Hortas comunitárias ganham espaço em meio ao cinza da capital paulista

- 24 de junho de 2015
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Novas formas de ocupar o espaço público, como ciclovias, shows ao ar livre, grafite e comida de rua, estão cada dia mais presentes na vida de quem caminha por São Paulo. Polêmicas ou não, é inegável que essas medidas estão ajudando a transformar a maior metrópole do país.

Ainda que discretas, as hortas urbanas também começam a integrar a paisagem. E uma das responsáveis por difundi-las é a jornalista Claudia Visoni, 49 anos. Em 2008, a paulistana decidiu fazer uma pequena horta no quintal da sua casa, no bairro Alto de Pinheiros. Recebem cuidados diários de Claudia temperos, pimentas e frutas, como mamão, goiaba e physalis – essa última, também conhecida como camapum e “mata-fome”. “O principal entrave é a falta de tempo”, diz. Depois de 14 anos de carreira na Editora Abril, Claudia se divide entre as funções de conselheira de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Subprefeitura de Pinheiros e de coordenadora de comunicação da Aliança pela Água, grupo da sociedade civil que visa a segurança hídrica em São Paulo.

A experiência e o conhecimento cultivados ao longo do tempo fizeram com que ela quisesse se relacionar com outras pessoas que mantinham hortas em casa. Em um dos cursos que fez, aconteceu o encontro com a também jornalista Tatiana Achcar. Foi então que as duas criaram o grupo Hortelões Urbanos, página no Facebook  que reúne quase 6 mil membros. Claudia mantém ainda um blog sobre o meio ambiente  Ela conta que um dos posts, sobre como montar uma horta em casa, teve quase 70 mil visualizações. “É uma prova de que está havendo interesse das pessoas”.

Ambas as redes servem para dividir informações e buscar dicas práticas, mas também rendem frutos além dos muros das casas e da internet. Em 2012, por exemplo, o grupo criou as hortas da Praça dos Ciclistas, em plena Avenida Paulista, e da Praça das Corujas, no bairro Sumarezinho. Qualquer pessoa pode se servir das ervas e hortaliças cultivadas ali. “O vandalismo acontece raramente. O maior responsável pela degradação é o manuseio errado das mudas”, diz Claudia. Para ela, isso é não é consequência de má fé, mas da falta de familiaridade das pessoas com esse tipo de espaço. “É uma cultura que ainda está no início”, completa. Não retirar mudas e pés de hortaliças inteiros estão entre as formas de conservar as hortas.

Voluntária nas praças das Corujas e dos Ciclistas, Claudia já ajudou na montagem de outras hortas orgânicas espalhadas pela cidade, como a do Centro Cultural São Paulo. Mas como só acompanha as duas primeiras de perto, ela  prefere não cravar números. “Uma estimativa de quantas iniciativas semelhantes há na capital não vai refletir a realidade”, diz. Ela frisa ainda que o Hortelões Urbanos não cria ou cultiva hortas, apesar de contribuir no pontapé inicial ou mesmo servir de inspiração. Afinal, a cada vez que isso acontece, Claudia se aproxima mais do sonho de ver São Paulo repleta de hortas e de voluntários dispostos a cultivá-las.

 

Esta matéria, e muitas outras conversas de marca da Natura, podem ser encontradas na Sala de Bem-Estar, na Rede Natura.

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