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Mulheres que realizam: Isabel Braga Teixeira. Com a BoBAGS ela oferece uma alternativa consciente e sustentável para o consumo de bolsas e acessórios

- 27 de novembro de 2017
"Para o planeta, armários compartilhados significam menos impacto; para as pessoas, um closet atualizado a cada temporada, sem gastar fortunas", conta Isabel.
"Para o planeta, armários compartilhados significam menos impacto; para as pessoas, um closet atualizado a cada temporada, sem gastar fortunas", conta Isabel.

 

Isabel Braga Teixeira, fundadora da BoBAGSdesde a adolescência vendia suas roupas para amigos e familiares. Reciclava tudo e juntava dinheiro para comprar uma peça bacana de segunda mãoSempre gostou da ideia de ter roupas que combinassem entre si, visando ter o mínimo possível. Na época em ainda não se falava em economia compartilhada, consumo consciente e o mercado de segunda mão ainda envolvia certo preconceito, ela já tinha em mente que, em algum momento esse jogo mudaria. “Eu imaginava mulheres compartilhando seus closets e usando melhor o que possuíam, e acreditava que o primeiro passo neste sentido poderia envolver bolsas e acessórios”, conta. Nascia aí um sonho que tinha tudo para virar realidade.

Como surgiu a ideia de empreender?

Eu tive a ideia do meu negócio em 2009 junto com uma amiga. Ela foi para fora do país e eu segui com o projeto. Havia me formado em marketing e estava fazendo MBA em gestão de negócios. Assim lancei a semente com um site muito simples, que toquei como hobby até 2013 com minhas próprias bolsas. Falava com as clientes, anotava cada feedback, respondia e-mails à noite ou em qualquer momento livre que eu tinha. Considero esse período fundamental para a situação do meu negócio hoje. Aprendi muito ali, errei em um formato onde ainda era permitido errar. Acho que errar na hora certa é fundamental. Hoje quem começa um negócio desses não pode mais errar.

Em 2013 comecei a notar um movimento: Airbnb, Uber e outras plataformas que, de alguma forma, tinham a ver com o que eu estava fazendo. Senti que era hora de largar tudo e fazer esse negócio acontecer. Mas, para isso, precisava antes me desenvolver como empreendedora, pois até então era tudo muito intuitivo. Eu não tinha amigos nem parentes empreendedores, ainda não existia essa energia voltada para startup.

Pois bem, deixei meu trabalho de executiva em uma empresa, meu marido largou o dele e nos mandamos para o Vale do Silício. Moramos dentro de Stanford por um ano e meio e fiz de tudo um pouco: cursos de programação, liderança, etc. Entrei numa aceleradora chamada Women Startup Lab voltada para mulheres empreendedoras no Vale. Lá tive como mentores a Fran Maier, uma das fundadoras do Match.com, e Bill Joos, cofundador da Garage Ventures. Passei um tempo na Rocket Space, onde troquei muitas ideias com outros empreendedores e aprendi finalmente o que é empreender e fazer algo novo. Tinha sessões mensais de mentoria com o CEO de lá, que me faziam refletir e rever muita coisa sobre o negócio e como seguir dali pra frente. Voltei para o Brasil grávida da minha filha e, em 2015, foi o verdadeiro nascimento do negócio. Foi um ano animado!

O que é sua empresa, como funciona?

BoBAGS é uma plataforma de aluguel de bolsas e acessórios. Desenvolvemos nossa própria plataforma, que foi a pioneira no Brasil e hoje somos o único marketplace de aluguel de luxo do Brasil. Clientes alugam peças e também deixam itens dos seus closets disponíveis para que outras pessoas possam alugar. Deixar coisa parada no armário está definitivamente fora de moda. Baseada no conceito de economia colaborativa, nossa missão é criar uma alternativa consciente e sustentável de consumo. Para o planeta, armários compartilhados significam menos impacto; para as pessoas, um closet atualizado a cada temporada, sem gastar fortunas. Com um acervo próprio e de terceiros, nosso closet conta com itens de maisons consagradas como Chanel, Gucci e Dior e está em constante expansão com marcas que são tendência e lançamentos como Olympia Le-Tan, Off-White e Le Petit Jouers.

O que te levou a empreender?

Na verdade, quando eu comecei a empreender não tinha muitas referências sobre o tema. Só tinha uma ideia e queria colocá-la em prática: compartilhar esse hábito de usar melhor coisas paradas nos armários. Ainda não era claro para mim como isso ocorreria e quais seriam os desafios. Só pensava em tudo dando certo e, a cada dificuldade, só pensava em como daria a volta por cima. Acho que já tinha uma veia empreendedora muito forte, mas só não sabia disso.

O que te motiva?

Mesmo com tantos desafios e tanta coisa para aprender- dizem que o empreendedor vive entre a euforia e o desespero – eu acho que uma das melhores coisas de empreender, criar algo novo, é poder escolher as pessoas com quem você vai fazer isso. A BoBAGS foi criada com essa base, ou seja, com profissionais que sonham junto comigo o tempo todo.

“Poder criar um ambiente legal e saudável, com pessoas boas e que gostam uma das outras é uma das coisas mais bacanas que se pode imaginar fazer”

As relações e cultura que a gente está formando são a base dessa empresa. Sou cada vez mais atenta a isso e ao desafio de que os sonhos são conjuntos e também individuais. Claro que hoje ainda somos pequenos e tenho ciência de que os desafios serão maiores daqui para frente.

