SPONSORS:

Conheça a Rocket.Chat, a plataforma de código aberto que quer ser a WordPress dos chats

- 28 de novembro de 2017
Saiba como Gabriel Engel criou uma plataforma de chat de código aberto que tem mais de tem mais de 1 milhão de usuários espalhados pelo mundo. Entre eles, a Agência Espacial Brasileira.
Gabriel Engel criou uma plataforma de chat de código aberto que tem mais de tem mais de 1 milhão de usuários espalhados pelo mundo.

“Queremos ser a WordPress dos chats.” Esse é o principal objetivo do administrador gaúcho Gabriel Engel, 37, fundador da plataforma de chat de código aberto Rocket.Chat, criada em novembro de 2016. A WordPress é, provavelmente, a mais utilizada plataforma de código aberto para criação de sites (o do Draft, por sinal, é feito em WordPress). “Falam que 30% da informação da internet está em um servidor rodando WordPress”, diz Gabriel. Sua Rocket.Chat quer seguir este caminho, mas no promissor campo dos chats online.

A plataforma de chat é só a mais recente criação de alguém que passou a vida programando. Em 1998, quando entrou na faculdade de administração na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Gabriel foi trabalhar na empresa de informática de seu pai, a Planejar. “Como meu pai tinha essa empresa, cresci no meio dos computadores. Na hora de escolher um curso na faculdade, até talvez por presunção, escolhi outra coisa que não fosse programar, porque isso eu julgava que já sabia”, conta.

COMO NASCE UM EMPREENDEDOR DE TECNOLOGIA

Seu primeiro projeto como programador na Planejar foi o desenvolvimento de um portal de agronegócio, que veio a se chamar Agrol. “Há tempos, não acontecia nada de extraordinário na empresa. Não tínhamos prejuízo, mas também não tínhamos muito lucro. Mas o Agrol, de alguma maneira, teve tanta visibilidade que logo foi comprado pelo Grupo RBS”, afirma. O Grupo RBS é um dos maiores conglomerados de mídia do país, ao lado do Grupo Globo e do Grupo Abril, entre outros. Mesmo assim, Gabriel não quis se mudar para lá junto com o projeto quando foi convidado. “Queria ser empreendedor”, diz.

No mesmo ano, em 2001, junto com dois colegas de faculdade, Eugenio Pretto e Andre Volkmer, Gabriel criou a Intelimen, para fazer e hospedar sites. Nos primeiros anos da startup, boa parte das receitas vinha do portal de notícias Terra. Eugenio é filho de Sergio Pretto, criador da Nutec, empresa de software que deu origem ao Terra. “Foi o Sergio que nos abriu várias portas”, conta Gabriel.

Dois anos depois da criação da empresa, Gabriel decidiu que era o momento de abrir uma filial no exterior. Ele fala a respeito: “No comecinho, eu sabia programar mais do que os outros sócios. Quando ficamos de igual para igual e vi que eles conseguiriam se virar sem mim no dia a dia, decidi abrir uma filial fora sem discutir muito a ideia com eles. Acho que foi o começo do fim da sociedade”.

Gabriel, então, se mudou para Londres, cidade em que almejava viver há algum tempo. “Eu estava com 22 anos e tinha terminado um namoro, bem na época da formatura. Então, fui.” Lá, logo nos primeiros meses, conseguiu um emprego na startup de webdesign Ominor, hoje TwentyCi. “Era uma empresa de webdesign como a minha. Queria aprender como eles faziam em Londres o que eu fazia em Porto Alegre”, conta. Durante os dois anos em que Gabriel trabalhou na startup inglesa, sua relação com os sócios que ficaram no Brasil foi se desgastando:

“Em determinado momento, eles não me quiseram mais como sócio, então compraram a minha parte e, por assim dizer, fiquei livre”

Ele ficaria na Inglaterra mais seis anos, até 2011. Nesse período, começou a namorar, fez amigos, construiu uma vida no país. Trabalhou como autônomo, desenvolvendo projetos para empresas brasileiras, e chegou a atuar como gerente de produtos na operadora de telefonia móvel Vodafone.

Já em 2011, “frustrado com a burocracia” do trabalho na Vodafone, Gabriel decidiu voltar à vida de empreendedor. Com o objetivo de vender para a Europa, criou a empresa de desenvolvimento de software Konecty. “A sede da empresa ficava na Inglaterra e todos os programadores, no Brasil”, conta.

Empreendedorismo, muitos dizem, é algo meio incontrolável e que, sem que se perceba, ocupa várias áreas da vida da pessoa. Na época da Konecty, o irmão de Gabriel, Felipe, estava abrindo uma imobiliária em Porto Alegre, a Foxter, e pediu a ele uma indicação de sistema de gestão. “Já fazia tempo que eu queria criar um produto digital, para ir além de fazer somente os projetos específicos para meus clientes. Então, falei que eu mesmo faria o software de gestão e que ele seria o meu primeiro cliente”, lembra Gabriel. Em seguida, vieram outros clientes, como o Grupo Savar, de concessionárias, e a incorporadora Nex Group, ambos gaúchos.

