O case Lumberjills: uma marcenaria com mão de obra 100% feminina

- 8 de junho de 2017
Letícia Piagentini (à esq.) e Fernanda Sanino: inspiração nas mulheres que viraram lenhadoras na Segunda Guerra Mundial
Letícia Piagentini (à esq.) e Fernanda Sanino: inspiração nas mulheres que viraram lenhadoras na Segunda Guerra Mundial

 

Fernanda Sanino é hoteleira por formação e trabalho durante dois anos na Europa e Estados Unidos. Quando voltou ao Brasil descobriu, por acaso, um novo talento. “Reformei os móveis de minha avó e minha tia, e recebi tantos elogios que percebi que levava jeito para a marcenaria. Comecei a pensar nessa ideia”, lembra.

Já Letícia Piagentini é formada em turismo, trabalhou por mais de 10 anos nas áreas de hotelaria e vendas, mas sempre sonhou em empreender. Resolveu investir em uma nova área e começou um curso de desenho de mobiliário. “Fazendo as aulas, percebi que além e desenhar, queria construir os móveis”, conta.

Assim Fernanda e Letícia, amigas há muitos anos, decidiram empreender juntas. “Primeiro achei uma loucura! Imagina duas mulheres comandando uma marcenaria? Mas depois estudamos o mercado e vimos o potencial que existia. Havia uma carência de profissionais jovens que fizessem móveis de design com preço acessível. Entramos de corpo e alma no ramo”, conta Letícia.

Inspiração feminina

O nome da marcenaria surgiu graças à proposta de trabalho das sócias, já que na empresa tudo é feito por elas. “Lumberjills é o feminino de Lumberjack, que em inglês significa lenhador. Durante a Segunda Guerra Mundial, muitas mulheres assumiram funções que até então eram masculinas, e a de lenhadora foi uma delas. Essas mulheres nos inspiraram a seguir nossos sonhos. Aqui na marcenaria nós executamos todas as tarefas, desde a parte administrativa e vendas, até a produção e instalação. O principal diferencial é nossa experiência no mercado corporativo e formal, que nos dá uma enorme noção de responsabilidade. O cumprimento de prazos e a satisfação do cliente são pontos vitais para a gente. Outro diferencial é que pensamos fora da caixinha, desenvolvemos peças criativas e artesanais, nada é feito em escala industrial”, afirma Fernanda.

Sociedade de sucesso

Na hora de determinar a função de cada uma das sócias na empresa, o talento pessoal falou mais alto. Letícia ficou responsável pela área financeira e dos projetos, e Fernanda assumiu a administração, o acompanhamento das mídias sociais e a busca por novos parceiros. “Mas na execução, mesclamos nossas atividades, tudo depende da disponibilidade de cada uma. Como a Letícia tem uma filha de um ano, damos prioridades para ela ficar mais na oficina, e eu faço as visitas, compras e instalação. Mas quando estamos juntas na oficina, ela faz a montagem e eu acabamento. A Letícia gosta de trabalhar com MDF e eu com madeira natural, ela com máquina de costura e eu com o grampeador, então vamos nos dividindo assim”, conta Fernanda.

Já Letícia diz que apesar de muito parecidas, elas são complementares. “A Fernanda é otimista e sonhadora, eu sou mais pé no chão e racional. Nossas diferenças equilibram e fortalecem a sociedade”.

Na entrevista, as sócias ainda falaram sobre desafios que enfrentaram, as barreiras que superaram e como conseguiram se posicionar em um mercado tão masculino. Para conferir, acesse a plataforma Itaú Mulher Empreendedora!

 

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