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Nuuvem: a plataforma brasileira que quer disputar o mercado global de distribuição de games

- 21 de janeiro de 2016
Paulo Schilling, Andrey Beserra, Thiago Diniz e Fernando Campos: os sócios da Nuuvem.
Paulo Schilling, Andrey Beserra, Thiago Diniz e Fernando Campos: os sócios da Nuuvem.

No ar desde 2011, a Nuuvem é uma distribuidora de games que conta com 2 500 títulos em seu catálogo, de lançamentos blockbusters a clássicos consagrados, boa parte deles por menos de 20 reais. A empresa, que nasceu no Rio de Janeiro e vem crescendo 100% ao ano, superou 17 milhões de reais de faturamento em 2015. A Nuuvem é a maior loja online de jogos para PC do Brasil, já vende para mais de 200 países e tem, ainda, grandes planos: pretende lançar uma plataforma de assinatura, modelo Netflix, para disputar o mercado mundial com a gigante Steam.

A empresa surgiu em 2009, um ano depois de Thiago Diniz, hoje com 30 anos, ser campeão mundial de Battle for Middle Earth, jogo de estratégia baseado no Senhor do Anéis. Essa experiência lhe rendeu contato com produtores de jogos e com os jogadores brasileiros. Encontrou uma oportunidade e abriu sua primeira loja, a RTS Games Store, que comprava e revendia jogos físicos. Ele fazia toda a operação, enviava pelo correio as caixas com CDs e manual dos jogos.

Não demorou para perceber que o futuro estava na nuvem. E então, conheceu online Andrey Beserra, designer de 29 anos que morava na Paraíba, e Paulo Schilling, programador que tem 26 e à época morava no Rio Grande do Sul. Juntos, os três fundaram a Nuuvem. Um mês depois, entra em cena Fernando Campos, empresário e investidor que estava procurando oportunidades para iniciar uma nova  startup.

Os dois se conheceram a partir de um amigo em comum e Fernando se surpreendeu com a postura de Thiago, que ia na contramão da tendência do momento. Era o auge dos advergames ou Facebook games, que são jogos casuais, mais simples e normalmente sem narrativa, como Candy Crush e todas as variações de fazendas no Facebook — mas Fernando e Thiago queriam mais. O empresário desenvolve:

“Enquanto os casual games são para passar o tempo, os core games são um investimento de tempo, você precisa se dedicar para que a história prossiga. Tem muito mais envolvimento aqui”

“Infelizmente vacas e colheitas virtuais não são o suficiente para manter jogadores engajados. Vai ver quanta vaca magra tem hoje no Facebook”, brinca ele com jogos como FarmVille, grande sucesso da Zynga, que há alguns anos era uma potência global indisputável com os casual games e hoje busca se reinventar.

Fernando e Thiago já moravam no Rio de Janeiro, encontraram suas afinidades e o projeto andou. Ambos investiram 200 mil reais na estruturação da empresa. Hoje, Fernando é CEO, e Thiago é COO. Andrey e Paulo são sócios minoritários e metade da equipe já possui stock options.

A Nuuvem, com 2500 titulos, quer agora ser uma plataforma de envolvimento para seus jogadores

A Nuuvem, com 2 500 títulos, quer ser também uma plataforma de envolvimento para seus jogadores.

A Nuuvem estreou com 110 títulos de oito publishers. Publisher é a produtora e financiadora dos jogos. É também aquela que fecha os contratos de venda e parceria. A visibilidade conquistada nos campeonatos rendeu a Thiago acesso a essas pessoas, responsáveis por grandes estúdios de produção de jogos. De lá para cá o contato cresceu: já são mais de 150 empresas reconhecidas vendendo seus títulos pela Nuuvem.

Os lançamentos blockbusters giram na casa dos 100 reais, como Farcry Primal, que custa 129,99 reais, e o GTV 5, já não mais tão lançamento assim, que sai por 99,99. Porém, a maior parte dos jogos disponíveis custa menos de 50 reais, como Resident Evil 0 / Biohazard, por 34,99 reais e Total War: Shogun 2, por 49,99. A operação da Nuuvem é totalmente digital, o que representa economia em mídia impressa e logística. O modelo de negócio consiste em uma porcentagem cobrada a cada transação, que fica com a Nuuvem e varia de acordo com os contratos firmados com as produtoras de games.

ELES APOSTARAM NO AMADURECIMENTO DO MERCADO

“Você sabia que a maior bilheteria de estreia da história do entretenimento é de um jogo de videogame, o GTA 5, que faturou 1 bilhão de dólares em 48 horas? Sabia também que o mercado dos games é maior do que o cinema e a música somados? Pois é, de brincadeira de criança não tem nada”, afirma Fernando. Parte da proposta da Nuuvem é demonstrar que os jogos amadureceram nos últimos anos e, faz tempo, deixaram de ser apenas entretenimento infantil.

Hoje, o trabalho envolvido para criar os principais jogos é maior do que as superproduções cinematográficas. Roteiristas, diretores, figurinistas, atores, câmeras, diretores de fotografia, entre outros, as mesmas profissões do cinema somadas aos programadores e editores de jogos, cada vez mais necessários para títulos de sucesso.

O empresário prossegue apontando que os games estimulam reflexo, raciocínio e gestão de recursos, sem falar que, hoje em dia, a maior parte dos jogos é multiplayer, propondo necessariamente uma interação social entre os jogadores – seja cooperando, seja estourando miolos digitais uns dos outros. Além disso, tanto Thiago quanto Fernando e o repórter aprenderam a falar inglês jogando videogame, além de muitos outros gamers por aí que precisam entender a história ou o jogo não segue.

