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“O que fiz em 2015. Como vejo 2016” Nossa conversa de fim de ano com Lucas Mello, da Live

- 22 de dezembro de 2015
Lucas Mello, da Live: "Arrisque-se e coloque-se em uma situação de desconforto. Se você tem esse sonho, não existe crise que vá impedi-lo de fazer acontecer. Adapte-se e seja enxuto, mas mire alto".
Lucas Mello, da Live: "Arrisque-se e coloque-se em uma situação de desconforto. Se você tem esse sonho, não existe crise que vá impedi-lo de fazer acontecer. Adapte-se e seja enxuto, mas mire alto".

Passar a régua neste ano de 2015 significa falar de crise e retração na economia. O Banco Central prevê inflação de 10,9% e queda de 3,6% do PIB este ano e o dólar já passa nos 4 reais (ante 2,80 de janeiro, quem se lembra?). A crise econômica pegou em cheio os negócios dos pequenos e médios empresários — 77% dos entrevistados de uma pesquisa encomendada pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria de São Paulo ao Datafolha dizem que temem ter de fechar seus negócios. Mas riscos sempre estiveram no cardápio do empreendedor. E nem só números se fazem os balanços do ano.

Por isso, estamos publicando uma série de conversas com empreendedores, makers, inovadores e criativos para saber como os negócios disruptivos se comportaram em 2015. Com as mesmas 10 perguntas para todos, queremos saber que transformações ocorreram, que aprendizados é possível tirar do ano, que estratégias foram criadas e usadas para superar dificuldades. É hora, sobretudo, de olhar adiante.

Seguimos a série com Lucas Mello, CEO da agência de publicidade e marketing digital LiveAD, primeira na América Latina a receber o Facebook Studio Awards, e sócio da holding de comunicação e inovação OGrupo, formada por Box1824 (de pesquisa em tendências e consumo), Profile PR (de relações públicas), TalkInc (de pesquisa na web), Aquiris (de games eletrônicos) e a própria LiveAD. Lucas já ganhou três leões em Cannes, foi o finalista do SxSW Interactive 2011 e foi selecionado, em 2013, pela ProXXIma como o profissional mais inovador da indústria brasileira de marketing e comunicação.

Se você tivesse que escrever um verbete sobre a atual crise brasileira, como você a descreveria?
Um dos maiores momentos de conscientização e revisão de valores que a sociedade brasileira já teve.

Como foi 2015 no seu quintal? Como a crise está afetando o seu negócio?
2015 foi um ano cheio de desafios e muita superação. Mas a crise acabou se tornando um grande motor para a agência e nos levou a conquistar clientes importantes que levaram nosso negócio para um novo patamar. Investimos muito e montamos uma grande área mídia de performance que virou o centro de muitas campanhas que fizemos para nossos clientes. Trouxemos um head de mídia novo para a agência que liderou todo esse movimento. Em tempos de crise, optamos por entrar de cabeça no negócio de nossos clientes e realmente ajudá-los a buscar o resultados. Criamos uma área de insights liderada por um estatístico que nos ajudou a estabelecer métricas claras para todos os investimentos de nossos clientes e trouxemos muito mais ciência para dentro do trabalho criativo pelo qual já somos reconhecidos no mercado. Olhando por este ângulo, a crise tem sido uma grande aliada para a nossa evolução.

Com que cenário você está trabalhando para 2016? Que medidas você tomou diante da crise?
Entraremos em 2016 100% focados nos nossos clientes. Hoje, temos os clientes com que sempre sonhamos. Trabalhamos com BRF, Unilever, Ben&Jerry’s, Nestlé, Natura e AmBev, algumas das maiores empresas do Brasil. Nosso foco principal continua sendo o de usar nossa estrutura de mídia, performance e analytics cada vez mais integrada com nosso poder criativo. Essa é a combinação vencedora em tempos de crise. Todos os clientes precisam de um uso inteligente e mensurável dos seus recursos. E todos precisam de soluções criativas e não convencionais para superar desafios de mercado com menos investimentos.

