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Em três anos, a Giral reestruturou seus serviços para manter o propósito de gerir investimentos sociais

- 7 de setembro de 2017
Diogo Vallim, Fernando Assad e Mateus Mendonça, da Giral. Com o tempo, a empresa se moldou a novas exigências do mercado — e ao amadurecimento da relação entre os sócios.
Diogo Vallim, Fernando Assad e Mateus Mendonça, da Giral. Com o tempo, a empresa se moldou a novas exigências do mercado — e ao amadurecimento da relação entre os sócios (foto: Luís Simione).

Há três anos, contamos a história da Giral, uma consultoria que ajuda grandes empresas e o setor público a gerir investimentos sociais com eficiência. A vocação do negócio permanece a mesma, mas muita coisa mudou desde então: da composição societária até a estruturação dos serviços. Hoje, a Giral tem três eixos de atuação intimamente ligados à trajetória e aos interesses pessoais dos atuais sócios Diogo Vallim, Fernando Assad e Mateus Mendonça: inteligência de recursos (inclui os projetos de reciclagem, que seguem sendo a maior parte do faturamento), governança intersetorial e negócios de impacto. “Muitas vezes, os projetos circulam entre esses eixos. Não queremos encaixotar as coisas, mas facilitar o entendimento do cliente perante os nossos serviços”, diz Mateus.

A história da Giral foi uma das primeiras a ser contada no Draft, em setembro de 2014 (clique no link para ler a reportagem).

A história da Giral foi uma das primeiras a ser contada no Draft, em setembro de 2014 (clique no link para ler a reportagem).

Ao longo do tempo, a dinâmica da empresa teve de se adaptar aos movimentos internos dos sócios. De setembro de 2014, quando a reportagem foi publicada, até agora, alguns episódios foram determinantes para encaminhar essas mudanças.

A sócia Carolina Rolim foi morar em Alto Paraíso (GO) e deixou a Giral. Diogo se ausentou por um ano para estudar administração pública na Inglaterra. Mateus criou o coworking Viveiro, uma spin-off da Giral, e se tornou sócio de um café. Por sua vez, Fernando empreende também no Programa Vivenda, um negócio social de reformas habitacionais de baixo custo. Tanto o Viveiro, quanto a Vivenda contaram com o expertise e com o apoio financeiro da Giral, por meio de um fundo de investimento que a empresa mantém justamente para empreendimentos criados internamente ou não.

Mas essa movimentação não prejudicou o negócio. Com uma nova sede, na mesma Vila Madalena, em São Paulo, o negócio vem crescendo ano a ano. Atualmente, tem 10 empregados e 5 prestadores de serviço. Sem em 2014 o faturamento foi de 2 milhões de reais, em 2016 a conta fechou em 2,8 milhões. Este ano, até o momento, o faturamento é de 1,8 milhão de reais.

Diogo conta como foi esse ajuste da relação entre os sócios e suas respectivas responsabilidades dentro do negócio. “Descobrimos que cada um de nós precisava ter o seu quinhão. Para isso, investimos energia em pesquisar outras coisas que nos interessam. Mateus está focado em ter produtos de consultoria, em ter uma equipe grande, produtos de prateleira. Eu gosto de ficar sentado com o funcionário público, então eu não tenho grandes equipes, mas consultores que acesso quando preciso”, diz, e prossegue:

“Vemos as coisas de maneiras muito diferentes e tivemos que criar regras muito coesas de colaboração. Temos padrões de gestão financeira estritos, uma política bem definida sobre quem toca qual projeto. E fundamentalmente somos brothers”

 

Para Mateus, o eixo de inteligência de recursos nasceu da maturidade da atuação da Giral em projetos de reciclagem e de economia circular. Hoje, a Giral tem parceria com mais de 80 cooperativas, mais de 4 mil cooperados, atua em 13 estados e faz a gestão de seis projetos de logística reversa. Seguem com grandes clientes como Via Varejo (Programa Reviva), Diageo (Glass is Good) e eles conquistaram alguns outros, como a Braskem (Ser + Realizador).

FORTALECER COOPERATIVAS É PARTE DO NEGÓCIO

Entre os serviços oferecidos pela empresa estão o diagnóstico das cooperativas (identificando seu grau de maturidade quanto a aspectos legais, operacionais, financeiros e sociais). Um dos papéis da Giral é promover a contratação delas junto a grandes empresas e o setor público, de forma a gerar valor para todas as partes. Um bom exemplo disso é o programa Reviva, da Via Varejo, que nasceu na esteira da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em agosto de 2014 (a saber: é a lei que obriga as indústrias a se responsabilizarem pelos resíduos que geram, quase sempre investindo em programas de reciclagem).

