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De endividada a especialista em finanças: a história de Patrícia Lages

- 6 de novembro de 2017
"Quando alguém que nunca deveu se vê endividada, a primeira coisa que aparece é o desespero, seguido de uma vergonha enorme."
"Quando alguém que nunca deveu se vê endividada, a primeira coisa que aparece é o desespero, seguido de uma vergonha enorme."

 

A jornalista Patrícia Lages sabe, por experiência pessoal, a angústia que é perder o controle da própria vida financeira, ficar sem saber o que fazer e sem perspectiva. Arriscou-se como empreendedora, mas despreparada para gerir o negócio, ficou endividada. Desesperada ela resolveu virar esse jogo e aprendeu que é possível, sim, dar a volta por cima. “Eu mesma, pensei que ia ser uma eterna devedora. Até que eu resolvi encarar o problema, me organizar e sair daquela situação”. Os aprendizados foram tantos e tão importantes que Patrícia se tornou uma especialista em finanças, e compartilha tudo o que aprendeu para ajudar outras pessoas.

Confira o bate-papo com essa expert que sentiu na própria pele o desespero de viver endividada!

Como você se tornou empreendedora?

Ter meu próprio negócio foi um dos meus primeiros sonhos, desde o ensino médio, quando estudava administração. Eu me saia muito bem em todas as matérias e achava que já era suficiente para colocar a mão na massa e trabalhar no que é meu. Depois que entrei no mercado de trabalho, vi o quanto a experiência era importante e que eu não tinha nenhuma e, por isso, fui construir minha carreira. Depois de quase 12 anos atuando em comunicação, achei que já tinha experiência suficiente para “não receber mais ordens de ninguém” e “parar de ganhar dinheiro para os outros” (pensamentos que movem muitas empreendedoras, mas não são as melhores razões para empreender!). Quando avistei uma oportunidade de ter meu negócio mergulhei de cabeça e larguei tudo para investir no sonho, mas ele virou pesadelo em questão de 9 meses.

Qual foi o negócio?

Assumi uma loja atacadista de lingerie em um shopping no bairro do Brás, zona comercial de São Paulo. As sócias se desentenderam e simplesmente me entregaram uma loja montada, com toda estrutura e uma carteira de clientes muito interessante. Parecia a fórmula do sucesso total, mas não foi… A verdade é que mesmo que tenhamos tudo para dar certo, se não tivermos espírito empreendedor, conhecimento do mercado e um plano de negócio, a situação pode passar de sonho para pesadelo num piscar de olhos!

Você se sentia preparada para ser empreendedora?

Eu achava que estava preparada, pois subestimava o que é ter um negócio. Eu não sabia que tudo dependia de mim, pensava que minhas funcionárias eram pagas para resolver todos os problemas e que a mim cabia apenas “fazer o que os donos fazem”. Só que eu não tinha a menor ideia do que um empreendedor, dono de seu primeiro negócio, deveria fazer. Resumindo: eu só achava que estava preparada porque não sabia o que era realmente ter um negócio.

Como você percebeu que a loja não ia bem?

Como comentei, a proposta para ficar com a loja foi irrecusável, e no primeiro mês já entrou muito dinheiro. Fiquei empolgada, pensei que estava rica e saí gastando. Levou um tempo para eu perceber que aquele dinheiro todo não era meu. Foi aí que eu caí na real e percebi que eu não sabia administrar um negócio. Os sinais daquela falta de controle financeiro foram aparecendo. Eu já devia para fábricas, brancos, cartões de crédito, aluguel, comissão das funcionárias, salários, e cheguei a ter meu nome protestado em todos os cartórios de SP. O tempo todo os credores ligavam cobrando, e eu não tinha como pagar. Mas o pior momento foi saber que eu podia perder a casa da minha mãe, porque ela era a minha fiadora.

O que você sentiu nesta fase?

É difícil estar por cima, morar em uma casa razoável, ter um carro esportivo zero quilômetro, bom salário etc. e, em questão de meses não conseguir pagar a conta de água e ter que juntar moedas para uma passagem de ônibus. Quando alguém que nunca deveu se vê endividada, a primeira coisa que aparece é o desespero, seguido de uma vergonha enorme. Como pude entrar nessa? Como pude ser tão ingênua? Como não me dei conta de que essa conta jamais iria fechar? Isso me causava muita tristeza, vergonha, sensação de impotência, fracasso e uma vontade enorme de simplesmente sumir. Mas o que me deu força para deixar esses sentimentos de lado foi a revolta. Quando me revoltei contra a situação (não mais contra mim e nem contra as pessoas), coloquei todas as minhas forças em resolver e não mais em buscar culpados ou justificativas. A revolta foi minha grande aliada.

Qual o ponto frágil que fez o negócio não ir tão bem?

