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Diante da restrição alimentar, ela passou a excluir ingredientes para incluir pessoas

- 6 de outubro de 2017
Adriana Fernandes, fundadora da Mandala Comidas Especiais, em sua cozinha industrial de alimentos ultracongelados.
Adriana Fernandes, fundadora da Mandala Comidas Especiais, em sua cozinha industrial de alimentos ultracongelados.

 

Formada em televisão, Adriana Fernandes trabalhou como Gerente de Comunicação em grandes empresas, dirigiu e produziu programas infanto-juvenis em emissoras de televisão e escreveu livros nesse segmento. “Gastronomia era meu hobby e uma ideia longínqua de empreendimento para o futuro”, conta.

Até que a vida deu uma volta de 180 graus e ela colocou seu plano B em ação e criou a Mandala Comidas Especiais.

Uma das 30 selecionadas para participar da primeira turma do programa “Aceleração Itaú Mulher Empreendedora”, Adriana compartilha sua história!

Como surgiu a ideia de montar a Mandala Comidas Especiais?

Quando meu segundo filho completou um mês de vida descobrimos que ele era alérgico alimentar múltiplo. Ou seja, seu corpo dele não conseguia processar as proteínas de diversos alimentos que passavam pelo leite materno. Precisei fazer uma dieta com restrição de diversos alimentos que causavam alergias nele. Sabe-se que há 8 alimentos que causam 90% das alergias alimentares no mundo. Comecei cortando esses: leite, ovos, soja, trigo, amendoim, castanhas, peixes e crustáceos. Foram 14 meses de amamentação e dieta, e era praticamente impossível encontrar pratos prontos sem tantos ingredientes. Tudo precisava ser feito em casa. Percebi aí uma oportunidade: eu gostava de cozinhar e decidi pegar 20 anos de economia e montar um negócio formal que pudesse crescer em escala e prosperar.

Como funciona a empresa?

Somos uma cozinha industrial de alimentos ultracongelados, com loja de fábrica e e-commerce. Tudo o que produzimos na cozinha é livre dos ingredientes que rastreamos: castanhas, crustáceos, leites (inclusive lactose e caseína), ovos, trigo, glúten temperos prontos, produtos transgênicos, glutamato monossódico, aromatizantes e corantes artificiais, entre outros.

Tanto no varejo como no corporativo temos 2 tipos de clientes: os que precisam comer sem glúten e alergênicos (pois são celíacos, alérgicos, intolerantes) e os que preferem comer sem glúten, leite, ovos (veganos, fit, quem quer comer saudável). Cerca de 65% dos nossos produtos são veganos.

Hoje fazemos private label, ou seja, produtos sem glúten e alergênicos feitos pela Mandala, mas vendidos com a marca de outras empresas.

E atendemos clientes finais (varejo) na cidade de SP e grande São Paulo.

Temos um braço corporativo onde atendemos hospitais: somos o principal fornecedor de refeições e lanches para celíacos, alérgicos e intolerantes, em todas as unidades do Hospital Israelita Albert Einstein. Atendemos ainda Sírio-Libanês, Infantil Sabará, Samaritano de São Paulo, São Luiz, Beneficência Portuguesa. Também atendemos companhias aéreas, escolas, hotéis, buffets, etc.

Quais estratégias têm dado melhor resultado nesta trajetória?

Acho que a estratégia é rever produtos e caminhos a cada três meses em reunião de planejamento estratégico. Sempre olhamos negócios e ideias no ramo de alimentação, avaliamos nossas vendas, e ajustamos o curso.
Em 2016 o chocotone vegano sem glúten, por exemplo, ampliou nossa atuação junto ao público vegano e começamos a nos dedicar mais na comunicação com esse segmento.
Testamos agora kits de marmitas a preços acessíveis e em dois meses já se tornou nosso maior faturamento.

Por outro lado, quais caminhos foram deixados de lado?

Tentamos vender por meio de revendedores e vimos que para nosso tipo de produto era inviável. Nossos insumos são muito caros, nosso custo fixo ainda é muito alto, apertávamos de modo irreal nossas margens, e ainda assim, o que sobrava para nosso revendedor era pouco. Era um negócio ruim para eles e péssimo para nós.
Logo vimos também que, ao menos por hora, pelos mesmos motivos, nosso produto não se adequa a venda em supermercados. Não temos como atender as exigências financeiras padrões desse segmento.
Então estamos nos focando em criar nossos próprios canais de vendas, como o nosso e-commerce que entrou no ar em julho deste ano aumentando nosso faturamento.

Como você imagina que a Mandala impacte a vida das pessoas?

A Mandala, como empresa, impacta seu meio ambiente ao priorizar a contratação de mães e mulheres refugiadas. Impacta por rejeitar preconceitos, seja em relação à etnia, orientação sexual, identidade de gênero, religião ou origem.
Impacta por optar em pagar acima do piso e fornecer um plano de saúde de qualidade à equipe.
Para o meio ambiente, temos políticas adotadas de aproveitamento total dos alimentos, descarte correto para reciclagem total na cozinha e no escritório (inclusive com descarte especializado para lâmpadas, tonners e eletrônicos) e utilização de produtos de limpeza certificados biodegradáveis.
Já o impacto na vida do nosso cliente é enorme e muito emotivo: uma criança que agora tem um bolinho para levar na lancheira, um adulto que há 10 anos não comia uma coxinha e agora pode, uma mãe que amamenta um bebê alérgico e agora só tira uma marmita do freezer e aquece, para alimentá-lo.

 

Na entrevista, Adriana ainda compartilha como conseguiu fornecer para grandes empresas, conta de que forma o pioneirismo da Mandala tem contribuído para o crescimento do negócio e quais estratégias ela vem adotando para superar os desafios que surgem no caminho. Para saber tudo isso e muito mais, confira a entrevista completa no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

 

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