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Conheça a Vindi, a startup que nasceu para facilitar cobranças de assinaturas e pagamentos recorrentes

- 17 de novembro de 2014
Rodrigo Dantas, de calça jeans e camiseta, no escritório da empresa que fundou há menos de 2 anos.
Rodrigo Dantas, de calça jeans e camiseta, no escritório da empresa que fundou há menos de 2 anos.

A forma mais fácil de entender como funciona a Vindi, plataforma de gestão de pagamentos recorrentes, é ouvindo a explicação que seu co-fundador, Rodrigo Dantas, 33, dá a um potencial cliente. Neste caso, um dono de estacionamento:

“Todo mês você tem que emitir 300 boletos para seus mensalistas, certo? Depois, olhar 300 vezes no banco para conferir cada pagamento e então emitir 300 notas fiscais. Eu resolvo tudo isso com um software online. Você cadastra seus 300 clientes uma só vez e todo mês esse software emite os boletos, faz a conciliação bancária e emite as notas.”

Simplificar a vida de empresas que vendem planos de assinaturas ou recebem pagamentos mensais de clientes fixos (a chamada economia da recorrência) é o principal atrativo da Vindi. O outro é a diminuição da inadimplência, já que ataca o problema ao automatizar o envio de emails de cobrança, já com um novo link para pagamento. “Quando entramos numa escola, por exemplo, fotografamos o índice de inadimplência. Colocamos o sistema para rodar e mostramos que no primeiro mês um índice que era 10% cai para 7% por causa da automatização da cobrança”, diz Rodrigo.

O DIA EM QUE DOEI 30 GRAVATAS DE SEDA

Cerca de um ano antes de lançar sua startup, Rodrigo vivia o melhor momento de sua carreira no Itaú — em oito anos no banco, era gerente geral de empresas e lidava com meio de pagamentos e relacionamento com o cliente —, quando foi mordido de vez pelo bicho do empreendedorismo. Diferentemente dos dois e-commerce que abrira em paralelo ao trabalho no banco (um deles, vendido com sucesso), Rodrigo decidiu se dedicar em tempo integral a um negócio na área em que dominava. Antes de sair, fez caixa e, assim que pediu demissão, promoveu um ato simbólico: doou 30 gravatas de seda, seus ternos e camisas. Era o fim da etiqueta corporativa.

Adeus, gerência no banco, olá, vida de empreendedor

Adeus, carreira no banco, olá, vida de empreendedor

Luiz Felipe Figueiredo, 36, do NetCartas (plataforma online para jogar buraco e tranca), entrou como sócio investidor na empreitada. Faltava um terceiro e fundamental elemento: o programador. Foi difícil encontrar, e Rodrigo patinou. “As pessoas ou eram muito caras ou não tinham espírito empreendedor”, conta. Nesse momento ele entendeu que faltava, na verdade, um sócio técnico, que encontrou na figura de Adriano Goulart, 42, que trabalhava como gerente de TI em uma empresa.

Era maio de 2013. O primeiro protótipo da plataforma Vindi rodou com quatro empresas piloto, que toparam o teste. No fim de agosto, a startup já tinha dez clientes. Um mês depois, este número dobrou e, ao fim do segundo ano de operação, já são 200 clientes.

“Estreamos no mercado um produto simples e falamos que haveria melhoras ao longo dos meses. Os clientes foram chegando organicamente, sem anúncio. É assim até hoje”

As academias de ginástica chegaram em peso, e hoje correspondem a quase metade (96 entre 200) dos clientes da startup — uma delas, a Esporte Concentração, é considerada um cliente case. O software da Vindi substitui por débito mensal o parcelamento de planos mensais e anuais no cartão de crédito, desonerando o limite tomado pela operadora do cartão. “As academias menores estavam sendo esmagadas por grandes redes, que têm equipe de tecnologia interna e quase não têm inadimplência. Começamos a mudar o mercado porque elas passaram a ter acesso à nossa tecnologia e, os alunos, a não se preocupar com o limite do cartão”, diz Rodrigo.

A Academia Esporte Concentração, no Tatuapé, adotou o débito recorrente da Vindi. Academias representam 50% dos clientes da startup

A Academia Esporte Concentração, no Tatuapé, adotou o débito recorrente da Vindi. Academias representam 50% dos clientes da startup.

