A tecnologia é brasileira e usa Realidade Aumentada para reduzir custos na indústria. Esta é a GoEpik

- 25 de julho de 2017
Wellington Moscon e Priscila Santos são os fundadores da startup, que em poucos meses conquistou clientes e foi eleita a "mais atraente" de 2017.
Wellington Moscon e Priscila Santos são os fundadores da startup, que em poucos meses conquistou clientes e foi eleita a "mais atraente" de 2017.

Aconteceu tudo muito rápido na GoEpik. Os quatro sócios sentaram para conversar em outubro de 2016 e em janeiro deste ano a startup estava a todo vapor oferecendo uma plataforma de realidade aumentada a empresas com o objetivo de reduzir custos e aumentar a produtividade. Para quem não sabe, realidade aumentada é uma tecnologia que une o mundo real e o virtual. A sacada da GoEpik é ter criado uma plataforma digital para ser usada em linhas de produção industriais, onde é capaz de guiar profissionais para fazerem procedimentos específicos. A câmera de um tablet ou smartphone projeta imagens sobrepostas aos equipamentos reais indicando, por exemplo, a melhor forma de um operador reparar uma máquina.

Em seis meses de existência, a GoEpik já gerou 200 mil reais de receita e conquistou como clientes empresas de grande porte como Renault, Natura, Bosch, BR Foods e Porto Seguro. Agora começa a olhar mais à frente e tem viagens internacionais no calendário: seu fundador vai para Bogotá, na Colômbia, em outubro, e depois participará da principal conferência de startups do mundo, o Websummit, em Lisboa, no início de novembro. A GoEpik será a representante brasileira no evento por ter sido a primeira colocada, ou “a TOP 1 mais atraente”, do Ranking 100 Open Startups Brasil 2017.

UMA COISA LEVA À OUTRA

O idealizador da GoEpik, Wellington Moscon, 33, é formado em Tecnologia da Informação e possuía outra empresa de tecnologia em parceria com a esposa, a advogada Priscila Santos Moscon, 27. Trata-se da Eruga, também uma plataforma digital que oferece soluções em realidade aumentada para treinamento imersivo. Há quatro anos, a Eruga foi incubada pelo Senai-C2i (ou Centro Internacional de Inovação) em Curitiba, cidade onde Wellington nasceu e deu todos os passos até se mudar para São Paulo, em fevereiro deste ano.

Há muitas possibilidades de uso da tecnologia GoEpik na indústria. O "especialista remoto" é um deles.

Há muitas possibilidades de uso da tecnologia GoEpik na indústria. O “especialista remoto” é um deles.

No Senai ele conheceu Lucas Straub, 24, com formação em análise e desenvolvimento de sistemas, e o convidou para entrar de sócio como desenvolvedor sênior da Eruga. Também chamou Igor Pierucini, 26, com formação em jogos digitais para ser diretor de inovação. Em novembro, enquanto a sua segunda startup passava por incubação, também no Senai, Wellington deixou seu antigo negócio e apostou todas as fichas na nova empresa.

Ele está no caminho. Hoje, a GoEpik integra o portfolio da Oxigênio, aceleradora da Porto Seguro que tem como parceira a Plug and Play Tech Center, do Vale do Silício. Essas duas empresas investiram 50 mil dólares (cerca de 158 mil reais) em troca de 10% das ações da startup – cada uma tem 5%.

A proposta da GoEpik é ser rápida não apenas no alcance de resultados. Wellington conta que a velocidade em conseguir implementar sua plataforma nas empresas, usando a metodologia Lean Startup, é fundamental para agradar os clientes:

 “Temos esse conceito de errar rápido. O que isso quer dizer? A gente tenta sempre estar um passo à frente do problema que pode acontecer e assim amenizá-lo”

O estilo Usain Bolt de ser exige também que os funcionários tenham um perfil diferenciado, ele diz. Por isso, a escolha das pessoas para fazer parte do time da GoEpik tem sido o principal desafio encontrado pelo fundador até aqui: “A área que exige muita flexibilidade sobre folga e horários, por exemplo. A cobrança de entregar resultado para o mercado é grande. Se a pessoa não estiver acostumada, fica complicado. Demoramos para encontrar as pessoas que têm cargos estratégicos”.

