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Como Ilana Reznik transformou seu dom de falar e emocionar em uma maneira de ganhar a vida

- 6 de fevereiro de 2015
Ilana celebra o casamento das amigas Erika e Carol: o primeiro de muitos, personalizados e sem "sustos" para os noivos.
Ilana celebra o casamento das amigas Erika e Carol: o primeiro de muitos, personalizados e sem "sustos" para os noivos.

Quantas vezes você já deixou de ir a uma cerimônia de casamento para chegar só na hora da festa? Tudo bem, é compreensível. Afinal, sermões de padres e pastores podem ser um tanto cansativos. Isso sem falar nos juízes de paz: de tanto presidirem esse tipo de ritual – às vezes são cinco ou seis por dia – eles já têm um discurso decorado, que recitam mudando apenas os nomes dos noivos. Só se emociona mesmo quem é muito próximo ao casal. Nada mais distante do serviço prestado pela Casamento Colorido, a empresa que a publicitária Ilana Reznik, 30, criou para exercer sua vocação e fazer disso um negócio.

Ilana não é uma dessas pessoas que se entedia facilmente. Ela sempre gostou de cerimônias oficiais: ia com prazer a colações de grau dos amigos e batizado dos primos. Mas os casamentos sempre foram seus ritos preferidos, pois a ideia do comprometimento que une duas pessoas, na frente de todos os amigos e familiares, a impressionava verdadeiramente. Tanto que, se a cerimônia era impessoal, ela saía triste e decepcionada.

Ilana tem outra paixão: escrever. Construiu sua carreira como redatora de diversas agências de publicidade no Rio de Janeiro, cidade em que vive até hoje. Durante dez anos, foi feliz neste tipo de trabalho. “Eu me divertia nas agências, as pessoas eram bacanas, o ambiente descontraído, e tudo isso acabava compensando o fato de trabalhar até as madrugadas”, conta ela, que não tinha grandes angústias para empreender e mudar de vida.

A cerimonialista unindo o casal Karine e Wagner: inúmeras sessões de entrevista antes de redigir cada texto.

A cerimonialista unindo o casal Karine e Wagner: muitas sessões de entrevista antes de redigir cada texto.

Até que, em 2010, duas de suas amigas próximas resolveram se casar. Por razões óbvias, elas não podiam celebrar na igreja nem fazer um casamento civil. Neste momento, Ilana teve um insight: ela poderia realizar a solenidade! “A história das duas era tão bonita, elas tinham tanta coragem de fazer aquela união formal em meio a tantas pessoas, que eu achei que, por conhecê-las bem, poderia dar ao rito a grandiosidade que merecia”, conta. Ela se ofereceu para ser a celebrante.

Parênteses para outra informação sobre Ilana: ela sempre fez os discursos nas festas de família. Era a “oradora não oficial” de aniversário de tios, avós, festas de 15 anos, tudo. Todos sempre presumiam que Ilana iria falar alguma palavrinha, tendo ela se preparado ou não para isso. O cargo não a incomodava, pelo contrário: ela tinha muito prazer em elaborar um texto para dizer na frente das pessoas. E mais ainda em ver como se comoviam e gostavam do que ouviam.

A ideia foi certeira e, ao fim da cerimônia das amigas, duas filas se formaram: uma para cumprimentar as noivas, outra para agradecer Ilana pelas palavras que levaram a plateia às lágrimas. Foi um divisor de águas: naquele momento, Ilana soube que queria fazer aquilo da vida.

DO INSIGHT À AÇÃO, A INCUBAÇÃO DE UMA IDEIA TRANSGRESSORA

Ainda que não soubesse como transformar seu sonho em realidade, Ilana sempre soube que daria certo. Quantas pessoas não querem se casar, mas não encontram um celebrante ideal? Gente descolada, que não gosta de blábláblá, mas ainda assim quer confirmar sua escolha amorosa na frente dos amigos e família? Demoraria um ano até que ela realizasse sua primeira cerimônia como profissional:

“Mandei meus amigos espalharem por aí que agora eu era celebrante oficial, mas todo mundo achava muito estranho. O negócio só deslanchou quando criei o site”

Na opinião de Ilana, o pensamento positivo também teve um papel fundamental. “Eu mentalizava tanto que aquilo ia dar certo que, quando precisava preencher fichas com a minha profissão, colocava ‘celebrante de casamentos’”, diverte-se. Começou, então, a estruturar uma metodologia para o seu trabalho: o número de entrevistas que faria com o casal, quanto tempo dedicaria à elaboração do texto, como entraria em contato com cerimonialistas para indicarem seu serviço etc.

