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Hibisco, romã, casca de cebola e outras matérias primas dão cor e personalidade às peças da Mattricaria

- 9 de novembro de 2017
"Procuramos incentivar a compra por qualidade e não  por quantidade, dando aos nossos clientes uma conexão pessoal com os produtos adquiridos."
"Procuramos incentivar a compra por qualidade e não por quantidade, dando aos nossos clientes uma conexão pessoal com os produtos adquiridos."

 

Maibe Maroccolo Lima atua no mercado de moda desde 2007. Mas desde essa época já sentia uma certa frustração com a profissão e com o descaso das marcas em relação à questões como a produção de resíduos, mão de obra, fast fashion e o impacto no meio ambiente. “Incomodada com este posicionamento, resolvi me aprofundar e estudar moda e desenvolvimento sustentável na London College of Fashion”, conta.

Durante o curso ela começou a repensar a maneira como produzia e a refletir sobre os resíduos que a produção gerava e qual era o impacto de tudo isso. Na busca por métodos alternativos, estudou e fez muitas pesquisas sobre o processo de tingimento natural. “De volta ao Brasil, passei a mapear as plantas tintórias do cerrado brasileiro junto às cooperativas de artesãos têxteis no Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais, que utilizam receitas tradicionais de pigmentos e tintas naturais”.

A partir daí, misturando os conhecimentos adquiridos tanto no Brasil como no exterior, em 2011 Maibe criou a Mattricaria. Aqui, ela conta um pouco desta sua trajetória.

Quais os diferenciais da Mattricaria?

Todos os nossos produtos são feitos de forma ética e sustentável. Procuramos incentivar a compra por qualidade e não quantidade, dando aos nossos clientes uma conexão pessoal com os produtos adquiridos. Apoiamos a integração saudável entre homem, natureza, cultura e preservação dos métodos tradicionais têxteis. Exemplo disso são os processos de tingimentos, que utilizam apenas corantes naturais. No Brasil existe uma grande diversidade de plantas tintórias de onde extraímos diversas cores sem agredir o meio ambiente. Desenvolvemos a linha de corantes naturais através de extratos da flora brasileira, como urucum, açafrão, casca de cebola, espinafre, barbatimão, romã, acácia, jatobá, entre inúmeras outras plantas, folhas, frutos, raízes e sementes usadas como matéria-prima na nossa tabela de cores. Estes corantes e pigmentos naturais têm baixo impacto ambiental e colaboram para a economia de comunidades rurais, artesanais e agricultores. Toda a matéria-prima utilizada é retirada do meio ambiente com responsabilidade e respeito.

De onde vem o nome Mattricaria?

Este é o nome científico da Camomila (Matricaria Chamomilla), que se refere à calma e à leveza. Essa é a inspiração para o desenvolvimento dos nossos produtos.

Como funciona a empresa?

A proposta inicial era ser uma marca de roupas tingidas e estampadas naturalmente, produzidas dentro dos conceitos do slow fashion. Mas eu comecei a sentir a necessidade de contar como chegávamos nas cores, como os produtos eram feitos. Por isso começamos um circuito de oficinas, compartilhando esse conhecimento e dando autonomia para o nosso consumidor final criar a sua própria peça e se apoderar do processo. Recentemente lançamos a nossa linha de corantes naturais, onde o consumidor pode tingir com segurança e praticidade em casa ou qualquer outro ambiente.

A Mattricaria tem concorrentes?

Existem poucas pessoas no Brasil que trabalham com corantes naturais, tingimento natural e que oferecem esse tipo de serviço. Mas ao invés de concorrermos, procuramos nos aliar para fortalecer essa cadeia produtiva natural e minimizar o impacto no meio ambiente. Por outro lado, existe, sim, a concorrência por parte do fast fashion, das grandes marcas que oferecem produtos atraentes e lançam mais de 50 coleções por ano, mas que, por outro lado, não informam a procedência nem os processos envolvidos no desenvolvimento destas peças. A preocupação da sociedade em relação ao consumo consciente vem aumentando, mas em grande parte esse questionamento dura até a primeira liquidação das grandes marcas.

Quais as estratégias de comunicação e divulgação adotadas?