Qual foi o maior desafio que você enfrentou na vida empreendedora?

Enfrento desafios todos os dias. Alguns maiores e outros menores. Mas não houve qualquer momento que tenha sido fácil. Seja por que estava difícil conciliar com a vida de mãe, seja porque precisava contratar gente e não tinha como pagar ou porque precisava captar investimento e esbarrava em problemas clássicos de negócios liderados por mulheres. Quando cheguei a esse “diagnóstico” – que o meu negócio era de mais difícil compreensão para os investidores que (pelo menos hoje) são, em sua grande maioria, homens – ficou mais fácil. Entendi que não era um problema pessoal quando esses investidores, após a apresentação do meu plano de negócio, falavam que iam contar sobre a minha empresa para sua mulher, namorada ou filha. E eu ficava frustrada, imaginando que eles se interessariam em agendar reunião, me oferecer apoio, mas o interesse deles terminava ali. Não perdi mais tempo com este perfil de investidor. Me aprofundei nos números, nas métricas. Não tinha uma vírgula que eu não dominasse. Quando eu comecei a filtrar o perfil de investidor com quem falava e a mostrar os indicadores do meu negócio, virei o jogo.

Qual foi a sua maior conquista até aqui?

Na minha opinião, é essencial que o empreendedor sinta a “dor” que a sua empresa está trabalhando/resolvendo. E meu negócio surgiu porque pessoalmente eu e minha equipe acreditamos na importância do consumo consciente. Não é algo que estamos criando artificialmente, a BoBAGS é uma consequência dessa necessidade de possuir menos, desse mudança de hábito. O negócio partiu de um desejo de compartilhar mais e acumular menos. Nós não criamos o discurso para o negócio – o problema já existia.

Acredito que construir um negócio alinhado aos nossos valores reais fez com que a BoBAGS se tornasse excelente em seu mercado. Essa é a minha maior conquista.

Somos diferenciados em nossa capacidade de comprar bolsas, de curadoria, de tecnologia, de primar pelo atendimento ao cliente e de entender os economics do negócio. Medimos o retorno individualmente para cada peça e temos toda uma estratégia de precificação com base em demanda e retorno. Estamos sempre um passo a frente, mas nos mantemos atentos, pois o mercado é competitivo e está cada dia mais claro que este é um bom negócio. Nossa plataforma tecnológica é proprietária e a cada dia traz novas funcionalidades e integrações. Há um valor muito grande nisso, pois temos condições de mensurar cada aspecto do negócio e utilizar esses dados para tomarmos decisões mais embasadas. Isso traz também uma melhor experiência de uso para nossas clientes do que uma plataforma pronta. Por fim, somos uma empresa verdadeiramente empreendedora, desbravadora.

Qual é o seu sonho? O que ainda falta realizar?

A BoBAGS é o um projeto de vida. Uma ideia que coloquei em prática com muito esforço e trabalho e, com a ajuda da tecnologia, está virando um hábito. Algumas mulheres irão considerar outras possibilidades além da compra, quando precisarem ou quiserem uma bolsa e/ou acessório. Outras farão dinheiro com isso, usarão como investimento. É isso que estamos oferecendo: uma alternativa à posse e ao consumo por impulso, sem testar antes. Estamos criando um negócio sustentável: com equipe que se conhece e trabalha bem, com competências importantes do negócio sendo trabalhadas, gerando caixa e captando mínimo investimento possível até dar o passo seguinte. O meu sonho é ver a empresa crescer, acompanhada de todas as pessoas que fazem parte do projeto e lutam comigo no dia a dia.

Se pudesse voltar no tempo e refazer uma decisão, corrigir algum momento de sua trajetória, o que seria?

O processo de aprendizado necessariamente passa por muitos erros e acertos. Valorizo ambos igualmente, já que é a partir dos erros que conseguimos nos superar. Posso afirmar que com toda certeza a BoBAGS só está no trilho de crescimento atual por causa dos erros que cometemos, das oportunidades que falhamos em enxergar e da nossa mentalidade de aprendizado constante. É claro que sem persistência, autoanálise e muito foco não adianta nada ter atravessado os momentos difíceis. Eles só têm utilidade se houver espírito de superação. Por isso tenho muito apreço pelos meus erros. A memória deles me ajuda a ser mais focada, ligada e preparada para antever os desafios que virão pela nossa frente.

Qual sua dica para quem está querendo empreender?

Minha principal dica é não ir apenas atrás do dinheiro. Parece óbvio, mas não é. Quando e se buscar investidores, escolha aqueles que possam contribuir com seu negócio, trazendo ideias, te desafiando, criando pontes. Outra dica é não ter ilusões de que você deve perseguir enormes valores de captação se não houver necessidade. Quanto maior a captação, maior a necessidade de entregar resultados e retornos. Buscamos crescer com consistência, respeitando conceitos de rentabilidade, controle de custos e responsabilidade gerencial. Por outro lado, é essencial que a empresa não deixe o crescimento engessar suas operações. É importante ficar atento para não burocratizar o negócio, não perder a agilidade de uma startup. Cada empresa, cada pessoa e cada momento têm o seu desafio. Não existe uma fórmula para o sucesso. O mais importante é ter gente competente e apaixonada, ter muita persistência e espírito desbravador.

Esta matéria pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

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