Com a procura crescente no site, Ilana decidiu arriscar e, no dia primeiro de janeiro de 2013, pediu demissão da agência onde trabalhava para se dedicar ao negócio recém-nascido. Estabeleceu como meta celebrar um casamento por mês, no mínimo. Acabou por realizar 15 naquele ano, e ficou contente com o resultado. Fixou os preços: 4 mil reais para uma cerimônia no Rio, 4.500 se fosse nos arredores da cidade e 5 mil reais se fosse em outro estado.

Ela lembra que precificar seu trabalho foi um dos seus maiores desafios. “Nos primeiros casamentos, pesquisei quanto um juiz de paz ganhava por cerimônia no Rio e me baseei nisso: 800 reais. Depois, percebi que o meu serviço ia muito além de estar ali no dia. Eu acompanhava o percurso do casal, virava confidente deles, sabia de detalhes que às vezes nem a própria família sabia. Daí, escrevia o texto e fazia a celebração. Não era como uma juíza de paz”, diz.

E como são os casais dispostos a investir em uma cerimônia de casamento personalizada e não-convencional? “Alguns noivos têm religiões diferentes, outros não acham importante casar na igreja ou são ateus. Mas quem opta pelo meu serviço em de um juiz de paz está, na verdade, cansado de mesmice”, conta ela. Em 2014, sua empresa realizou 32 celebrações – a meta de llana eram 20.

UM NEGÓCIO FADADO A NÃO CRESCER MUITO – E TUDO BEM

Para fazer um casamento, Ilana encontra-se muitas vezes com os noivos. Primeiro com o casal junto: eles contam como se conheceram, como é a situação atual deles, há quanto tempo estão juntos etc. Em seguida, vem uma reunião com cada um separadamente, assim Ilana descobre o que um gosta no outro, além da história pessoal, gostos e preferências de cada um. “Neste processo, os dois acabam refletindo mais sobre o próprio casamento. É como se reafirmassem para si mesmos os motivos de estarem ali antes de dizerem isso na frente de todo mundo”, diz ela.

A cerimonialista, à espera de mais um casal.

A cerimonialista, à espera de mais um casal.

Este é apenas o primeiro passo, pois ela também entrevista várias pessoas ligadas ao casal. Daí, surgem muitas ideias diferentes para a cerimônia: escolher alguns amigos para participar, fazer alguma surpresa para um dos noivos, lembranças e presentes entregues especialmente ao casal. “Já fiz casamentos temáticos de Beatles, inclusive um no palco da Fundição Progresso (tradicional casa de shows carioca), já celebrei em inglês porque um dos noivos era estrangeiro, já pedi para amigos escreverem cartas para o casal abrir dali a um ano e até já fiz um casamento que era surpresa para o noivo”, conta Ilana.

Pelo fato de seu negócio ser tão pessoal, a empreendedora não vê possibilidade de contratar funcionários ou descentralizar o processo. Por isso, há um limite de crescimento para a empresa – no máximo, Ilana pode fazer dois casamentos por fim de semana. Há meses mais fracos, como fevereiro ou julho, sem cerimônias marcadas, e outros congestionados, como maio, que já tem seis casamentos agendados, ou outubro, com cinco. No entender de Ilana, essa limitação vale a pena e é fundamental para que ela possa manter a qualidade do trabalho:

“Uma das coisas mais legais é ver o sorriso de tranquilidade dos noivos ao me verem. Eles sabem que sou uma pessoa em quem podem confiar, sabem que eu não direi nada que os deixe desconfortáveis”

O fato de ser mulher e jovem causa estranhamento quando Ilana fala qual é a sua profissão. O mesmo ocorre nas cerimônias. “As pessoas me veem e tomam um susto, já que os celebrantes costumam ser homens e mais velhos. Mas acho isso positivo. Sou questionadora e acredito que as pessoas que me procuram também são”, diz. E para o futuro? Só continuar marcando o momento mais importante da vida das pessoas. Esta já é a realização do sonho de Ilana.

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