O que fazer quando a sua startup triplica de tamanho e recebe 40 milhões de investimento? O GetNinjas responde

- 23 de fevereiro de 2017
Eduardo L'Hotellier mantém a mesma cara de menino, mas está à frente de uma empresa cada vez maior.
Eduardo L'Hotellier mantém a mesma cara de menino, mas está à frente de uma empresa cada vez maior.

A seção Check Point tem o propósito de mostrar o efeito da passagem do tempo para os negócios cujas histórias contamos aqui no Draft. A retração econômica do último período afetou a todas, de diferentes maneiras. Neste caso, foi super positiva. De outubro de 2014, quando apareceu no Draft pela primeira vez, para cá, a equipe do site GetNinjas triplicou de tamanho (hoje são 90 pessoas), o número de profissionais que oferecem seus serviços na plataforma online dobrou e uma nova rodada de investimentos aportou 40 milhões de reais ao patrimônio da empresa. “Crescemos muito, especialmente nesta época de crise. Pessoas que perderam seus empregos ou que estavam com seus negócios em declínio procuraram uma forma de renda extra e encontraram no GetNinjas essa oportunidade”, conta o fundador e CEO Eduardo L’Hottelier, 31 anos.

Há pouco mais de dois anos, eles já eram mais que uma startup (clique na foto acima para ler a reportagem).

Há pouco mais de dois anos, eles já eram mais que uma startup (clique na foto acima para ler a reportagem).

Além do crescimento, uma das principais mudanças ocorridas diz respeito ao aplicativo. Ele já existia desde 2013, mas agora é obrigatório. Eduardo afirma que o trabalho ganha em qualidade, tanto para os prestadores de serviços que oferecem sua mão de obra no GetNinjas quanto para os clientes que buscam a plataforma para ter suas necessidades atendidas: “Agora é possível passar mais informações sobre o serviço a ser prestado. Antes, ficávamos muito limitados com o limite de caracteres do SMS”. A difusão da tecnologia 3G, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país, também contribuiu para esta evolução, relata Eduardo.

A adoção massiva do aplicativo permitiu ainda que eles fizessem alterações simples, porém profundas, na maneira como o serviço é apresentado a fornecedores e clientes. Agora, os prestadores compram pacotes de créditos para poderem se candidatar aos serviços que se enquadrem no seu perfil. “O profissional pode escolher quais serviços quer prestar. E apenas três deles podem oferecer seu trabalho. Isso é bom para o profissional, pois ele não precisa enfrentar uma concorrência muito grande, e é bom também para o cliente, que tem opções para escolher”.

MAIS INVESTIDORES, MENOS AUTONOMIA?

Estas mudanças na plataforma parecem ter agradado: houve um aumento no número de profissionais que utilizam a plataforma — de 70 mil para mais de 200 mil em 2016 — e o volume de inscritos mais do que dobrou, segundo Eduardo. Com relação aos investidores, a reação foi ainda mais positiva: após receber aportes de 1 milhão de reais em 2011 e de 6 milhões de reais em 2013, a rodada de investimentos realizada em junho de 2015 foi de impressionantes 40 milhões de reais. Desta vez, o fundo Tiger Global Management foi o principal investidor, juntando-se a Monashees Capital e Kaszek Ventures como maiores “anjos” do GetNinjas. Como é para o fundador já não ter o controle total da empresa?

“Ainda que eu não seja sócio majoritário da companhia, mantenho uma parcela considerável das ações e possuo boa parte do poder de decisão”

A empresa prefere não abrir seu balanço, mas Eduardo afirma que o faturamento aumentou quase 10 vezes, de 2014 para cá, sendo que triplicou no último ano. “Em um bom dia, atualmente, faturamos o mesmo que fazíamos em um mês de 2014”. A única cifra que eles podem revelar é referente aos negócios que eles geram para seus profissionais: o GetNinjas diz ter intermediado serviços no valor de 200 milhões de reais em 2016. O faturamento da empresa vem de um percentual disso, capitalizado na forma dos créditos que estes prestadores adquirem.

