SPONSORS:

Como um alimento desconhecido no Brasil colocou a b.eat no mercado de comida saudável

- 1 de março de 2017
Uma viagem para se reencontrar rendeu a José Kappaz, fundador da b.eat a ideia de sua empresa de alimentos naturais.
Uma viagem para se reencontrar rendeu a José Kappaz, fundador da b.eat a ideia de sua empresa de alimentos naturais.

O publicitário José Kappaz, 33 anos, apostou em uma raiz de origem africana – e relativamente desconhecida no Brasil – para ser o carro-chefe de sua marca de alimentos saudáveis, a b.eat. A chufa (ou Tigernuts, como é conhecida em inglês), que teve seu auge de popularidade mundial nos anos 50, é usada para produzir uma bebida adocicada e refrescante e faz sucesso no verão espanhol, principalmente na cidade de Valência. Hoje, ela é vendida pela b.eat em embalagens de 200g, por aproximadamente 28 reais, como um lanche para o período da tarde e também como farinha, para outras aplicações, e pode substituir o trigo em preparos sem glúten. O produto chegou a 16 estados, por meio de 246 pontos de venda e três lojas online.

A marca tem um ano e três meses de vida. A jornada começou durante uma viagem sabática de José à Turquia, em outubro de 2014. Para ele, não seria apenas aventura: uma relação de nove meses havia chegado ao fim, o trabalho não lhe trazia satisfação pessoal (ele havia deixado o emprego na área comercial da construtora da família) e o seu projeto de uma marca de shorts de praia não se concretizou.

Enquanto corria pela praia em Bodrum, uma das cidades que visitou, ele viu uma mãe alimentar os filhos com castanhas e frutos secos, enquanto brincavam no mar. “Naquele momento, pensei em me reconectar aos alimentos”, conta. Ele diz que a cena não faz parte de nenhum storytelling criado para a sua marca – foi real mesmo.

O investimento inicial para a empresa, de 950 mil reais, foi fruto das economias pessoais e aportes de dois sócios-investidores minoritários, o irmão e o amigo advogado de José. Ele inclui na soma a viagem, que foi o pontapé inicial da b.eat. Como o faturamento atual gira em torno de 90 mil reais mensais, o empresário acredita que o ponto de equilíbrio chegará até o meio do ano.

TRABALHAR COM ALIMENTAÇÃO VOLTOU A SER PRAZEROSO

No currículo de Kappaz está a criação da rede de restaurantes Espaço Árabe, um sonho do avô. A rede, criada em 2003, chegou a ter quatro lojas na sua gestão, e em em 2009 teve 50% das suas ações vendidas a um grupo investidor que assumiu a direção do negócio. A gestão compartilhada gerou muito atrito dentro da empresa. Daí veio a primeira lição que José levou para a b.eat:

“Se alguém tiver interesse em comprar a b.eat, ou compra a empresa inteira ou não compra nada”

Voltar a trabalhar com alimentos com a nova empreitada trouxe lembranças da época do restaurante à tona, ele conta: “Foi uma coisa muito gostosa, porque a minha vó e a minha tia foram ensinar aos cozinheiros as receitas de família. Então realmente existia uma relação muito próxima e familiar”.

O nome b.eat faz jogo com as palavras em inglês: Be (ser), Eat (comer), e segue o conceito de que as pessoas são o que comem. “Tem também a ver com a correria do dia a dia, de não parar para se alimentar bem. Então, o nosso foco foi sempre trazer praticidade e alimentos verdadeiros”, ele conta. José ainda diz que uma de suas preocupações é proporcionar novas experiências, por isso, além sugerir novas formas de consumo, gosta de criar serviços atrelados ao produto:

“O nosso DNA é trazer inovação para o mercado de comida saudável”

O empresário conta que encontrou a chufa em uma simples pesquisa de internet, em novembro de 2014. No Brasil, ninguém falava da tal raiz, mas pesquisas pelo mundo inteiro apontavam as propriedades do tubérculo. Os mesmos caminhos o levaram a um produtor, em Valência, que contatou por e- mail. Em menos de 10 dias, José recebia via correio a amostra do produto. “Quando eu experimentei, decidi que trabalharia com isso”, diz.

Em seguida, ele enviou uma análise do mercado brasileiro e do seu potencial de consumo ao exportador. Depois, foi para a Espanha a pedido dos produtores e voltou com o acordo fechado. “Antes de ir pra lá, chamei um amigo advogado para ir comigo e voltar com um contrato de exclusividade”, diz.

IMPORTAR É DIFÍCIL, POR ISSO FOI PRECISO CAUTELA

Ao voltar do seu processo de pesquisa na Espanha, José começou todo os trâmites de abrir uma empresa, branding, desenvolvimento de marca, de embalagem, licença na Anvisa, importação, e o Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros. Por ser um alimento funcional, José encontrou mais complicações que o normal. “Se eu quiser dizer que ele tem uma fibra probiótica na embalagem, por exemplo, eu teria que entrar com um pedido especial na Anvisa, e demoraria dois anos para desenvolver a pesquisa e conseguir a liberação. Então, trouxe ao Brasil como se fosse um produto novo”, ele conta.

