SPONSORS:

Mulheres que realizam: com a MateriaLAB, Carol Piccin quer ser protagonista em um mundo com menos impacto ambiental e mais equidade social e econômica

- 5 de dezembro de 2017
"Um grande desafio é mostrar que o modelo de negócios é rentável. Porém é instigante e faz com que você pesquise tanto, que acaba aprendendo mais ainda do que estava imaginando. O horizonte fica ainda maior", conta Carol.
"Um grande desafio é mostrar que o modelo de negócios é rentável. Porém é instigante e faz com que você pesquise tanto, que acaba aprendendo mais ainda do que estava imaginando. O horizonte fica ainda maior", conta Carol.

Para dar mais visibilidade aos negócios de mulheres que refletem no desenvolvimento da sociedade, inauguramos uma série de publicações para reconhecer as empreendedoras que participam do Itaú Mulher Empreendedora. A Carol Piccin é participante da Mentoria. Conheça essa história.

 

Desde pequena, Carol Piccin desenvolveu uma forte relação com a natureza. Tanto é que se formou em Direito, imaginando trabalhar na área de direito ambiental. Começou a atuar na coordenação de projetos para diminuir impactos ambientais. Conheça a história desta empreendedora que acredita tanto em um mundo melhor e mais saudável, que fez disso o seu negócio.

Como surgiu a ideia de empreender?

Minha primeira empresa foi a Sistema Assessoria Ambiental, que fundei em 2004 com uma grande amiga e sócia. Eu tinha 24 anos e já sabia que queria trabalhar para contribuir para a saúde do planeta. Aprender, compartilhar conhecimentos sobre como devemos agir para essa contribuição acontecer. Na Sistema pesquisávamos tecnologias para aplicar nos projetos de diminuição de impactos ambientais para nossos clientes. Pudemos prototipar o que seria uma consultoria e já iniciamos com empresas grandes como Goodyear, Papirus, Claro, entre outras. Ao verificar que tínhamos uma lista enorme de nomes de empresas/materiais/prestadores de serviços, encontramos um novo produto, um Catálogo. Estudamos o que havia pelo mundo afora sobre “catálogos” e encontramos “materiotecas”, mais chamadas de “material libraries”. Montamos então a MateriaLAB.

Estamos num modelo de gestão horizontal, trabalho em rede, onde vários projetos são realizados a várias mãos, com várias empresas pequenas e médias que trabalham juntas. Além disso, muitos projetos hoje são feitos para empresas grandes e a execução é feita para a sociedade, com empresas pequenas e comunidades. Vário, inclusive, são projetos de design social. Por exemplo: Se uma fábrica tem 500 toneladas/mês de resíduos de madeira, para resolver esse problema ambiental, elaboramos um projeto social. Capacitação profissional com lideranças de comunidade carente para que eles possam executar produtos feitos a partir desses resíduos. E as empresas pequenas trabalham em parceria num projeto como esse.

O que é sua empresa, como funciona?

MateriaLAB é uma empresa que une várias frentes: consultoria de gestão ambiental, pesquisa de materiais e tecnologias de baixo impacto ambiental e auxilia a dupla “produção/consumo” a ser mais eficiente. Prestamos consultoria a criativos, desenvolvedores e para quem está a frente de Pesquisa & Desenvolvimento (arquitetos, designers, engenharia das coisas). Soma-se a materioteca, local de pesquisa onde fisicamente há o catálogo para Designers/Arquitetos/P&D e que está sendo preparada para estar no mundo digital em breve, como se fosse um Tinder para dar um Match entre os produtores de matéria-prima e o mercado.

O que te levou a empreender?

Queria algo proprietário, que não existia. Estava à frente do que o mercado praticava. Em 2004, quando não se falava em “sustentabilidade” e trabalho “em rede”, já pensávamos na “economia circular” sem dar esses nomes. Era puro feeling, um sonho que se tornou realidade.

O que o empreendedorismo feminino tem de diferente?

Acredito que o feminino (não o gênero) leva o lado da atenção, da escuta, do cuidado, do bom gerenciamento, entrega com detalhes. O masculino com seu pragmatismo e firmeza é essencial também. Não gosto dessa separação entre masculino e feminino. Isso na verdade não existe. Temos os dois dentro da gente. E é bom que seja assim.

Qual seu objetivo? O que te motiva a sair da cama todo dia?

Ser protagonista num mundo com menos impacto ambiental, com equidade social e econômica, fácil acesso em todos os sentidos. Um mundo com mais saúde para os seres humanos e o planeta, um lugar em que a produção e o consumo sejam diferentes, mais horizontal ou circular, com menos posses e mais trocas, com cooperação e parcerias. Saber que cada passo que dou vai nessa direção é um prazer diário. Trabalho e vida não podem ter distinção. Assim fica muito melhor.

Qual foi o maior desafio que você enfrentou ou enfrenta na vida empreendedora?

Dar passos “maiores que a perna”, sem planejamento e ficar sem dinheiro é bem difícil. Por acreditar muito na nossa visão e não ter procurado investidores, passamos por problemas financeiros, fomos imaturas. O negócio necessitava de investimento inicial para segurar o fluxo de caixa nos primeiros 2 anos. Alugamos uma casa e montamos a Materioteca. Se por um lado foi bom para o protótipo andar, por outro lado foi desgastante financeiramente por conta dos custos fixos e falta de planejamento para atração de clientela. Recuamos para home office até estruturarmos esse investimento.

Outro grande desafio é mostrar que o modelo de negócios é rentável. Porém é instigante e faz com que você pesquise tanto, que acaba aprendendo mais ainda do que estava imaginando. O horizonte fica ainda maior.

O que você está fazendo para superar?

Crescendo com maturidade e planejamento, e muito estudo também. Essa superação é diária.

Qual foi a sua maior conquista até aqui?

Fazer o que acredito, abrir uma empresa com 24 anos, empreender dentro da própria empresa, passar por altos e baixos e continuar inteira e ainda mais madura. Essa conquista é uma bagagem que ninguém tira. Aprender a trabalhar em rede também é uma conquista. Confiar nas pessoas e desapegar é libertador.

Qual é o seu sonho? O que ainda falta realizar?

Desejo ter um canal na internet ou um blog, algo que atinja mais pessoas, e com rapidez. Usar as ferramentas digitais para compartilhar conhecimento e alcançar mais empresas.

Se pudesse voltar no tempo e refazer uma decisão, corrigir algum momento de sua trajetória, o que seria?

Não consigo responder o que faria diferente. Parece clichê, mas o que fiz até agora me levou para o agora, e fico feliz quando olho para trás.

Qual seu conselho para quem está querendo empreender?

Acredite na sua intuição, na sua ideia. Pesquise muito, garanta seu fluxo de caixa e faça parcerias que complementem e agreguem ao propósito do seu negócio!

Esta matéria pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

NOVO BANNER

Veja também: