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A evolução da Easynvest: como se constrói uma das fintechs mais promissoras do mundo

- 21 de setembro de 2017
Paulo Avian: o diretor de estratégia da Easy faz parte de um time cujo tamanho foi multiplicado por seis em apenas cinco anos
Paulo Avian: o diretor de estratégia da Easy faz parte de um time cujo tamanho foi multiplicado por seis em apenas cinco anos

Uma fintech de 49 anos soa como um contrassenso. Algo como aquele verso de Cazuza, sobre “um museu de grandes novidades”. Ainda mais quando essa fintech surge entre as 250 mais promissoras do mundo, segundo a lista da consultoria CB Insights (divulgada em junho de 2017). A escolha é matematicamente embasada. Com mais de R$ 12 bilhões de ativos sob custódia, a Easynvest engatou um salto quântico nos últimos dois anos, sextuplicando seu número de clientes de 45 mil em 2015 para esperados 300 mil no fim de 2017. O número de colaboradores também foi multiplicado por seis (desde 2012), pulando de 40 para 230.

“Desses 230 atuais, quase 90% está com a gente há um ano e meio ou menos, então é um time bem recente”, diz Paulo Avian. Aos 32 anos, o diretor de estratégia está em sua terceira passagem pela corretora, onde entrou como estagiário em 2009 e hoje é um dos veteranos. Sua trajetória ajuda a elucidar as transformações que catapultaram a Easynvest.

Oficialmente, a empresa existe desde 1968, fundada como Título Corretora S/A. Durante boa parte de sua existência, atuou intermediando investimentos de forma tradicional, com foco na Bolsa de Valores. As mudanças sísmicas começaram nos anos 1990. Primeiro com uma troca de sócios. E, no fim daquela década, o advento da internet e a eletronização do pregão – que legou ao passado as cenas de gritaria no chão da Bovespa – abriram caminho para desbravar o digital. Em 1999, a então Título Corretora lançou uma das primeiras plataformas online de compra e venda de ações do país (o chamado home broker). O nome da ferramenta? Easynvest.

Pela via do online, escancarava-se naquele fim de milênio todo um mundo novo de investidores. A década seguinte foi uma montanha-russa, cheia de reviravoltas – da bolha das ponto-com e da crise de câmbio com a eleição de Lula à forte euforia do período entre 2002 e 2008.

Houve ainda a desmutualização da Bovespa, que em 2007 passou de instituição sem fins lucrativos a uma sociedade por ações (S/A). “Todo o ambiente competitivo da nossa indústria mudou, pois a partir daí a Bolsa virou um stakeholder superrelevante, com interesses de lucro”, diz Avian. “Foi quando a Bolsa atingiu seu pico. O mercado estava muito atrativo, com diversos novos concorrentes entrando”.

À euforia, seguiu-se a ressaca de 2008, quando o estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos desencadeou uma crise mundial. Seus efeitos, porém, levaram um tempo para se fazer sentir no Brasil, que então surfava na onda das commodities negociadas com a China (por aqui, o tsunami chegou a ser chamado com desdém de “marolinha”). E as corretoras, trabalhando com renda variável, ganhavam grana tanto na alta quanto na queda. Assim, o cenário ainda era positivo quando Paulo, vindo de um estágio na Microsoft, começou como estagiário na mesa de operações para Clientes Estrangeiros e Institucionais.

“A indústria de corretoras era então muito commoditizada, todo mundo fazia a mesma coisa. Eu vim muito para entender se havia oportunidade de fazer diferente”, diz Paulo. “Foi isso que me incentivou na escolha pela Easynvest [ainda batizada de Título Corretora]: era uma empresa menor, com mais espaço pra mudar o rumo do que uma empresa internacional como a Microsoft, com processos e projetos muito mais estabilizados.”

Durante alguns meses, Paulo ganhou bagagem e fez seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) para a faculdade de Administração focado na corretora, elaborando uma estratégia de inovação. “Era uma proposta ousada de mudança na curva de valor que a gente entregava. A empresa não passava por maus momentos, e eu estava propondo uma mudança de mentalidade bem agressiva.” Naquele momento, a ideia foi colocada na gaveta. E assim, em 2010, Paulo pegou seu diploma, deixou o estágio e iniciou um trainee em outra empresa, de meios de pagamentos.

Em 2012, porém, a onda atrasada da crise atingiu o país e bateu nas corretoras: das cerca de 70 que atuavam por aqui, somente três não ficaram no vermelho. Foi nesse contexto complicado que Paulo voltou à empresa – o TCC, desengavetado, ajudou a pavimentar o retorno. “Vim para fazer uma gestão de mudança, repensar a oferta de serviços e o modelo de negócios para um mercado em movimentação. Ficamos um tempo incubando as ideias, trazendo mudanças pequenas no negócio, internamente, e depois de um tempo de desenvolvimento fomos para o mercado com essa proposta. Foi quando começamos a ter sucesso de verdade.”

Naquele momento, o movimento certeiro foi no sentido de transformar a oferta de produtos e serviços, algo na trilha do que Paulo havia proposto lá atrás. A corretora começou a criar departamentos especializados e a mirar expertises de negócios de outras empresas, grandes e pequenas, que poderia e deveria replicar internamente. Começou, também, a dirigir um olhar mais carinhoso e estratégico para o marketing, até então subdimensionado, e para a tecnologia, que era entendida principalmente como suporte. E ampliou o escopo de visão para incluir outro segmento de clientes.

“Deixamos de ser uma corretora de Bovespa, só de renda variável, e começamos a trabalhar muito com produtos de renda fixa, com tesouro direto, com o cliente que estava ignorado pelas corretoras na época”, diz Paulo. “Elas sempre tiveram um modelo de negócio que buscava muito o investidor grande para poder rentabilizar seu negócio. E a gente viu uma grande oportunidade no público mal servido, que era o investidor pequeno.”

Conquistar e empoderar o investidor pequeno, Pessoa Física, virou uma obsessão. A empresa passou a centrar suas energias numa estratégia que alinhava esforços robustos de marketing e uma vertente forte de educação financeira – pensada para municiar o cliente com conteúdo e confiança para deixar de vez a poupança, dando partida na sua vida de investidor. O caminho incluía a consolidação do ambiente online, criando ferramentas que pudessem oferecer uma experiência mais ágil, útil, segura, inovadora e intuitiva. Um novo portal de investimentos foi lançado em 2014. Priorizada, a marca Easynvest engoliu a antiga razão social e rebatizou a corretora.

Paulo havia deixado a empresa no meio de 2014 para fazer um MBA na Espanha. Voltou dois anos mais tarde, agora como diretor de estratégia. E encontrou uma Easynvest diferente. Em 2016, a corretora – já estabelecida como uma plataforma financeira de uso self-service – lançou o primeiro app de Investimentos em Renda Fixa do Brasil e escalou o topo do Tesouro Direto, com mais de 100 mil investidores. O engajamento nas Redes Sociais, com linguagem fácil, despojada e informativa, introjetara-se de tal forma que virou parte indissociável da cultura corporativa.

“Recentemente, a grande mudança foi quebrar aquela visão de departamentos e começar a pensar em times multidisciplinares, entendendo que os nossos desafios de negócio têm uma complexidade que não se restringe a marketing, finanças ou tecnologia”, diz Paulo. “É a intersecção de todos esses conhecimentos que vai gerar os resultados que esperamos e construir a empresa que queremos para o futuro.”

A empresa ocupa três andares de um edifício na Vila Olímpia, incluindo um estúdio de TV próprio para a produção de vídeos, entre tira-dúvidas, entrevistas e webinars.  Comparando com outras instituições financeiras, o mix de colaboradores tem menor concentração de economistas, administradores e engenheiros, e maior presença de designers, desenvolvedores e criativos em geral. A imensa maioria é millenial, com toda a inquietude e aquela fome de propósito típicas da geração – uma fome que a Easynvest atende cotidianamente, educando e trazendo para o mercado um público que não sabia investir seu dinheiro.

“O que a gente promete para o colaborador é o que a gente promete para o nosso cliente: autonomia para tomar suas decisões, seus movimentos, com coragem e o suporte necessário”, diz Paulo. “Criamos um ambiente onde as pessoas podem se orgulhar do que fazem, mas com uma estabilidade financeira, de emprego, que você teria numa empresa mais tradicional. Isso se reflete nos benefícios, na atmosfera bem mais descontraída. E que a gente tenta descontrair cada vez mais, mas sem perder a visão de seriedade, de quão sensível é o nosso trabalho, já que estamos lidando com o dinheiro dos nossos clientes.”

Em fevereiro de 2017, a Easynvest anunciou a chegada de um novo e grande sócio, a Advent, gigante global de private equity. Ainda pendente de aprovação pelo Banco Central, a parceria é puramente estratégica (a Easy não precisa de capital externo para rodar o negócio) e promete impulsionar ainda mais a corretora. Mas, diz aí, qual é o gostinho de ser uma das 250 fintechs mais promissoras do planeta?

“É um orgulho estar nessa lista. Dá muita validade para quebrar o mito de que só as empresas novas podem ser disruptivas, de que só as empresas novas podem ser inovadoras. Ajuda também a validar não só até onde a gente já chegou, mas o nosso potencial para ir mais longe. Porque, no fundo, no fundo, você não deveria ser classificada como uma empresa altamente inovadora se não consegue continuar na trilha de novidades em que já se colocou.”

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