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Doação de sangue é essencial no tratamento oncológico, explica Simone Mozzilli, da ONG Beaba

- 12 de dezembro de 2016
Simone, em congresso sobre oncologia pediátrica na África do Sul (foto: Instagram/Beaba)
Simone, em congresso sobre oncologia pediátrica na África do Sul (foto: Instagram/Beaba)

 

 

Hoje, a publicitária Simone Mozzilli, 36 anos, leva uma rotina de executiva. Com a agenda cheia, ela é requisitada para falar em palestras e seminários, ao mesmo tempo em que preside uma ONG com cerca de 50 colaboradores ativos. No meio da correria, que inclui visitas a crianças em hospitais e outros trabalhos voluntários, ela ainda encontra tempo para fazer uma pausa e refletir sobre os acontecimentos dos últimos anos, discutir a importância da doação de sangue no tratamento oncológico, e explicar em detalhes alguns mecanismos da doença.

Simone fundou a Beaba em 2013, uma organização que busca melhorar a comunicação de conceitos relacionados à oncologia ao público infantil. Ela também faz campanhas pela doação de sangue e busca espalhar informação sobre a doença de maneira geral. A publicitária já fazia trabalho voluntário junto a crianças com câncer desde 2006. Em 2011, ela própria foi diagnosticada com a doença em estágio avançado de desenvolvimento. Começava aí uma batalha de superação que resultaria também em insights sobre o universo dos pacientes e os obstáculos enfrentados por eles.

Enquanto Simone mergulhava no tratamento, ela começou a observar uma lacuna na comunicação entre pais, médicos, e as crianças que passavam pelo tratamento. Isso porque os termos e conceitos particulares a esse campo são complicados, pouco usados na rotina fora do hospital. Ela notou que muitas crianças não compreendiam a situação pela qual passavam. “Há pais que não falam que elas estão com câncer. Dizem que elas têm um ‘bichinho’. Mas, se o tratamento for longo, elas crescem e passam a desacreditar neles e nos médicos”, diz Simone.

A doação de sangue ocupa um papel importante nessa história, e a publicitária explica as diversas situações em que uma transfusão pode ser necessária. “Quem faz o tratamento pode precisar em várias etapas”, diz Simone. “Em uma cirurgia, por exemplo, para repor o sangue perdido.”

Durante a quimioterapia, a transfusão também pode ser necessária. “Nessa situação, o paciente recebe um medicamento no sangue para matar as células cancerígenas. Mas, muitas vezes, esse remédio não consegue distinguir e acaba por destruir toda célula que se duplica rapidamente, como as da medula óssea, por exemplo”, diz Simone. “Então, a quimioterapia afeta a produção de sangue. A pessoa fica com níveis baixos de plaquetas, e como sangue é um elemento que não se produz em laboratório, a doação é super importante.”

Ela explica que, além da medula, células capilares e do sistema gastrointestinal também são afetadas pela maior parte das drogas quimioterápicas, pois se duplicam rapidamente. É por isso que os pacientes em tratamento podem ter queda de cabelo, feridas na boca e enjoos. “Muita gente fala que isso acontece porque o remédio [quimioterápico] é forte. Aí a criança escuta isso, vai na farmácia, e se a mãe falar para ela que qualquer outro remédio é forte, ela fica desesperada, achando que também vai fazer o cabelo dela cair.” Essa visão sensível à perspectiva infantil é a que, por meio da Beaba, em conversas e palestras, Simone busca espalhar.

“Na medida em que as pessoas se informam e entendem como o processo funciona, elas se engajam no tratamento. Como explicar para uma criança que durante esse período ela vai se sentir mal? Quando ela entende que aqueles efeitos são causados pelo remédio, ela percebe que ao menos são sinais de que ele está funcionando.”

Outro caso em que a transfusão de sangue se faz necessária durante um tratamento oncológico é no transplante de medula, explica Simone. “É muito importante. Na leucemia, você precisa ‘acabar’ com a produção de sangue com problema e, para isso, o paciente passa por uma quimioterapia muito forte, que mata a medula. Depois, ele recebe uma bolsa de sangue do doador da medula pois, depois do transplante, ainda levam alguns dias até que a produção recomece. Nesse período, o paciente precisa receber transfusão direto.”

Um dos principais frutos da Beaba é um guia ilustrado com 180 páginas no qual são explicados termos de maneira acessível, para ajudar as crianças a entender o que está acontecendo com elas. Simone salienta a importância das ilustrações, leves e coloridas, em contraste com as imagens disponíveis na maioria dos sites da internet. Nos esforços de tornar essa comunicação ainda mais lúdica, a Beaba acaba de lançar um game para smartphones. O intuito é o mesmo: ajudar a espalhar informação de qualidade e ampliar a consciência dos pequenos por meio de uma linguagem acessível. Além disso, a ONG ainda organiza campanhas de doação de sangue, visitas a hospitais… Hoje, Simone Mozzilli leva uma rotina de executiva. Ou, colocando de outra forma, uma rotina de super-heroína das crianças.

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