Em primeiro lugar o meu despreparo. Durante o período em que liderei equipes em uma empresa, como funcionária, eu me concentrava em fazer o meu trabalho, sem me preocupar com planejamento estratégicovendas, faturamento, estoque, etc, pois havia pessoas para isso. Achei que ao empreender poderia agir da mesma forma. Ou seja, na gestão do meu negócio, continuei “esperando alguém fazer” o que não havia ninguém para fazer. Além disso, eu não tinha capital inicial suficiente para começar e dependia demais de vender para poder pagar os fornecedores. Era aquela história: comprava a prazo – sem dinheiro – dependendo de vender com lucro suficiente para pagar o fornecedor e todas as demais despesas. Tudo isso sem um planejamento financeiro, sem um plano de negócio e sem estratégia de venda. Todos esses erros fizeram o negócio afundar rapidamente.

Como de ex-endividada você deu uma virada na vida?

A virada só aconteceu quando parei de questionar o que fiz no passado e comecei a traçar estratégias para o futuro. Percebi que, diante de uma dívida impagável, não iria adiantar ser apenas forte, mas eu teria que ser mais forte. Fiz um levantamento detalhado de cada dívida, anotei os valores, as taxas de juros, os impostos pendentes, tudo. Enfrentei cada um dos credores de frente, sendo bem realista quanto à dívida e deixando claro que, apesar de não saber como, eu iria pagar um por um. Comecei a buscar formas de levantar dinheiro onde parecia não haver nada: peguei meu estoque e comecei a vender no varejo, indo a empresas, oferecendo a quem me aparecesse pela frente. Virei uma espécie de sacoleira sem me incomodar com a opinião dos outros, pois eu estava focada em pagar o que devia e nada iria me tirar o foco. Cada dinheiro que recebia tratava de pagar uma conta, ainda que fossem 50 ou 100 reais. Negociei os móveis da loja, os manequins, os cabides, tudo virou dinheiro e tudo foi sendo investido em pagar quem aceitava minhas propostas de negociação. Quem não aceitava ia para o final da fila! Onze meses e vinte dias depois dessa maratona estafante minhas dívidas (de mais de 150 mil dólares) estavam quitadas.

Se pudesse voltar no tempo, o que teria feito de diferente?

Teria me preparado para empreender, teria respeitado o mercado e suas regras e não teria sido tão negligente em me achar superpreparada. Teria reunido capital, feito um plano de negócio, estudado o mercado, enfim, teria feito o que fiz anos mais tarde e que me assegurou ser uma empreendedora de sucesso. Todas as angústias que passei sozinha me fizeram pensar nas mulheres que vivem o mesmo que vivi e não sabem o que fazer. Por isso, parte do meu trabalho hoje é ajudá-las para que não tenham que passar por tudo o que passei.

Compartilhando sua experiência, você conheceu outras pessoas que passaram por essa situação também. Tem alguma história de empreendedoras que gostaria de compartilhar?

Lembro-me de uma senhora de Jundiaí, que me parou depois de uma palestra, e simplesmente me cercou, dizendo que eu não podia voltar para São Paulo sem falar com ela. Tinha uma fila de pessoas, mas ela não se importou, disse que ia ficar para o final porque o assunto ia demorar. Ela estava toda endividada, apesar de o marido ter um bom salário e ela ter uma gráfica que funcionava quase 24 horas por dia. Sem muita cerimônia ela disse: “Olha, eu vou largar tudo, não aguento mais! Me fale o que eu tenho que fazer porque eu já me cansei de trabalhar feito uma condenada e viver endividada!” Perguntei como era a sua rotina de trabalho e ela não soube dizer nada mais do que “é uma baderna!”. Perguntei quanto ela faturava por mês e ela não sabia. Também nunca soube quanto lucrava e se seus preços estavam de acordo com os praticados no mercado. Respondi com uma palavra: organização. Se você não se organizar você vai trabalhar cada vez mais e ter cada vez menos dinheiro. Ela começou a ver uma luz no fim do túnel e disse: “vou me organizar! Não vou mais ser bagunçada, vou ser meu departamento financeiro, vou cobrar quem me deve, vou parar de reclamar e trabalhar de verdade!” Ou seja, eu não resolvi o problema dela, pois foi ela mesma quem concluiu que estava fazendo tudo errado, trocando os pés pelas mãos, trabalhando sem objetivos reais. Depois de um tempo recebi notícias de que ela estava muito bem, participando de congressos semanalmente e aprendendo a empreender.

Como se vê, equilibrar as contas e viver com mais tranquilidade é possível, sim. E você, também quer assumir as rédeas da sua vida financeira? Então confira o curso gratuito “Saia do vermelho – soluções para equilibrar seu orçamento e realizar seus sonhos” . Ali, Patrícia Lages ensina os oito passos, simples e práticos, para você assumir as rédeas da sua vida financeira, poupar e até conseguir uma renda extra!

 

Esta matéria pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

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