SPONSORS:

Disparidade de gênero: por que as mulheres precisam aprender a investir mais (e melhor)

- 31 de outubro de 2017
Brenda Martins, gerente de compliance da Easynvest: investindo no futuro das filhas
Brenda Martins, gerente de compliance da Easynvest: investindo no futuro das filhas

 

“Delargar”. O neologismo, ao mesmo tempo irreverente e de precisão cirúrgica, é aplicado pela consultora Denise Damiani para definir a negligência com que a grande maioria das mulheres no país ainda levam as suas vidas financeiras – delegando e largando o controle delas nas mãos dos outros.

“No Brasil de quem tem investimentos, somente 4% dos CPFs são de mulheres. Talvez existam as que investem com o CPF do marido ou de outro homem, o que é lamentável. De qualquer forma, a porcentagem é muito baixa. As mulheres, por acharem que não sabem nada a respeito de investir, acabam ‘delargando’ este assunto a outra pessoa e não tomam as rédeas nas próprias mãos.”

Segundo o IBGE, em 2015 a renda média das mulheres equivalia a 75,6% da renda dos homens no país. A diferença diminuiu 5,5 pontos percentuais em uma década, mas persiste como um estatística cruel e anacrônica, além de um entrave a mais à conquista da independência financeira feminina. Autora do livro Ganhar, Gastar, Investir – O Livro do Dinheiro Para Mulheres (com Cynthia de Almeida), lançado em 2016 pela editora Sextante, Denise intuiu de forma muito nítida, ainda na infância, a importância do dinheiro para construir a liberdade que ela queria da vida.

“Comecei a trabalhar muito menina ainda. Fazia tricô e vendia, ajudava os vizinhos com lição de casa. Guardava o dinheiro em cofrinho. Depois, quando o valor era maior, trocava em dólar e guardava numa caixinha de sapatos.” Aos 12 anos, com ajuda da mãe, abriu uma caderneta de poupança. “Até hoje me lembro da entrada na agência da Haspa com minhas moedas e dinheiro. Sair de lá com um caderninho com meu nome foi o máximo. Anotava todos os meses o depósito e o saldo.”

Na hora de escolher carreira, Denise priorizou o lado financeiro para desbravar um terreno tradicionalmente masculino, seguindo o curso de engenharia de sistemas digitais. Criou uma empresa de software que desenvolveu uma plataforma de home banking e atendeu dezenas de bancos antes de ser vendida, ainda nos anos 1990. Mais tarde, foi também a primeira mulher a chegar a sócia da Accenture na América Latina, onde ficou 13 anos (incluindo três anos e meio no México em que ela voltava todo fim de semana para estar com os filhos, que permaneceram no Brasil).

Instigada pela disparidade de gênero no topo da pirâmide corporativa, Denise dera início a uma série de entrevistas com centenas de mulheres para entender seus anseios e receios profissionais. Sua trajetória de superexecutiva sofreu um desvio de rota quando um episódio bizarro (ser atropelada por um búfalo em Nova Délhi, como ela conta numa palestra TEDx) gerou a decisão epifânica de montar a própria empresa, dando consultoria a grandes clientes e dedicando parte do tempo a ajudar o público feminino na condução do trabalho e da vida financeira, por meio de uma metodologia que propõe um olhar integrado entre ganhar, gastar e investir.

Destes três pilares, qual as mulheres menos priorizam? “Cada uma descuida de um deles. Há as que não sabem ganhar. Não pedem aumento, têm medo de cobrar, não sabem negociar, têm medo de vender. Há as que gastam muito, ajudam filhos, pais, família e estão sempre prontas a pagar algo para os outros. E quase 100% delas não sabe nada de investimento”, diz Denise. “Acho que aqui mora o pior desempenho das mulheres, pois como elas não sabem investir, às vezes desistem de ganhar mais e gastar menos por não saber o que fazer com o que sobra.”

Para alavancar e alimentar esse debate sobre a relação das mulheres com o dinheiro, a Easynvest lançou em outubro uma campanha nas suas redes recheada de conteúdos especiais, notícias e dicas de carreira, investimentos e organização financeira dirigidas a mulheres, culminando numa live descontraída transmitida na quinta, 26, que reuniu Denise, a digital influencer Karol Pinheiro e a jornalista e palestrante Fabiana Scaranzi.

