela conta: “O dólar e o euro subiram muito e nós dependemos totalmente dessas moedas. Isso afetou muito a empresa”. Segundo a fundadora, a Alva teve de baixar muito a sua margem e perdeu muitas revendas, pois as marcas comercializadas fizeram o mesmo.

Mas a empresa sobreviveu, e agora os planos da empresária incluem trazer a produção da linha de maquiagens da Alva para o Brasil e ainda gerenciar uma loja online multimarca focada em cosméticos orgânicos. “Estamos adequando embalagens, mudando algumas composições e aprimorando os produtos pensando especificamente na pele das brasileiras”, conta. A previsão é de que no meio do ano a produção já esteja acontecendo por aqui.

UM MODELO DE NEGÓCIO MAIS ABRANGENTE PARA ENFRENTAR A CONCORRÊNCIA

Há quase dez anos, Ananda deixou de lado a carreira de relações públicas para se dedicar à importação. Se na época da primeira publicação sobre a Alva no Draft, ela lutava para aprender a delegar e ser menos centralizadora, o nascimento das filhas a forçou a largar (um pouquinho) o osso.

Ela continua sendo oficialmente responsável pelo comercial, marketing e pelas redes sociais da marca, mas ainda acompanha de perto todo o restante da operação. Prova disso é que ela trabalhou até o nono mês de gestação e diz não ter deixado de ler os e-mails um dia sequer. Nos seis meses seguintes ao nascimento das meninas, ela diz que uma amiga tomou conta dos negócios. A distância (que não era grande) temporária fez com que ela entendesse melhor o seu papel:  

“Tive de rever minha visão e capacidade de gestão da empresa”

Os pais de Ananda, que antes estavam envolvidos no negócio, agora se dedicam a outros projetos e acompanham o trabalho da filha à distância. O novo sócio é Jó Calébe Beduschi, 32 anos, um amigo dos tempos da faculdade que é advogado e já trabalhava com consultoria para startups. Já a equipe operacional continua com três funcionárias.

A APOSTA NAS VENDAS ONLINE DEU NOVO FÔLEGO PARA A EMPRESA

Depois de deixar de lado o plano de ter uma loja física em terras paulistanas, Ananda adquiriu, no ano passado, a loja virtual multimarcas Beleza Orgânica, que reúne mais de 20 marcas de cosméticos orgânicos. “Eles já eram nossos clientes e vendiam produtos da Alva. Depois que adquirimos, fizemos uma reformulação, trocamos a plataforma e deixamos mais com a nossa cara. Ainda estamos ajustando algumas coisas, vendo quais marcas vendem melhor”, comenta.

Ananda deixou de lado os planos de uma loja física em São Paulo e voltou a tocar a empresa de Joinville.

Ananda deixou de lado os planos de uma loja física em São Paulo e voltou a tocar a empresa de Joinville.

A investida virtual é inclusive um dos motivos que mudaram o perfil das vendas da Alva. Antes, 60% das vendas vinham de lojas físicas (de produtos orgânicos, cosméticos convencionais e farmácias de manipulação) e apenas 40% da loja online da Alva. Hoje, esse cenário está equilibrado em 50% das vendas no atacado e 50% online. O campeão de vendas continua sendo o desodorante, que é livre de cloridrato de alumínio e por isso não impede a transpiração, apenas evita o mau cheiro e a proliferação de bactérias. Embora eles custem quase cinco vezes mais do que os desodorantes da indústria tradicional (entre 64,70 reais e 75, 50 reais) os produtos ainda são os de maior procura.

Defensora dos produtos orgânicos, Ananda vem acompanhando a popularização desse segmento há uma década e acredita que a escolha das pessoas por opções mais saudáveis e menos químicas não tem volta. É um mercado que vai continuar crescendo, segundo ela:

“Apesar de todas as dificuldades eu acredito nesse negócio, eu vivo o orgânico”

Para a empresária, há muitas pessoas como ela, buscando uma melhor qualidade de vida, e isso tem a ver com as escolhas que elas fazem, com os produtos que elas consomem. É por isso que ela não se deu por vencida frente aos obstáculos dos últimos anos e seguiu apostando todas as suas fichas na Alva.

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