Mas o time cresce. De janeiro até aqui, a startup triplicou o número de funcionários: além dos quatro sócios, 13 outras pessoas integram o time. Em relação ao faturamento, Wellington diz que a expectativa é arrecadar seis vezes o que conseguiu até aqui e fechar 2017 com 1,2 milhão de reais de faturamento. O caminho para isso é vender os seis itens de sustentação de sua startup: manutenção autônoma, manutenção planejada, manutenção da qualidade, melhoria específica, educação e treinamento, além do três em um: segurança, saúde e meio ambiente.

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A instalação e a manutenção de cada um desses itens custam 4 mil reais por mês. Ou seja, uma empresa que tem o interesse em todos os serviços da startup pagará mensalmente por volta de 24 mil reais. Além disso, a GoEpik recebe um percentual que varia entre 20% e 30% em cima da redução de custos da empresa que prestou serviço: é esta a principal fonte de renda da startup.

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Wellington conta que, ao utilizar todos os seus serviços, uma grande empresa pode conseguir economizar até 10 milhões de reais por ano. Para sair da teoria e dar um exemplo prático, ele fala sobre o caso da Renault, onde a GoEpik está com o serviço mais avançado. A gigante francesa, que optou por dois módulos de serviço, trabalha com a expectativa de aumentar a produtividade, num movimento que deverá representar a economia de alguns milhões de reais até o final do ano.

O ciclo completo de funcionamento da plataforma GoEpik, de maneira resumida, funciona assim: as máquinas atualmente já possuem sensores e o programa da startup faz um setup do sistema existente. A partir daí, a máquina passa a enviar todos os detalhes de funcionamento para a plataforma. Para realizar qualquer alteração no modo de produção, um aviso é enviado para o celular do operador.

Por exemplo, o rolamento da máquina está desgastado e precisa ser trocado. O funcionário recebe esse aviso, vai até o local do problema e aponta o celular para o equipamento. Com um óculos especial, ele vê, por meio da realidade aumentada, os procedimentos que precisam ser feitos para realizar a manutenção. Wellington fala: “Com isso, em vez de gastar um baita dinheiro trocando um rolamento que quebrou, ele antecipa a manutenção, substitui algumas peças e isso gera uma economia para a empresa”.

O sistema criado ajuda, ainda, no treinamento de funcionários por meio da gamificação. A realidade virtual simula procedimentos que podem acontecer durante a jornada de trabalho, eventuais acidentes, e analisa se o funcionário tem capacidade para resolvê-lo. Por meio de algoritmos, o sistema também informa se a pessoa está apta para começar a trabalhar ou se precisa seguir em treinamento.

Todo esse conceito faz parte da “indústria 4.0”. Wellington acredita que o mercado brasileiro já compreendeu que entrar nessa nova fase de modernização é fundamental. No entanto, diz que para abrir caminho nas principais empresas do país tem precisado, antes de qualquer outra coisa, comprovar os resultados grandiosos que pode atingir:

“A indústria brasileira sabe da importância de se modernizar. Quem não fizer essas mudanças pode ter problemas de competitividade e produtividade no futuro”

Por enquanto, a Goepik atua sozinha no mercado. Não à toa foi eleita a startup mais atraente do Brasil. O empreendedor espera, agora, conseguir expandir o conceito criado por ele na América Latina e, depois, para o mundo inteiro. “Fico muito feliz em levar para outros países um conceito 100% brasileiro. Me dá muito orgulho ter a possibilidade de ir para Portugal e mostrar que aqui, apesar do momento conturbado que a gente vive, também tem gente bastante séria e comprometida buscando o novo, gerando emprego. Essa recompensa não tem preço.” A ideia é ser épico.

DRAFT CARD

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  • Projeto: GoEpik
  • O que faz: Plataforma de realidade aumentada aplicada à indústria
  • Sócio(s): Wellington Moscon, Priscila Santos Moscon, Lucas Straub e Igor Pierucini
  • Funcionários: 17
  • Sede: Curitiba
  • Início das atividades: janeiro de 2017
  • Investimento inicial: US$ 50.000
  • Faturamento: R$ 200.000 (primeiros seis meses de operação)
  • Contato: wellington@goepik.com.br
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