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Como a Contratado inverte a lógica do recrutamento: as empresas é que vão atrás dos candidatos

- 27 de junho de 2017
Lucas Mendes e Lachlan de Crespigny são os fundadores da startup que foca em colocação profissional de engenheiros de software e diversos profissionais de TI.
Lucas Mendes e Lachlan de Crespigny são os fundadores da startup que foca em colocação profissional de engenheiros de software e diversos profissionais de TI.

Aplicar tecnologias como machine learning e big data em um setor tão antiquado e pouco inovador quanto o de recrutamento: esta é a oportunidade de negócio que os sócios Lucas Mendes, 33, e Lachlan de Crespigny, 32, viram ao criar a Contratado.ME. A plataforma digital é praticamente uma afronta às ferramentas convencionais e processos manuais do setor e seu objetivo é mesmo quebrar barreiras e trazer a transformação digital para o ramo de Recursos Humanos.

Há três anos no mercado, a Contratado (o nome oficial é Contratado.ME) espertamente optou por trabalhar com profissões ligadas ao mercado de tecnologia e negócios (a lista é longa: engenheiros de software, desenvolvedores mobile, front-end, back-end, designers de UX/UI, profissionais de marketing online, business intelligence, data science, product management, consultoria estratégica e finanças corporativas). Apesar da oscilação nas taxas de desemprego no país, Lucas conta que para esses profissionais “não existe recessão”.

Atualmente há cerca de 4 000 recrutadores (de RH) cadastrados, e 1 200 empresas com cadastro validado na plataforma (elas também são selecionadas). Além disso, segundo Lucas, mais de 100 mil candidatos já passaram pelas seleções da Contratado. No ano passado, a startup intermediou a contratação de profissionais cujos salários, somados, representam 9,5 milhões de reais. Sem poder abrir dados de faturamento, o CEO dá a dimensão do crescimento do negócio: no segundo trimestre deste ano, a operação mais que dobrou de tamanho em relação ao ano passado. Ele diz que o segredo da Contratado está no rigor com que busca pré-selecionar os candidatos:

“Só 5% dos inscritos são aprovados e terão seus perfis disponibilizados. Somos extremamente rigorosos para garantir que a qualidade seja nosso diferencial”

Inicialmente os currículos (ou perfis do LinkedIn) são analisados por um algoritmo, que já faz uma primeira filtragem e direciona o candidato para uma segunda etapa, que é a realização de testes técnicos adaptados de acordo com a carreira e as habilidades de cada candidato. O nível de dificuldade e as tarefas variam de caso para caso. Um candidato que seja um desenvolvedor front end, por exemplo, realizará testes para medir o conhecimento dele em HTML, CSS, javascript. Antes de ter o perfil visível para as empresas, o candidato ainda passa por uma entrevista não-presencial para avaliar seu perfil e a disponibilidade para trocar de emprego.

AS “OFERTAS” DURAM POUCO — E AS EMPRESAS PAGAM SE CONTRAREM OS PROFISSIONAIS

Lucas conta que os candidatos aprovados ficam disponíveis na plataforma, em média, por três semanas. Quase todos são contratados dentro desse período e, se isso não acontece, o perfil do candidato é removido. Lucas conta que é comum haver uma disputa por parte das empresas e a função da plataforma é, também, garantir que os candidatos ali “ofertados” estejam de fato querendo um novo emprego.

“Queremos evitar o leilão, ou seja, candidatos que querem ouvir propostas mas não efetivamente trocar de empresa. Não queremos ser mais um banco de talentos a disposição das empresas”, afirma. Um exemplo disso é que na Contratado não existe o conceito de “vagas”. Ele fala:

“Parte da mudança de paradigma que propomos é tirar a vaga do centro do processo e colocar o candidato neste lugar”

Ele prossegue, dizendo que quer “gerar uma experiência de busca de emprego incrível para o candidato”, ou seja, que ele receba dezenas de convites para entrevistas e acabe encontrando “a empresa perfeita para ele”.

A mudança de paradigma também está no modelo de negócio. Na Contratado, o candidato não paga nada para usar o serviço. É o contrário: a startup é que oferece um bônus — de até 2 mil reais — aos candidatos que são contratados por meio da plataforma.