A b.eat vende pacotes de Tigernuts e a farinha da raiz africana

A b.eat vende pacotes de Tigernuts e a farinha da raiz africana

Para se resguardar, o empreendedor decidiu não fazer uma importação grande, só 300 kg. Consultou despachante, especialistas do mercado, importadores e todos disseram que era possível trazer o novo produto. Foram apenas 15 dias de desembaraço aduaneiro. Ele só não contava que várias empresas bateriam na porta do produtor espanhol para tentar trazer o produto para o Brasil. “O mais bacana disso tudo foi que o fornecedor sempre ratificou a nossa exclusividade. A nossa relação é muito sólida e sempre foi surpreendente”, diz.

Hoje, ele trabalha com fornecedores apenas com contrato de confidencialidade. Em junho de 2015, a primeira importação chegou ao Brasil. O primeiro contêiner trazia 20 toneladas de Tigernuts, e lá se foram mais 32 dias de desembaraço para fazer contato com fornecedores e clientes. Em outubro do mesmo ano, a marca foi lançada com kits para influenciadores. Até hoje, eles postam receitas desenvolvidas pela equipe da marca – e também por José – como sugestões de consumo.

O trauma com as parcerias durante a fase de importação foi parcialmente sanado com a parceria com um fornecedor atual.

“Quebrei muito a cabeça para importar. Mas uma pessoa que eu conheci no caminho foi meu guru”

Ele se refere a Adrian, da empresa Tradal, que tem experiência com a importação e comércio de castanhas, fornece também para a rede de franquias Nutty Bavarian. Hoje, a Tradal é quem faz todo o envase da Tigernuts, do mix e mais dois produtos novos. “Se eu tivesse conhecido ele antes de todo o processo, teria sido mais fácil”, diz José.

Para sair na frente da concorrência e baratear o custo, Kappaz já testa o cultivo de chufa no Brasil, em São Paulo e Mato Grosso. O fornecedor na Espanha não precisa sofrer com isso, segundo o empresário: “Para ele, quanto mais pessoas plantando, melhor, pois dissemina o produto. Ele também é o único que possui a tecnologia patenteada para a retirada da casca da chufa, então precisamos dele”.

Hoje, ele vende a raiz – que foi considerado o primeiro superalimento da história – nas versões in natura e a farinha. A b.eat também tem uma linha de snacks funcionais desenvolvidos pela equipe de nutricionistas e engenheiros de alimentos para diferentes etapas do dia: manhã, tarde e noite. Cada etapa do dia possui uma playlist correspondentes no Spotify, basta procurar por Morning Sunshine, Afternoon Beats e Peaceful Night.

COMER BEM PODE SER MUITO RENTÁVEL

O estilo de vida de José reflete a essência da b.eat. Ele diz que se levanta às 5h15 para se exercitar, trabalha das 8h às 19h e leva um estilo de vida mais caseiro, relaxado. Pratica meia maratona de montanha, faz ioga, meditação e largou o carro há quatro anos – agora só se locomove em sua bicicleta elétrica ou por Uber.

“Hoje, eu consigo me conectar com pessoas, divulgar qualidade de vida e entregar isso para meus clientes. Isso é o que me dá prazer”

O objetivo do empreendedor também é expandir para o mercado internacional. Por isso, planeja participar da Expo West, feira de produtos naturais na Califórnia, meca da alimentação saudável.

No fim de março deste ano, a b.eat vai lançar uma granola de quinoa extrusada, crocante e com menos carboidrato e açúcar que suas concorrentes do mercado, que levam aveia e floco de arroz. O produto terá uma versão doce e uma salgada. Entre os planos para o futuro também está o desenvolvimento de uma proteína vegana – para minimizar a utilização de produtos animais – e o lançamento de bebidas vegetais, como o leite de chufa e de amêndoas, sem adição de açúcar ou espessantes (goma) no mercado. Tudo isso já está em fase de testes.

Se um dos maiores desafios que um empreendedor encontra é inovar, imagine no setor alimentício, onde parece que muitos caminhos foram e são trilhados a cada dia. Agora, some a isso, um mercado que cresce 20% ao ano (em média no Brasil, segundo a Euromonitor), e a b.eat tem cada vez mais olhos cada vez mais voltados para ela.

DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: b.eat
  • O que faz: Vende alimentos naturais
  • Sócio(s): José Kappaz e 3 sócios minoritários
  • Funcionários: 3
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: Outubro de 2015
  • Investimento inicial: R$ 950.000
  • Faturamento: R$ 90.000 mensais
  • Contato: seuritmo@b-eatfood.com
Veja também:

A Holy Nuts produzia cremes e leites de castanha. Agora, abriu um café para mostrar na prática como é isso

- 11 de setembro de 2017
2483 2 0
As fundadoras da Holy Nuts, Manoela e Luiza, se apaixonaram por pasta de amendoim durante um intercâmbio. E aí tudo começou.

Aqui, inovar é ter um “açougue” 100% vegetal. O No Bones investe na alimentação do futuro e chama atenção

- 14 de junho de 2017
Marcella Izzo, a chef à frente do No Bones, formou-se arquiteta e só depois fez a transição (na alimentação e, depois, na carreira).

O que fazer quando seu negócio faz sucesso antes mesmo de existir? A Naked Picolé está aprendendo

- 6 de junho de 2016
Rafael e Thiago, fundadores da Naked, rumo ao Rio de Janeiro para o primeiro evento da marca.

Não é foodtruck: é uma Kombi vendendo orgânicos por aí. Conheça a Komborgânica

- 5 de fevereiro de 2016
Mario Junior, que é agrônomo, e Joana Ricci, jornalista, à frente da Komborgânica.