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O Cone Sul das infinitas possibilidades: relato de uma viagem (parte 3)

- 15 de fevereiro de 2017
Trecho da Carretera Austral próximo a Cerro Castillo, Patagonia chilena
Trecho da Carretera Austral próximo a Cerro Castillo, Patagonia chilena

 

Na terceira parte da nossa série, o engenheiro-ciclista Eduardo Lages parte do Chile de volta à Argentina.

Chegamos à penúltima parte da nossa aventura. Junto com o Eduardo Lages, já rodamos mais de 7 mil quilômetros, ultrapassando, portanto, a metade da viagem. Nosso aventureiro agora saiu da Argentina rumo ao pedaço (maravilhoso) de Patagônia que está em solo chileno, antes de retornar para a Argentina, de volta rumo ao Brasil. Vamos continuar com ele? Aperte os cintos, que o Toro é bravo!

7. Los Antiguos / Puerto Guadal

Los Antiguos é a última cidade argentina neste que é um dos vários trechos de fronteira entre os dois países. A entrada no país vizinho se dá em Chile Chico. Nome engraçado, não é?

Da fronteira em diante, até Puerto Guadal, são 110 quilômetros em estrada de terra e cascalho (“ripio”, como eles dizem). E que estrada linda! Lago de um lado, Cordilheira dos Andes do outro. Até parece um quadro. Tem uma mineração no caminho, mas nem ela consegue estragar o visual. Incrível!

Vale destacar que neste ponto há uma inversão dos valores aos quais estávamos acostumados até então. Quem estiver num veículo movido a gasolina vai sentir no bolso, pois no Chile o combustível é mais caro. O oposto ocorre para quem está num carro a diesel, portanto. Me dei bem. Na rede estatal de combustíveis (Copec) há mapas mostrando onde estão os próximos postos. Fique atento!

Daqui em diante, deve-se pensar no tipo de acomodação. Tem as cabanas, que são pequenas casinhas sem o serviço tradicional (café-da-manhã, por exemplo), tem hotéis e tem os sofisticados lodges, parecidos com as melhores pousadas brasileiras. Mas o Chile tem ainda uma opção curiosa: alugar um pequeno furgão, com possibilidade de dormir nele. Vi vários pelo caminho. Dá uma olhada neste link.

Carretera Austral, trecho próximo a Puerto Guadal, Patagônia Chilena

Carretera Austral, trecho próximo a Puerto Guadal, Patagônia Chilena

Depois de Puerto Guadal, são só mais 8 quilômetros até o trevo que direciona até a tão falada Carretera Austral, nosso assunto a partir de agora.

8. Carretera Austral

Grande parte da famosa Carretera Austral não é pavimentada, o piso é mais rústico que nas estradas de terra argentinas, tem muita “costela”, o carro trepida e escorrega. E como tem poeira!.. Se você pesquisar no Google quais são as ciclovias ou estradas mais bonitas do mundo, a Carretera Austral sempre vai aparecer no Top 5 das listas. Faz todo sentido…

É destino tipo “figurinha carimbada” da galera que viaja de moto bigtrail pela América do Sul. Vi muita gente com moto bacana, baús acoplados, e cheguei a ter aquela “inveja branca”. Quem sabe um dia? Mas, como tudo tem o lado B, a logística de roupa deve ser maluca, pois os caras chegam brancos de tanta poeira. E é justamente nessa condição que a Fiat Toro parece ficar mais à vontade. O carro é muito confortável e seguro. A suspensão nem toma “conhecimento” do piso irregular! Diversão pura é rodar alguns trechos com a tração 4×4 ligada.

A rota completa tem 1.240 quilômetros, ligando Puerto Montt à Villa O’Higgins, mas eu rodei “apenas” 700 quilômetros, com os seguintes destaques:

Puerto Tranquilo: com esse nome, não tive dúvidas. Se é tranquilo, é o lugar certo para dormir a primeira noite dentro da Toro, como uma barraca sobre rodas. A vila tem poucas ruas, hospedagens simples, posto de combustível e lugar para comer. Mas o principal é o pequeno porto, com lanchas que levam para o passeio de uma hora e meia até a catedral e capela de mármore. Muito interessante e bem diferente.

Reserva Nacional Cerro Castillo: parque de fácil acesso na beira da estrada. Vale a visita.

Coyhaique: cidade com estrutura, ótimo ponto de parada. O centro é movimentado e tem bons restaurantes. Na estrada tem indicação para a “Area de Protección del Huemul”. Trata-se de um local onde preservam e protegem o huemul, mamífero típico da Cordilheira dos Andes que corre risco de extinção.