Mas neste meio tempo não foi apenas o GetNinjas que evoluiu. Eduardo também procurou manter-se preparado para os crescentes desafios que sua trajetória lhe proporcionou. Uma experiência que ele acredita ter contribuído para isso foi uma viagem à China, onde ficou por uma semana conversando com empresas e estudando o empreendedorismo local. “Lá, as coisas acontecem super rápido. Um mês na China é um ano no Brasil. Isso ajuda a entender porque eles estão cada vez mais dominando no cenário da tecnologia”, conta.

COMO ESTAR PREPARADO PARA CRESCER?

Já por um lado mais formal, Eduardo viajou diversas vezes aos Estados Unidos nesses dois anos, em especial à região do Vale do Silício, onde conversou com professores, empreendedores e investidores, além de fazer um curso voltado para gestão na Universidade de Stanford. Para ele, o próprio processo de fundraising (ou captação de recursos) é um caminho de aprendizado: “As conversas com os investidores me ensinaram muito. Investindo ou não na companhia, eles dão sua opinião sobre o negócio e você consegue aprender bastante”.

Mais espaço na firma: o número de funcionários aumentou, e hoje há menos aperto. Há um carinho pelo passado, mas Eduardo prefere o status atual do negócio.

Mais espaço na firma. Há um carinho pelo passado, mas Eduardo prefere a estrutura atual da empresa.

Como era esperado frente a um crescimento destas proporções, a companhia também precisou se estruturar internamente de maneira mais eficiente. Foram criadas áreas tradicionais de empresas de médio e grande porte, como administrativa, financeira e recursos humanos, além de setores estratégicos, como marketing, business intelligence e produto.

“Também começamos um projeto de contar a história dos nossos profissionais, com o intuito de mostrar como o GetNinjas está ajudando o Brasil a se tornar uma sociedade mais empreendedora”, conta Eduardo. Os vídeos podem ser encontrados no blog  da empresa.

A questão do impacto social, ele diz, vai além da simples promoção de cases de sucesso. Eduardo conta que a plataforma oferece gratuidade aos usuários do programa de inclusão digital Acessa São Paulo, em uma parceria com o governo do Estado. Também há um acordo com a Fussesp (Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo) para contribuir para a inserção no mercado de trabalho dos alunos dos cursos profissionalizantes que a entidade oferece, como Moda, Beleza, Construção Civil e Padaria Artesanal.

“Deu certo em 2016, renovamos para 2017 e vemos que é apenas o começo”, diz o executivo. A iniciativa, no entanto, não deve ser encarada como filantropia. O GetNinjas patrocina os primeiros seis meses destes usuários na esperança de que, como retorno, eles passem a gerar renda para si próprios e, consequentemente, para a plataforma:

“É o capitalismo do bem. O impacto social que gera renda que é novamente investida em impacto social”

Ele afirma que é uma relação “ganha-ganha” para todas as partes: ganha o governo, ganham os profissionais, ganham os clientes e, é claro, ganha o GetNinjas.

YOU KNOW WHAT’S COOL? A BILLION DOLLARS

Olhando para trás, Eduardo lembra dos primeiros anos com um certo saudosismo. “Dá uma certa saudade, principalmente de algumas pessoas que trabalhavam com a gente na época. Mas estou muito mais feliz com a empresa agora”, diz. Atualmente, além de o time ser bem maior, está instalado muito mais confortavelmente, em um escritório grande e proporcional ao crescimento ocorrido.

Convidado a refletir sobre o período, Eduardo considera que o tempo o ajudou a amadurecer como gestor. “Desenvolvi a parte da liderança, precisei começar a delegar tarefas para poder me focar em aspectos mais organizacionais. Mesmo assim, ainda mantenho muitas de minhas características, trabalhando muito próximo da equipe de produtos e da área de Business Intelligence”, afirma.

Tudo isso será posto à prova pelas ambições que o empreendedor tem para a empresa no futuro próximo. A expansão para a América Latina está nos planos, embora Eduardo não dê detalhes de como será esta operação. Para antes disso, eles ambicionam se tornar “top of mind” no ramo de serviços. “Queremos que quando as pessoas pensarem em serviços, pensem no GetNinjas”, diz Eduardo. “Também queremos que esses 200 milhões de reais que foram para o bolso dos profissionais em 2016 se tornem 1 bilhão, 2 bilhões de reais”. Assim, tipo ninja.

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