Mateus (à frente) no coworking Viveiro, uma spin-off. Para se fortalecer, a Giral acolheu as vocações de cada sócio (foto: Luís Simione).

Mateus (à frente) na Giral, na Vila Madalena (foto: Luís Simione).

A partir do diagnóstico inicial do programa de reciclagem e logística reversa da Via Varejo, a Giral apresentou dois modelos para a gestão do Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos da empresa, sendo que um deles previa a contratação de uma cooperativa de recicláveis, que acabou sendo adotado. A parceria inédita está se mostrando o melhor modelo dos pontos de vista econômico, produtivo e social, e já tem planos para operar em escala nacional. Por enquanto, o programa inclui 45 catadores da Cooper Viva Bem, em São Paulo, que são responsáveis por separar, prensar e comercializar o material coletado pela Via Varejo.

Deste trabalho, que está sendo desenvolvido há dois anos, surgiu a necessidade de criar um braço educacional voltado às cooperativas. Foi assim que nasceu o Reciclab, um laboratório de práticas em reciclagem inclusiva, como conta Mateus: “É uma plataforma educacional aprimorada com a participação direta de cooperativas de catadores. Os conteúdos giram em torno de 16 aprendizagens para garantir uma boa gestão, governança e retorno financeiro para elas”.

UM PÉ NO SETOR PÚBLICO

A atuação da Giral em projetos que preveem a colaboração entre governos, empresas e sociedade civil é recente e acontece muito em função dos esforços de Diogo, que tem mestrado em administração pública e pretende fazer um doutorado na área. Ele, que em determinado momento chegou a trabalhar como gerente de projetos para uma outra empresa, conta que houve dúvidas se este seria um braço da Giral, ou um empreendimento a parte. “Fico satisfeito por ter achado esse caminho de governança e gestão pública como consultoria. Esse mercado de consultorias para poder público é bem estruturado, é competitivo, mas estamos entrando nele”, diz.

Entre os clientes está o Instituto Natura, para o qual a Giral oferece consultoria técnica em um programa junto a gestores municipais de educação em Benevides (PA) e Cajamar (SP), municípios onde ficam as fábricas da Natura. O objetivo é capacitar esses gestores para que eles façam o monitoramento das metas previstas nos Planos Municipais de Educação. Diogo observa que nos últimos anos houve uma mudança no cenário de investimento social privado:

“As empresas estão mais dispostas a atuar junto ao poder público e os investimentos estão mais criteriosos. Queremos ampliar nossa atuação neste universo”

Fernando fala mais sobre o tema: “Estruturar organizações e grupos produtivos que unissem geração de valor econômico e social sempre foi uma agenda da Giral, faz parte da nossa essência e sempre estivemos muito próximos a esse debate”. Além do mestrado em administração com foco em negócios sociais, ele tem a vivência mão na massa como sócio da Vivenda, que por sinal nasceu de um projeto de consultoria da Giral. “A Vivenda surgiu de um insight que virou um negócio. Essa é a batida do bumbo, tanto para dentro como para fora. Não queremos apenas atender as demandas dos clientes, mas juntos explorar oportunidades inovadoras e empreendedoras, para aumentar impacto e gerar mais valor”, afirma.

O objetivo é usar todo o conhecimento acumulado do ecossistema de impacto, ou seja, as experiências em estruturação de negócios, relações com aceleradoras, financiadoras, corporações e organizações do terceiro setor, para ampliar a atuação da Giral no segmento. Em maio deste ano, eles foram contratados pela CPFL Renováveis para apoiar a estruturação de grupos produtivos da cadeia do mel em alguns municípios no Rio Grande do Norte. Ou seja: para orquestrar a logística, financiamento e o acesso a mercados a fim de viabilizar o negócio do mel na região.

Para Fernando, o futuro da Giral está na inovação e no empreendedorismo. “Estamos em um processo de transição. Adoraria ter uma empresa onde todos os funcionários fossem imersos na lógica empreendedora. Acredito que já estamos nessa direção, embora haja ainda um longo caminho”, diz, e prossegue: “Quero que a gente se coloque cada vez mais no risco. Se a gente acredita e defende o projeto, então queremos entrar junto. É isso que nos diferencia como consultoria”.

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