Conheça a Grimpa xd e o design de experiência – onde o planejamento quer sair do papel e virar produtos e serviços de verdade

- 23 de setembro de 2014
A Grimpa xd, prestes a completar dois anos de vida: “A gente quer unir a geração de conhecimento com a capacidade de realização prática”
A Grimpa xd, prestes a completar dois anos de vida: “A gente quer unir a geração de conhecimento com a capacidade de realização prática”

Grimpa xd. Você sabe o que quer dizer “grimpa”? É o nome das pás do catavento. Um sinônimo de ventoinha. Um ventilador, por exemplo, é feito de grimpas. (A palavra também pode significar “o ponto mais alto” e “ramo de pinheiro” – daqueles usados para começar o fogo em uma lareira. Quantos sentidos numa palavra que você nunca tinha ouvido, né?) E “xd”? Bem, xd é a abreviatura de “experience design”. Junte os dois termos e você terá a Grimpa xd, empresa de design de experiência.

A Grimpa xd foi formada em novembro de 2012 por Flávio de Moraes (também conhecido como Flávio Proença), 34, publicitário com passagem pela área de estratégia e planejamento da Box 1824 e da Young; por João Pedro Calixto, 31, publicitário com atuação na área de estratégia e planejamento da Publicis e da DM9; por Jaakko Tammela, 38, designer de produto que havia sido responsável pela área de Future Insights Latam e Experience Design da Whirlpool, e que atuou também como consultor de design da Natura; e por Carlos Kawasaki, o Cacá, 40, psicólogo com passagem pela área de pesquisa da DM9, da Box 1824 e da F/Nazca.

O time da Grimpa em ação, (da esq. para a dir.) Cacá, Flávio, João Pedro e Jaako: pesquisa, estratégia, conteúdo e design.

Os sócios da Grimpa em ação, (da esq. para a dir.) Cacá, Flávio, João Pedro e Jaakko: pesquisa, estratégia, conteúdo e design.

Mas… o que é “design de experiência”? “É o design usado para modelar serviços e planejar novos produtos”, diz Flávio. “Trata-se do método de design thinking, de pesquisa e modelagem de hipóteses e soluções, aplicado a negócios e à experiência do consumidor”.

A grande referência mundial nesse segmento é a IDEO, consultoria fundada em Palo Alto, em 1981. Aqui no Brasil, a pioneira é a Livework. “O design de serviços ainda é mal compreendido no país. A Livework teve o papel de começar a evangelizar o mercado”, diz Flávio, que aponta a Questto/No como outra empresa que se dedica a realizar esse tipo de entrega.

“Na Grimpa, a gente quer unir a geração de conhecimento com a capacidade de realização prática”, diz Flávio. “A inovação de modo geral tem sido muito maior no campo conceitual do que na vida real, aqui no Brasil. Nosso trabalho nas agências pelas quais passamos muitas vezes enfrentou esse tipo de limitação. De um lado, as ideias mais bacanas que vinham do planejamento acabavam não saindo do papel. De outro lado, havia muita ativação de marca sendo feita sem calço estratégico”.

Flávio tem 28,3% da Grimpa e cuida das entregas ligadas a estratégia e planejamento. É Flávio quem lapida os insights gerados por Cacá, responsável pelas entregas de pesquisa, que detém outros 28,3% da empresa. João Pedro, que também controla 28,3% da Grimpa, cuida de conteúdo e gestão de projetos. E Jaakko, que entrou na sociedade no início de 2014, tem 15% da empresa e cuida do desenvolvimento de produtos e o desenho de serviços. “Com a chegada do Jaakko, nosso trabalho de planejamento passou a entregar muito mais do que a estratégia criativa ou a comunicação – passamos a entregar coisas para os clientes”, diz Flávio.

O primeiro cliente da Grimpa foi o Bradesco. “O David Laloum, COO da Young, de onde eu estava saindo para abrir a empresa, apostou na gente. Trabalhamos a partir de uma questão – qual é a visão que os brasileiros têm dos bancos? E propusemos um papel e um posicionamento para o Bradesco nesse cenário. Foi um trabalho de pesquisa, estratégia e inovação conceitual”, diz Flávio.

CLIENTES & TRABALHOS

A Grimpa também trabalhou com a Honda. “No lançamento do Honda Fit, em parceria com a agência F/Nazca, fizemos laboratórios com os consumidores para testar o posicionamento da marca e definir plataformas de ativação. Depois, passamos a usar essa metodologia diretamente com a Honda, para o desenvolvimento de novos produtos”, diz Flávio.

Em 20 meses de atividade, a Grimpa xd já realizou uma dúzia de projetos – para clientes como Tramontina (foi numa reunião em Carlos Barbosa, no Rio Grande do Sul, que Clóvis Tramontina, o presidente da empresa, lhes disse, para sua surpresa, que uma grimpa também servia para acender uma fogueira), Saint Marché e Tiffany’s New York. A Grimpa também desenhou a experiência de um bar – o Razzmatazz, na Vila Madalena, em São Paulo.

“O cliente não quer mais apenas o insight e a pesquisa. Ele demanda também alguém que o ajude a transformar a visão estratégica numa solução concreta, com resultados tangíveis, para o seu problema”

“A gente monta times de talentos para resolver o problema específico de cada cliente”, diz Flávio. “Para a Tramontina, em um projeto, chegamos a ter 12 profissionais orbitando a Grimpa”. Um bom exemplo de como opera uma empresa líquida, uma das marcas da nova economia. Outro ponto é a criatividade e a agilidade para se adaptar a novos contextos. Segundo Flávio, a Grimpa acaba de realizar uma pesquisa de 10 dias com um focus group no Whatsapp, o aplicativo de mensagens rápidas para smartphones.

Apesar de o design de serviços e de experiência ser um conceito relativamente novo, segundo Flávio, já há briefings surgindo espontaneamente em grandes empresas, como a P&G. “Os pedidos chegam pelo marketing ou pelas áreas de pesquisa e inovação”, diz ele. “O cliente não quer mais apenas o insight e a pesquisa. Ele demanda também alguém que o ajude a transformar a visão estratégica numa solução concreta, com resultados tangíveis, para o seu problema”.

A Grimpa teve um investimento inicial de 30 mil reais. Em 2013, faturaram 1 milhão de reais. Para 2014, tinham planejado faturar 2 milhões, mas é provável que fechem o ano com receitas de 1,5 milhão de reais. “O ano está duro”, diz Flávio. “Não temos ouvido muito ‘não’, mas temos ouvido um bocado de ‘espera um pouco’”.

Prestes a completar dois anos, a Grimpa prepara algumas mudanças. É provável que o “xd”, por exemplo, caia do nome. Um novo centro de receitas será incorporado à empresa: o coworking. (Quer trabalhar junto dos caras? Liga lá.) E, internamente, um novo modelo de gestão está sendo implementado: em vez de a Grimpa, a empresa-mãe, pagar pró-labore aos sócios, cada um deles passará a ser remunerado diretamente pela área que gere. Hoje, as áreas de pesquisa e estratégia representam 70% do faturamento. E a área de design de serviços responde pelos outros 30%.

 

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