Gabriel fala da Rocket.Chat na conferência de JavaScript BrazilJS, em Porto Alegre.

Gabriel fala da Rocket.Chat na conferência de JavaScript BrazilJS, em Porto Alegre.

Em seguida, também viria de Felipe a semente de um novo negócio. Ele pediu ao irmão uma ferramenta de chat para que seus corretores pudessem falar com os clientes que estavam online no site da empresa. Sim, foi aí que surgiu o primeiro esboço do que hoje é a Rocket.Chat. Gabriel fala a respeito:

“Procuramos plataformas de chat de código aberto, ou seja, que permitissem que nós as modificássemos, mas nenhuma era utilizável. Então, fizemos a nossa”

A primeira versão da Rocket.Chat ficou pronta nos últimos meses de 2014. No começo, a plataforma não era de código aberto. “Nossa ideia era que fosse, mas fomos enrolando, porque ninguém nos pagaria para fazer isso e, também, porque daria um trabalho danado. Teríamos que escrever manual, testar em outras versões… Acabamos deixando a ideia mofar virtualmente”, afirma Gabriel.

A ROCKET.CHAT NÃO IA SER OPEN SOURCE, MAS…

Tudo mudou quando Gabriel viu uma postagem no fórum da Meteor, uma plataforma para construir aplicativos na linguagem JavaScript. Um programador convidou as pessoas para fazer uma versão de código aberto do popular aplicativo de chat Slack e recebeu mais de 100 respostas de gente disposta a colaborar. “Quando eu li aquilo, pensei que tínhamos chupado bala”, diz.

A solução encontrada foi “reunir a equipe, comprar um monte de Red Bull e, literalmente da noite para o dia, fazer o chat virar de código aberto”. Às 6 da manhã de uma sexta-feira de maio de 2015, nasceu a Rocket.Chat. “É claro que sabíamos que muitas coisas poderiam estar erradas, porque nunca tínhamos feito uma aplicação dessas. Mas o genial do código aberto é que a comunidade olha, aponta erros e ajuda a melhorar”, diz Gabriel.

A equipe, então, respondeu à postagem no fórum da Meteor com um link para a recém-nascida Rocket.Chat – e, em pouco tempo, esse link já estava no site de notícias sobre programação Hacker News e na plataforma de divulgação de novos produtos Product Hunt. Foi como pólvora, como ele conta:

“Com 24 horas de lançamento da Rocket.Chat, mais de 30 000 pessoas já tinham baixando o servidor, já estavam testando e nos dando feedback”

Ele prosssegue: “A Rocket.Chat ficou por três semanas nas trends da semana no repositório da plataforma de hospedagem de projetos GitHub e começou a aparecer na plataforma de serviço em nuvem Heroku. As duas coisas são muito importantes nesse meio”.

Gabriel diz que não imaginava que sua plataforma de código aberto juntaria uma comunidade tão grande. “Foi gente demais ajudando. Eles nos ajudaram a fazer os aplicativos para rodar em desktop para Windows, para Mac, começaram a fazer a parte de videoconferência, traduziram a plataforma para mais de 30 idiomas, criaram funcionalidades que nem o Slack nem o WhatsApp tinham na época, como marcadores que mostram para a pessoa onde numa conversa ela foi mencionada.”

Além disso, segundo Gabriel, programadores da GitHub ajudaram a fazer com que o robô de chat (ou chatbot) de código aberto Hubot, criado por eles, funcionasse dentro da Rocket.Chat. “Você pode configurar o Hubot para responder ‘bom dia’ para quem diz ‘bom dia’ num chat, por exemplo”, diz Gabriel.

A Rocket.Chat, então, passou a ser utilizada pelos mais diversos grupos: a equipe de campanha de Bernie Sanders para a presidência dos Estados Unidos, o banco americano Citibank, a empresa alemã de transporte ferroviário Deutsche Bahn, um grupo de estudos da Universidade Federal de Santa Catarina, a equipe de desenvolvimento do videogame da Sony PlayStation e a Agência Espacial Brasileira, entre outros.

Nessa fase, pela primeira vez, Gabriel pensou na analogia com a WordPress. “Finalmente percebi as semelhanças. As duas plataformas são de código aberto, podem ser hospedadas onde o usuário quiser, usam a linguagem de programação mais popular da sua época, permitem que o usuário coloque sua logomarca e por aí vai”, afirma. E ressalta a importância de o usuário da Rocket.Chat poder hospedar suas conversas onde quiser: “Ninguém bisbilhota suas conversas, elas são suas”.

MUITAS VEZES, O SUCESSO CHEGA ANTES DO DINHEIRO. O QUE FAZER?