Puyuhuapi: é um vilarejo criado em 1930, oriundo de uma política estatal que estimulava o povoamento daquela zona fria a partir da entrega de terras gratuitas a europeus imigrantes. Lugar simples, com pouca estrutura. Perto dali tem o Parque Nacional Queulat, com muitas trilhas que levam a cachoeiras maravilhosas. Dentro desse mesmo parque está o Ventisquero Colgante, glacial suspenso a 1.200 metros de altitude e com 19 quilômetros de extensão.

Partindo de Puyuhuapi, na direção norte, vem La Junta e Villa Santa Lucia. Como estava indo de novo para o lado Argentino, neste ponto deixei a Carretera Austral em direção a Futaleufú. Que grata surpresa! O trecho tem apenas 60 quilômetros, não é muito conhecido (pelo menos no Brasil), mas consegue a proeza de ser até mais bonita que a estrada principal e famosa. Margeando o rio Futaleufú, de águas agitadas que alternam tons de verde e azul, há muitas opções de hospedagem e diversão. Rafting é o esporte mais comum e vale muito a pena experimentar a modalidade. O lugar certamente é muito frequentado, e por gente de bom gosto!

Trecho da Carretera Austral em Puerto Tranquilo, Patagonia Chilena

Trecho da Carretera Austral em Puerto Tranquilo, Patagonia Chilena

 

Catedral de Mármore que fica no maior lago Chileno, o General Carrera. Puerto Tranquilo, Carretera Austral, Patagonia Chilena

Catedral de Mármore que fica no maior lago chileno, o General Carrera. Puerto Tranquilo, Carretera Austral, Patagonia Chilena

9. Villa La Angostura

De volta ao lado argentino da Patagônia, Angostura tem localização estratégica, com muita coisa legal por perto. Bariloche está 85 quilômetros ao sul. A 110 quilômetros ao norte, via ruta 40 (conhecida como Rota dos Sete Lagos) está a bela e movimentada San Martin de Los Andes, cidade bastante turística. A oeste, em território chileno, Osorno fica a 160 quilômetros via passo Samoré, uma belíssima estrada. Nesse ponto podem-se visitar vulcões e a região dos lagos, além da ótima cidade de Pucón.

O majestoso vulcão Osorno, no Chile

O majestoso vulcão Osorno, no Chile

 

Porto Bahia Mansa. Villa La Angostura, Patagônia Argentina

Porto Bahia Mansa. Villa La Angostura, Patagônia Argentina

Perto do lago Villarica tem praia de águas vulcânicas e o vulcão de mesmo nome. A caminhada até a parte alta do vulcão é impressionante, com neve pelo caminho e descida tipo “skibunda”. Para quem gosta de água quente, tem muitas termas. Pucón é o tipo de cidade que, apesar de pequena, oferece dezenas de opções ao turista, principalmente para quem gosta de esportes, neste caso.

Mas Angostura não é somente um hub para locais bacanas. Ela própria é bacana demais. Mais cerveja, vinho e restaurantes. A dica é conhecer a calma e paradisíaca praia da Bahia Mansa, a 3 quilômetros do centro. De lá saem passeios de barco e ainda tem o acesso à entrada do belíssimo Parque Nacional Los Arrayanes. Dentro desse parque está o último bosque da tal árvore no mundo. Isso, Arrayanes é uma espécie de árvore alta, com 18 a 25 metros de altura, casca fria, tronco gigante e folhas que servem para preparar infusão e acalmar dores musculares e intestinais (pelo menos é o que eles dizem lá). As árvores do parque têm idade estimada de mais ou menos 300 anos.

Praia Bahia Mansa, entrada do Parque Nacional Los Arrayanes. Villa La Angostura, Patagônia Argentina

Praia Bahia Mansa, entrada do Parque Nacional Los Arrayanes. Villa La Angostura, Patagônia Argentina

10. De volta ao Brasil

A viagem está ótima, mas a parte 3 termina aqui. No quarto e último post desta série, Eduardo continua sua aventura pela Argentina, agora já retornando ao Brasil. Não perca a conclusão dessa história, que – para variar – também tem fotos de cair o queixo. Até sexta-feira que vem!

 

Esta matéria pode ser encontrada no Mundo FCA, um portal para quem se interessa por tecnologia, mobilidade, sustentabilidade, lifestyle e o universo da indústria automotiva.

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