A doação de sangue que salvou Adriana quando ela tinha dois dias de vida impactou também a escolha de sua profissão

- 13 de dezembro de 2016
Adriana é pesquisadora da Pró-Sangue, que processa 12 mil bolsas sanguíneas por mês para cem instituições de saúde
Adriana é pesquisadora da Pró-Sangue, que processa 12 mil bolsas sanguíneas por mês para cem instituições de saúde

 

 

O envolvimento da pesquisadora biomédica Adriana de Aguiar Debes com a doação de sangue começou cedo. Mais precisamente, quando ela tinha apenas dois dias de vida. Nascida prematuramente, no sétimo mês de gravidez, Adriana precisou passar por um procedimento complexo por conta de uma incompatibilidade do tipo sanguíneo dela com o da mãe. “O organismo dela produzia anticorpos que me agrediram”, explica Adriana. Bebê, ela enfrentou uma troca total do sangue em seu corpo. “Eu poderia ter morrido.” Adriana enfrentou episódios de baixa oxigenação sanguínea, e até os quatro anos seguiu com acompanhamento neurológico para garantir o seu desenvolvimento saudável.

Adriana cresceu bem, e o episódio a impactaria positivamente pelo resto da vida. Ela se tornou doadora, e hoje, com 54 anos, atua como chefe do departamento de biologia celular na Pró-Sangue. A fundação, criada em 1984 com sede em São Paulo, é um centro de referência da Organização Pan Americana de Saúde e da Organização Mundial da Saúde. Atualmente, responde pela coleta de cerca de 32% do sangue utilizado na região metropolitana de São Paulo. O centro processa mensalmente cerca de 12 mil bolsas sanguíneas para mais de 100 instituições de saúde.

Formada na UNIFESP, com doutorado e mestrado na Universidade de São Paulo (USP), Adriana realiza hoje uma pesquisa ligada às células-tronco. Vinda de uma família de médicos, com pai, avô e tio formados em medicina, ela seguiu na área, ainda que nos bastidores. Ela também coordena uma equipe com estagiários e alunos de instituições de ensino que fazem iniciação científica na Pró-Sangue. “Estou com um pé lá e outro cá”, diz Adriana.

Envolvida com a pesquisa de células-tronco, ela explica que, assim como no caso da doação de plaquetas, a mesma máquina pode ser utilizada também para fazer a coleta desse tipo de material celular. O processo é semelhante.

O sangue do doador é extraído e em seguida passa pelo equipamento, que realiza a separação das células que vão para a bolsa de coleta. O resto, não utilizado, volta à veia do doador. “É um sistema fechado”, diz Adriana. “Então não há qualquer risco de contaminação.”

Outra vantagem é que, ao contrário da doação normal, a reposição desses elementos específicos é mais rápida, e a pessoa pode doar mais vezes sem qualquer risco para a saúde.

As células tronco podem ser utilizadas para uma variedade de tratamentos, de leucemias e linfomas, por exemplo. “No caso da leucemia, o paciente, antes de receber as células-tronco, passa por um tratamento para matar a medula óssea. Ele fica incomunicável, fechado no hospital, pois a resistência cai muito. Uma gripe pode ser fatal. Assim, quando são infundidas as células-tronco, elas viajam pela circulação e chegam à medula óssea, onde se propagam e a reconstituem.”

Ainda hoje, o episódio da necessidade de sangue na infância leva Adriana a refletir sobre a importância da doação, principalmente no caso de crianças. “Impactou muito”, diz ela. “As crianças têm menos resistência para suportar a perda de sangue ou um problema sanguíneo do que um indivíduo adulto. O volume de sangue é muito menor. Por isso, se eu puder doar, eu doo. Se eu puder, doo até o meu rim para alguém que esteja precisando. Sou doadora de órgãos e de medula. É uma alegria tão grande poder ajudar o próximo. Mesmo que você não sabia quem está ajudando. Eu quero ajudar, não importa a quem.”

 

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