Concentramos a nossa maior divulgação nas redes sociais e estimulamos o nosso público a questionar os processos. Publicamos conteúdos relevantes para o nosso público, explicando, por exemplo, as diferentes maneiras de tingimento, como usar as folhagens das cenouras e beterrabas para tingir tecidos. Além disso, procuramos alertar sobre as desvantagens dos corantes sintéticos e os impactos negativos que causam ao meio ambiente. Contamos, também, com serviços de assessoria de imprensa, principalmente quando lançamos um novo produto e serviço e queremos aumentar a nossa visibilidade em meios de comunicação alinhados à nossa proposta.

Qual é o seu maior desafio de vendas?

O preço e a valorização do processo são nossos maiores obstáculos. As pessoas não têm noção do trabalho envolvido, do cuidado que temos em todas as etapas da produção. Tem um tempo para poder colher aquela planta específica, a fase de extração da cor e do tingimento artesanal. O Brasil é muito rico em trabalhos manuais, mas essa rede ainda é desvalorizada. Estamos melhorando, mas lentamente. Muitas marcas procuram o tingimento natural e a estamparia botânica, mas ainda pensam com a mentalidade dominante do mercado de moda, querendo um serviço não só barato, mas também muito rápido.

E em relação à produção, quais os principais desafios?

Por enquanto a Mattricaria não cultiva as plantas tintórias, então são necessárias parcerias que possibilitem o acesso à matéria-prima. Temos parceiros que fornecem cascas de cebolas, cascas de romã e cascas de árvores, por exemplo. Mas além de verificar a sua procedência, eu também saio a campo para coletar matéria-prima natural. Hoje, uma das minhas maiores dificuldades é organizar meu tempo de produção e priorizar o desenvolvimento de corantes e tingimento natural. Mas acredito que como empreendedora a gente precisa fazer de tudo um pouco e acompanhar de perto o funcionamento da empresa.

Quanto do planejado você já conseguiu realizar?

É muito importante ter foco para empreender. Ao invés de desenvolver muitos produtos ou serviços, acredito que seja importante começar aos poucos, priorizar a qualidade, planejar cada etapa, analisar os custos e benefícios e não ceder a ponto de desvalorizar o seu trabalho. É preciso manter o posicionamento de empreendedora, mesmo que pequena, com respeito e valorização da sua produção.

Nos últimos tempos aumentou, e muito, o número de empresas preocupadas com a sustentabilidade. Isso, para você, representa uma concorrência? Ou um ganho?

É ótimo, pois quanto maior a demanda dos consumidores, mais o mercado reage. Agora, para um desenvolvimento sustentável é preciso colocar a mão na massa. O próprio processo do tingimento natural e da estamparia botânica não combina com hiperconsumismo e exige um repensar total da produção e do consumo. Muitas empresas se dizem verdes, mas só trocaram o papel branco pelo reciclado. É preciso mais, muito mais. Já passou o tempo de “minimizar impactos negativos”, é preciso criar impactos positivos. De fornecedores, produtores, e consumidores. Estamos todos juntos na cadeia produtiva. Se um solta a mão do outro, a corrente se enfraquece. E o mais bacana é que tem mercado para todos.

Seus produtos são revendidos por outras empresas?

Sim, temos pontos que já revendem a nossa linha de roupas em várias regiões do Brasil. Mas somos criteriosos: analisamos o perfil da empresa que entra em contato com a gente, checamos se ela realmente se preocupa em promover o consumo consciente e verificamos como é feita a divulgação de vendas. Não aceitamos estratégias apelativas e oportunistas.

Quais seus planos para o futuro?

Gosto de ser uma pequena empresa, até por ser um trabalho artesanal, personalizado e natural, sigo o ritmo que a natureza me impõe, e não ao contrário. Já estamos estudando maneiras de expandir a produção e, ao mesmo tempo, auxiliar os nossos produtores e parceiros a crescerem também. É importante criar esse vínculo duradouro e transparente. Mas tudo no seu tempo. O mundo pede sustentabilidade, respeito à natureza e ética nas relações de consumo.

Para saber mais:

Mattricaria: www.mattricaria.com.br

O que faz: Produtos de moda, produção e desenvolvimento de corantes naturais e serviços de tingimento natural com foco em ética, sustentabilidade e técnicas artesanais têxteis

Funcionários: 2

Sede: Brasília

Início das atividades: 2011

Investimento inicial: R$ 50 mil

Contato: info@mattricaria.com.br ou maibe@mattricaria.com.br

 

Esta matéria pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

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