Em janeiro deste ano, a Vindi conquistou seu maior cliente, o grupo de academias Bio Ritmo/Smart Fit, um dos gigantes na área. Na ousada negociação, a startup faturou também Wagner Narde, 28, então diretor de TI do grupo e responsável por transformá-lo em um dos maiores cases de recorrência do país. O trio de sociedade da startup tornava-se um quarteto, mas não por muito tempo.

Wagner já pegou o software operando em versão 2.0 — um upgrade fora feito para comportar clientes que não fossem academias, já que não queriam ficar reféns de um segmento. Pouco tempo depois, um quinto sócio, oculto, também entrou no jogo investindo 1 milhão de reais. Com isso, a equipe da Vindi cresceu, eles ganham sede própria (até então, funcionavam junto com o escritório da NetCartas), fizeram eventos de marketing e investiram na operação. No segundo semestre, estreavam a versão 3.0.

“Já tínhamos um produto sólido e um nome forte no mercado. Mas nosso produto nunca está pronto. Perguntamos para alguns clientes do que sentiam falta e no que queriam que melhorássemos. Quem construiu a plataforma 3.0 foram os clientes”

No Brasil, há cerca de 300 mil empresas funcionando na economia da recorrência. De escolas a imobiliárias, passando por estacionamentos, sindicatos, igrejas e até cemitérios. O público alvo da Vindi é grande e inversamente proporcional aos valores que cobra — o objetivo é ganhar na escala. A empresa cobra 199 reais pelo software implantado em uma academia pequena, com média de 200 alunos. O valor sobe para 700 para as de porte médio, e 2 mil reais para grandes. Eles não revelam quanto paga o grupo BioRitmo/Smart Fit.

E-commerce de assinaturas de produtos e serviços estão entre os clientes mais rentáveis da startup (correspondem a 40% do faturamento) e são considerados cases de sucesso. “A Vindi nasceu pra tirar essas ideias do papel. Eles não teriam como fazer a cobrança se não tivessem um serviço como o nosso”, diz Rodrigo. Cerca de 80 clientes da Vindi são empresas que surgiram justamente por causa do software.

De olho neste segmento, Rodrigo criou o Assinaturas Day, um evento para aproximar os empreendedores do mercado de assinaturas aos da economia da recorrência. Na primeira edição, que aconteceu no fim de outubro, 20 convidados trocaram experiências sobre as oportunidades e os desafios do modelo. Para a próxima, dia 3 de dezembro, ele já tem mais de 200 interessados.

Rodrigo participou da Techmission 2014, no Vale do Silício, com outros empreendedores brasileiros.

A ideia do evento Rodrigo trouxe do Vale do Silício, onde passou 14 dias em agosto deste ano, junto com outros 12 empreendedores brasileiros selecionados pelo programa Techmission, da Brazil Innovators, rede de empreendedores digitais fundada pela brasileira Bedy Yang. Lá, conheceu empresas grandes e apresentou a Vindi a investidores com quem fará um follow up ano que vem — em janeiro, Rodrigo volta sozinho à Califórnia.

“Os caras ficaram impressionados como conseguimos fazer um sistema de cobrança funcionar no Brasil. Lá não tem nota fiscal, bitributação, parcelamento, boleto… Explicar que só depois de três dias o valor de um boleto pago está na conta é difícil”, diz o empreendedor.

A Vindi, segundo Rodrigo, hoje é uma referência em recorrência no Brasil. Ele reforça o fato de nunca ter anunciado e diz que se fechasse as portas do comercial ainda assim conquistaria 20 clientes por mês. Isso não seria excesso de confiança? “Estou vendo os concorrentes se mexerem e ainda não atingi o break even, o que acredito conseguir em janeiro do ano que vem. Quando fico pouco confiante, acontece alguma coisa boa. É aproveitar o momento”, diz ele.

Enquanto se concentra em buscar outros grandes contratos, Rodrigo aproveita o estilo de vida de dono de startup: não há hierarquia, cada um faz seu próprio café e se veste como quiser. No caso dele, jeans, camiseta e tênis.

draft card vindi

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