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Camila Holpert, o fim do consumidor e o despertar da Academia Draft

- 31 de março de 2016
A aula de Camila Holpert (terceira em pé, da direita para a esquerda), O Fim do Consumidor, na Academia Draft - lugar de gente boa
A aula de Camila Holpert (terceira em pé, da direita para a esquerda), O Fim do Consumidor, na Academia Draft - lugar de gente boa

Camila Holpert é uma grande mulher. (E não apenas na altura.)

Sabe olhar, sabe entender, sabe articular. Mas, sobretudo, Camila sabe perguntar. O Studio Ideias, empresa que ela define como sendo “de inovação do conhecimento”, faz isso há 10 anos. Então Camila, que começou publicitária e se formou em ciências sociais e semiótica psicanalítica, entre outros balangandãs, aprendeu a fazer isso. A missão de Camila e do Studio Ideias? “Encontrar novas perguntas que revelem novas respostas para novos questionamentos”. Belo desiderato.

Camila deu uma aula na Academia Draft na última terça, dia 29 de março, “O fim do consumidor. E agora?”, na House of Learning, agrabilíssimo sobradinho que o Wolf Menke transformou em espaço para compartilhamento de conhecimento, uma espécie de consulado da Nova Economia – mais especificamente, sharing economy – encravado no coração do bairro de Pinheiros, em São Paulo. (Você poderá assistir à Aula Gravada de Camila, a partir de 5 de abril, neste link.)

O “fim do consumidor” é uma bela provocação da Camila. Trata-se do fim do controle das empresas sobre os consumidores. Trata-se do fim dos rótulos – eu, marca, você, comprador. Eu, empresa, você, consumidor. Eu, falando, você, escutando. Você, fidelizado. Você, recorrente. Você, desempoderado. Você, sem muitas opções.

Esse mundo acabou. Esse “consumidor” não existe mais. Camila tem razão.

Ela pergunta – a quem pertencem as marcas? Quem é dono de quem, quem é que manda, quem pesa mais nessa gangorra entre quem faz a oferta e quem traz a demanda, entre quem está vendendo e quem está comprando? O poder mudou de mãos. Mudou de lugar. Muitos de nós, gente grande, em grandes estruturas, em escritórios bonitos e refrigerados, ainda não nos demos conta disso suficientemente.

Camila apresenta a “História do Branding” e “Os Princípios da Marca”, na concepção do Studio Ideias. Fala dos valores simbólicos das marcas e da importância de as marcas ganharem relevância narrativa. A era do posicionamento de marca acabou – agora a marca precisa ter legitimidade para entrar em alguns territórios que lhe interessam. Diz que as marcas são do mundo, pertencem às pessoas. Diz que as marcas falam – mesmo quando estão em silêncio. E que precisam agora também aprender a ouvir.

Camila discute o novo lugar das marcas em nossas vidas. Sobre a presença – ou a ausência – das marcas nas conversas entre as pessoas. Camila mostra como as marcas se tornaram universos – com histórias, personagens, tradições, imagens, enredos, ação. E propõe que o detrator da marca – aquele troll mais cruel – pode ser um excelente provedor de insights para a empresa. (Ou seja: a gente foge de quem mais deveria ouvir.)

Camila aponta como caminho para as marcas aprofundar histórias existentes, construir um novo olhar sobre histórias conhecidas e desvendar histórias emergentes. Histórias de marca conectam causas e levantam bandeiras. “A nova concorrência não é mais por categoria, mas para ver quem conta melhor a história mais pertinente para vida das pessoas”. Concorrência por tempo. Por atenção. Por engajamento.

Eu pergunto se isso vende – uma pergunta que ouço quase todo dia nesses tempos de crise. Camila diz que isso aumenta muito a consideração da marca pelos consumidores. E que, sim, uma consideração de marca maior vende mais produtos. Bela resposta. Obrigado, Camila. Vou usar. Eu acredito nisso. Você sintetizou.

Muito bom ouvir a Camila. E aprender com ela. Inclusive com a suavidade com a qual ela compartilha o conhecimento. Soft power. Ela está ali compartilhando sua experiência e suas visões de modo delicado. De modo… feminino. (Se ainda for possível dizer isso sem incorrer em questões de gênero muito complicadas.)

Começamos às 20h e terminamos às 22h. A tempo de comermos os fabulosos snacks da Farofa.la, nossa parceira. Camila respondeu a umas perguntas, uma delas vinda da Bahia, de uma menina que assistia à Aula Virtual, na bela transmissão em streaming da Vocs.tv. E terminou dizendo: “Gente, que delícia isso aqui”. Para a gente também, Camila. Valeu.

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