Em relação a competição entre jogos mobile, aqueles jogados em celulares e tablets, e jogos core, como os que a Nuuvem comercializa, Fernando explica que um casual game seria o equivalente a um vídeo do Youtube, curto e sem compromisso, enquanto um core game seria um longa, uma experiência imersiva. Questiono, então, se a comparação não seria entre o Youtube e um seriado, com fôlego de roteiro necessário para 40 horas de história (ainda que boa parte dessas horas se resuma a matar monstros de todo tipo).

“Isso, seriado, melhor ainda”, responde Fernando. “Mas é melhor: o jogador senta no sofá para colocar algumas horas numa narrativa interativa onde ele é o protagonista. É uma delícia e o envolvimento é enorme.”

ENTRE PUBLISHERS E PLAYERS

O contato com seu público começou via marketing tradicional, alugando espaço em outros sites, pagando Adsense, mas o retorno foi decepcionante e eles mudaram de rumo. Decidiram, então, fazer uma experiência com uma campanha no BitTorrent, um dos corações da pirataria. Deu um bom retorno e eles entenderam que deveriam inovar para alcançar seu público.

Começaram a investir em feiras e eventos, se aproximar das comunidades de jogadores. Há poucos meses compraram o GamerGrade, que agora se chama Gank, ferramenta que organiza campeonatos digitais dos principais jogos, possibilitando que você compita com amigos durante sessões amistosas ou campeonatos. Também pretendem construir uma ferramenta para ajudar a organizar os clãs de jogadores, alguns deles com quatro ou cinco mil usuários, mas que ainda dependem de ferramentas rudimentares, como planilhas de Excel, para se organizar.

A empresa nasceu com Thiago Diniz lutando contra orcs e dragões na Terra Média. O título de campeão mundial o aproximou de produtores e distribuidores.

A Nuuvem nasceu com Thiago Diniz lutando contra orcs e dragões. O título de campeão mundial de um jogo o aproximou de produtores e distribuidores.

Seu modelo continua sendo a comercialização dos jogos, mas eles pretendem se dedicar cada vez mais a aprofundar a experiência de seus jogadores após a compra.

Esse novo caminho tem um marco importante: o frio na barriga gerado pela estreia do Steam no Brasil, em 2012. Gigante da distribuição de jogos, o Steam fatura 1,5 bilhão de dólares por ano e o grupo achou que poderia ser engolido. “Mas eles só traduziram os textos e colocaram no ar, não fizeram esforço para comunicar nem ao Brasil, nem ao brasileiro”, diz Thiago, e prossegue apontando que eles também oferecem aos publishers a experiência local, suporte em português e campanhas personalizadas. Além disso, resolvem pagamentos e burocracia, “sempre uma barreira enorme no Brasil”.

E então chegamos à grande inovação que a Nuuvem está inventando como resposta ao Steam. Fernando aponta que a distribuição de jogos tem uma constante desde os anos 1980: códigos de ativação que o jogador precisa inserir para provar que comprou aquele jogo do fabricante. E então, temos décadas de pirataria e contrapirataria sobre essas chaves, que hoje são commodity na internet e comercializadas no gray market, o mercado cinza de códigos de ativação.

Um jogo que foi comprado na Rússia é ativado na Austrália, ou um jogo vendido a um preço chinês foi ativado em um país na Zona do Euro e isso é prejuízo. “Os publishers estão completamente doidos para achar uma solução para esse problema”, diz o Fernando, que está desenvolvendo uma plataforma para solucionar justamente este problema.

QUANDO A INOVAÇÃO É UMA AUTODEFESA CONTRA A PIRATARIA

Atualmente, os sócios estão investindo 3 milhões de reais na próxima versão da plataforma Nuuvem, que deve ser lançada este ano para funcionar como uma nova e mais moderna ferramenta de download e ativação dos jogos. Apenas usuários cadastrados e distribuidores autorizados poderão rodar ou distribuir os jogos, diminuindo muito o risco de pirataria ou desvio de chaves dos títulos oferecidos. Eles garantem que têm sido incentivados por diversos publishers parceiros, que, além da ferramenta nova, também querem um mercado de distribuição diversificado onde tenham maior controle sobre as operações.

“O mercado está viciado na ponta da transação, não olha para a experiência”, diz Fernando. “Com nossa nova plataforma, poderemos oferecer um ambiente de imersão, onde os jogadores serão bem cuidados e terão acesso a todos os seus jogos, independente de onde forem comprados.” Ele faz questão de apontar que é uma política da Nuuvem trabalhar apenas com gamers. Neste espírito, eles oferecem suporte até para jogos que não foram comprados ali: “Nós entendemos a frustração que é comprar e não conseguir rodar um game. Além disso, para nós é um cuidado simples e muito barato que conquistar um usuário”, conta.

Pergunto, então, como ganham dinheiro se o mesmo jogo está disponível ao lado, de graça, na biqueira digital do Pirate Bay. Thiago responde: “Primeiro, a tranquilidade de que aquele negócio vai funcionar. E segundo, a experiência. Não oferecemos só os jogos, queremos que a Nuuvem seja um universo onde o jogador possa mergulhar. Quem não quer ser um herói?”.

DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Nuuvem
  • O que faz: Plataforma de distribuição de games
  • Sócio(s): Paulo Schilling, Andrey Beserra, Thiago Diniz e Fernando Campos
  • Funcionários: 18
  • Sede: Rio de Janeiro
  • Investimento inicial: R$ 200.000
  • Faturamento: R$ 17 milhões em 2015
  • Contato: https://secure.nuuvem.com/support

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