Além de pré-selecionar os candidatos que irá expor na plataforma, a Contratado também tem faz uma seleção das empresas contratantes (levando em consideração o momento do negócio, a equipe de recrutadores e, obviamente, a disposição em pagar pelo serviço de curadoria oferecido). A receita da startup vem de duas possibilidades: se uma empresa quer contratar poucos funcionários, opta por pagar à Contratado 8% do salário do profissional que encontrou na plataforma. Por sua vez, se a empresa tem uma demanda grande e irá contratar, por exemplo, o ano todo, o melhor caminho é contratar planos — que variam de 7 mil a 25 mil reais por mês — para acessar livremente a plataforma da Contratado.

“Não queremos empresas que estejam só atrás da comodidade, mas sim as que valorizam nossa curadoria”, afirma Lucas. A estratégia tem dado certo, tanto que entre os clientes da startup há tanto grandes empresas como Itaú, Monsanto, Netshoes, como também outras startups: Quinto Andar, Méliuz, 99 taxis e HomeRefill.

Em seus três anos de existência, a Contratado está, atualmente, em seu melhor momento. Foi uma das quatro startups brasileiras selecionadas para o Launchpad Accelerator, programa do Google que oferece mentoria com engenheiros, gerentes de produto e outros especialistas no Vale do Silício, além de um aporte de 50 mil dólares de investimento livre, e mais 100 mil dólares em créditos em produtos do Google.

Funcionários da Contratado e alguns dos... contratados, num evento de relacionamento.

Funcionários da Contratado e alguns dos… contratados, num evento de relacionamento.

Lucas conta que o Launchpad é bastante customizado e, no caso da Contratado, o foco é conseguir “plugar” a infraestrutura de machine learning e big data do Google à plataforma. “Acreditamos que tanto a seleção como o matching da plataforma podem melhorar muito com o uso dessas tecnologias”, diz ele. A segunda frente é na área de atração de candidatos. “O Google tem tecnologias muito avançadas de segmentação de mídia. Não queremos uma base grande de perfis na plataforma, mas nos interessa saber como essas ferramentas podem nos ajudar a atrair candidatos cada vez melhores.”

SOBRE TER HUMILDADE E APRENDER COM OS ERROS

Lucas é engenheiro da computação formado pela Poli-USP e embora tenha começado a carreira no mercado financeiro, atuando em consultorias, sempre quis ter o próprio negócio. A primeira tentativa foi no varejo. Por dois anos, foi sócio do Beleza na Web, um dos maiores e-commerces de cosméticos do país. Em 2013, porém, abriu mão da sociedade para fazer um MBA em Stanford. Foi lá que conheceu o futuro sócio.

Lucas e Lachlan (administrador de empresas australiano, que mora em São Paulo desde 2011) lançaram a Contratado em 2014 com investimento próprio. Um ano depois, abriram uma rodada de investimentos e receberam um aporte de investidores brasileiros e estrangeiros, mas o valor também não pode ser divulgado a pedido dos investidores. Na época o recurso foi usado para que eles ampliassem o leque de carreiras atendidas pela Contratado. Ele conta:

“Tentamos incluir na plataforma profissionais de atendimento e inside sales, mas não deu muito certo. Acabamos voltando atrás”

Ele conta que eles testaram e mediram taxas de conversão, entrevistas marcadas etc. Em sua avaliação, para algumas carreiras até existe demanda, mas as empresas que buscavam esses candidatos na Contratado estavam valorizando muito mais a conveniência do que a consultoria que a startup oferece. Como negócio até que funcionava, mas Lucas preferiu encerrar a experiência: “Decidimos abrir mão dessas áreas para manter nosso foco”.

Cabeça de engenheiro, ele aferrou-se às métricas como ferramenta para aprender com os próprios erros. “Percebemos que sempre vale a pena acelerar o processo de experimentação. Testar as coisas, mesmo que não estejam ainda perfeitas. O aprendizado prático é muito mais rico”, diz ele.

O maior desafio da Contratado continua sendo convencer as empresas a priorizarem a transformação digital em seus processo de recrutamento. Em resumo, convencer os clientes a inovar. Na visão de Lucas, embora o RH seja uma parte fundamental da estratégia da empresa, na maior parte das vezes “está sobrecarregado com atividades que vão desde Departamento Pessoal até a festa de fim de ano”. Nesse meio tempo, diz, fica difícil ter ainda que encontrar os melhores candidatos, dos mais diversos perfis. “O que a gente quer é deixar o RH focar no que deveria ser seu principal trabalho, que é ser guardião da cultura da empresa. A Contratado se encarrega da seleção técnica e depois que o candidato já foi filtrado, o RH pode fazer a seleção levando em conta o fit com a cultura da empresa”, diz. Assim eles esperam chegar ao fim do ano com uma operação três vezes maior que em 2016. Quem quer contratar esses garotos?

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