A revolução interna em curso na Easy (que em dois anos multiplicou por seis o seu número de clientes – e, em junho de 2017, foi apontada como uma das 250 fintechs mais promissoras do planeta pela CB Insights) ecoa diretamente na sua força de trabalho. Desde 2012, o time saltou de 40 para 230 colaboradores. Noventa por cento dessa equipe atual chegou há um ano e meio ou menos. E as mulheres vêm com tudo nessa nova composição:

“Hoje nós temos 42% da empresa formados por mulheres. Em cargo de gerente, chega a 50%”, diz Brenda Martins, gerente de compliance. Natural de Salvador, na Easy desde julho de 2015, ela já é uma das veteranas, além de uma testemunha do quanto a corretora abriu-se às mulheres nos últimos anos: “Quando eu entrei, era a única mulher em cargo de gestão, e por um tempo foi assim. Aí, foram entrando ‘novas parceiras’. Era um mundo estritamente masculino, agora está bem pulverizado isso.”

Assim como Denise, Brenda também precisou superar barreiras em segmentos onde a presença feminina ainda é reduzida. Cursou administração, atraída pela efervescência da Bolsa de Valores, e entre 2011 e 2014 trabalhou na área de auditoria da BM&FBovespa. Mas, diferentemente de Denise, Brenda costumava ter uma relação mais perdulária com suas finanças. “Vou ser bem sincera: sempre fui bem ‘gastona’. Quando pequena, nunca fui de guardar dinheiro. Sempre gastei com viagens, com sapatos, roupas…”

Com ou sem filhos, pensar e investir no futuro é importante. No caso da Brenda, a maternidade funcionou de fato como o gatilho que disparou sua vida de investidora. “Minha vontade de investir surgiu a partir do momento que eu tive a minha primeira filha. Porque até então o que eu ganhava era pra mim, não costumava investir muito”, diz Brenda, mãe de duas meninas, uma de quatro e outra de um aninho.

“As duas já têm contas abertas aqui na Easynvest. Fazemos investimentos em que o resgate é lá na frente, como no Tesouro Direto e em alguns ativos de Renda Fixa. Aí, no momento do resgate, a gente reinveste. A ideia é que, quando elas atingirem a maioridade, tenham o dinheiro para resgatar e optarem ou por dar entrada numa casa, ou investir nos estudos…”

Mesmo com o background profissional no mercado financeiro, Brenda admite que antes só investia na poupança. Até começar a trabalhar na Easy. “Aí eu fui ter acesso aos outros tipos de investimento e conhecer mais, ter essa ciência de que o tesouro direto e a renda fixa privada são muito mais rentáveis que a poupança e possui tickets médios abertos para qualquer público, e que não é nada impossível.”

Poupança e previdência são mesmo as aplicações mais recorrentes entre as mulheres, confirma Denise. “Elas pensam que são conservadoras, mas na verdade são é paralisadas de medo”, crava a consultora, contrapondo como exemplo os seus próprios investimentos: “Eu tenho muitas ações, muitos fundos multimercado, alguma renda fixa, um pouco de fundo imobiliário e também invisto em imóveis: construo para vender.”

A consultora reforça que para investir ninguém precisa ser um gênio (ou gênia) da matemática: basta saber somar, subtrair, entender um pouco de porcentagem e absorver alguns conceitos essenciais. O fundamental é começar – esse é o apelo que ela faz às mulheres que ainda não investem:

“Comece. Comece. Comece por favor! Não delegue a ninguém, você mesma é capaz de cuidar de você. Converse com muita gente perguntando o que elas fazem de investimento. Aprenda o básico: saber o que é rentabilidade, liquidez, volatilidade é o mínimo. Se você não entender o que é a aplicação, não aplique. Converse até entender. Olhe o resultado da aplicação todo mês. Modifique o que não estiver bom uma vez ao ano.”

E aí? Pronta para tomar as rédeas financeiras da sua vida? Então abra a sua conta na Easynvest!

Banner Easynvest rodapé

Veja também:

Com um chatbot e uma plataforma digital, o Warren quer transformar os millennials em investidores

- 15 de agosto de 2017
O CEO da Warren, Tito Gusmão sempre foi apaixonado por investimentos e acredita que todo mundo pode aprender a investir.

“Nada é mais nocivo que o preconceito que a gente não vê, que está no dia a dia, nas pequenas coisas”

- 15 de junho de 2017
Luciana Sato conta como achava que tudo ia bem na sua vida até perceber como o machismo e o preconceito são inconscientes, cruéis. Começou, então, a se mexer, se reencontrar, se reconectar.