Meses depois, em uma visita a São Francisco, nos Estados Unidos, para contar a história da Rocket.Chat numa talk no escritório da Meteor, Gabriel conheceu Sid Sijbrandij, cofundador do gerenciador de repositório de software GitLab. “De cara, o Sid propôs comprar a Rocket.Chat. Depois disso, fomos a um encontro com eles em Amsterdã, na Holanda, e em outro em Austin, nos Estados Unidos, mas desisti na hora de assinar os papéis da venda. Achei que não era a hora.”

Porém, até então, Gabriel ainda não havia encontrado uma maneira de ganhar dinheiro com a plataforma. “Chegou até a rolar uma vaquinha online para a equipe não parar de programar. Um pessoal a quem eu sou muito grato conseguiu juntar 25 000 dólares para nos ajudar”, conta. “O nosso investimento inicial foi de 200 000 reais, mais ou menos.”

Programador da Rocket.Chat na sede da Agência Espacial Brasileira

Programadores da Rocket.Chat na sede da Agência Espacial Brasileira.

Já no final de 2016, Gabriel começou a conversar com o investidor de risco Harry Weller, a quem foi apresentado por Eliot Horowitz, cofundador do banco de dados mongoDB. Gabriel conheceu Eliot na mesma visita a São Francisco em que conheceu Sid Sijbrandij. “O convite para participar da talk no escritório da Meteor fez tudo acontecer”, diz.

Harry Weller é conhecido por ter investido em empresas como a plataforma de ensino de idiomas Duolingo, o site de comércio eletrônico local Groupon e o próprio mongoDB. “Ele apareceu em todas as edições da Midas List, da revista Forbes, que elege anualmente os melhores investidores de risco do mundo. Eu estava conversando com uma lenda”, conta Gabriel.

Num almoço em Nova York, nos Estados Unidos, Harry ofereceu 5 milhões de dólares por 25% da Rocket.Chat. “Ele escreveu num papel e falou para eu levá-lo para o meu advogado e transformá-lo num contrato. Fundamos a Rocket.Chat, separada da empresa de software de gestão, para receber esse dinheiro.” Este foi o último investimento de Harry, que faleceu um mês depois, em novembro de 2016.

O aporte permitiu com que a Rocket.Chat investisse no desenvolvimento de um novo site e na criação da própria hospedagem. Por causa do investimento, também se tornaram parceiros da Google e participaram do Google Summer of Code, evento que tem como objetivo aumentar a parcela de estudantes que se envolvem com plataformas e softwares de código aberto.

Gabriel conta que só recentemente entendeu o modelo de negócio da startup que criou. “Hoje, você não instala mais um app, mas instala um chatbot, um robô no Skype ou no Facebook, por exemplo, e conversa com ele. A interface mais moderna de todas é também a mais antiga, a conversa”, afirma, e segue:

“Queremos ter a maior loja de bots de todas. Assim, conseguiremos manter nossa  plataforma livre e gratuita”

Um bot é uma aplicação de software que simula ações humanas repetidas vezes de forma padrão. Num jogo de computador, por exemplo, um bot pode ser um adversário com recurso a inteligência artificial.

Por enquanto, a startup ganha dinheiro hospedando conversas para empresas no próprio servidor e fornecendo licenças de suporte para grandes clientes. “Muitas empresas, como as do setor bancário, não têm como usar a plataforma se não existir um contrato”, diz Gabriel. Atualmente, a plataforma fatura 30 000 dólares por mês, conta com a ajuda de 500 desenvolvedores e tem mais de 1 milhão de usuários (e, segundo ele, toda semana chegam cerca de 20 000 novos usuários) igualmente espalhados pelo mundo.

O empreendedor diz que a equipe está confiante com o futuro. E traz um ensinamento de Harry, o investidor que foi tão importante nessa história: “Ele nos ensinou que a jornada para o sucesso não é um sprint, é uma maratona. Tudo bem falhar de vez em quando, o importante é encontrar fôlego para continuar correndo”.

DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Rocket.Chat
  • O que faz: Plataforma de chat de código aberto
  • Sócio(s): Gabriel Engel
  • Sede: Porto Alegre
  • Início das atividades: novembro de 2016
  • Investimento inicial: R$ 200.000
  • Faturamento: US$ 30.000 por mês (em 2017)
  • Contato: contact@rocket.chat e sales@rocket.chat
Veja também:

O Studio dLux formou uma rede de makers para dar conta da demanda por design aberto – que só cresce

- 1 de junho de 2017
Denis, da Studio dLux, conta como seu business amadureceu, e ramificou-se, nos últimos dois anos.

Streaming de música brasileiro, o Superplayer aposta em um chatbot para crescer

- 9 de maio de 2017
Equipe do Superplayer, que usa tecnologia nacional para fazer frente aos gigantes do streaming de música.

Verbete Draft: o que é Singularidade

- 5 de abril de 2017
Parece ficção científica, mas coisas como inteligência artificial e chatbots já fazem parte da nossa vida (imagem: reprodução blog Transhumanity).