Crise traz mesmo oportunidades ou se trata apenas de uma ameaça?
Crise sempre traz oportunidades. E elas vêm justamente das ameaças. Quando nos sentimos ameaçados é que reagimos de forma mais forte e criativa. O que acontece é que em tempos de crise também há uma certa limpa no mercado. Os melhores, os mais competentes, crescem.

É na crise que fazemos uma revisão dos valores. Repensamos o jeito que sempre fizemos as coisas e somos forçados a experimentar novos caminhos

Para quem está no mercado digital, como a LiveAD, isso é uma oportunidade única.

Se você tivesse amanhã 1 milhão de reais para investir, o que faria com esse dinheiro?
Certamente investiria na nossa agência.

Se assumisse a presidência do Brasil em janeiro, no lugar da Dilma, o que faria no seu mandato até 2018?
A pergunta é difícil e eu jamais teria a qualificação necessária para uma posição como essa. O que falta para o Brasil hoje é um grande líder. Uma pessoa que tenha empatia com a situação que estamos vivendo e consiga reunir um grupo de políticos que, de fato, tenha o futuro do país como item número 1 de sua agenda. O primeiro passo é se amparar na população e pisar fundo na limpeza contra a corrupção e a impunidade. Este é o nosso maior problema, desde sempre. Agora as feridas estão expostas mas as amarrações políticas inviabilizam uma limpeza.

Precisamos apoiar o trabalho que a Polícia Federal está fazendo e colocar pressão para que a limpeza seja rápida e profunda. Isso pode levar o Brasil para a frente a longo prazo, por mais dolorido que seja neste momento

Ao mesmo tempo, é preciso avançar rápido na política econômica. O governo precisa cortar na própria carne e dar o exemplo. Nossa máquina pública está completamente sucateada, inchada e ineficiente. É preciso colocar pessoas competentes e dar-lhes autonomia e respaldo político para que consigam tomar as medidas que vão garantir a retomada do país. Um outro pilar importante é investir na educação das próximas gerações. Esse é, de fato, o único remédio para todos os nossos males crônicos. Sem educação os ciclos se repetem e não evoluímos como nação. E, por fim, eu aproveitaria o encontro da COP21 para começar a liderar mundialmente as questões de sustentabilidade do nosso planeta. O Brasil precisa assumir um papel protagonista nessas negociações. É agora ou será tarde demais.

O que você faz para se manter motivado em tempos como esses?
Confesso que, às vezes, dá desânimo ao ver as condições de trabalho que são dadas a empreendedores como eu neste país. Somos gladiadores em um ambiente completamente hostil e adverso. Ao mesmo tempo, acredito no Brasil e tenho certeza de que vamos sair dessa crise muito melhores como sociedade. O que me motiva é vencer dentro de um cenário adverso e também vislumbrar esse futuro melhor para o país. Acho que nós, que trabalhamos com comunicação, podemos contribuir. Temos um poder enorme de gerar desejo nas pessoas e acredito que podemos fazer a diferença gerando desejo pelas coisas certas. Se existe necessidade de mudança de atitude, de educação, de ética, acho que a indústria da propaganda pode ser um grande catalizador disso. Quero ajudar a fazer isso com o meu trabalho.

O que você faz para motivar quem trabalha com você?
Hoje temos uma equipe maravilhosa, um time muito unido, livre e ambicioso em relação ao seu trabalho. E todos que vêm pra LiveAD acreditam, assim como eu, que seu trabalho pode fazer a diferença no futuro do país e do mundo. O que faço para motivá-los é simplesmente ser extremamente fiel aos meus princípios como líder. Sou coerente, mesmo vivendo no imenso paradoxo que é a vida. E acredito que essa coerência e consistência do meu trabalho ao longo do tempo é, de alguma forma, uma fonte de motivação. O fato de estarmos todos juntos caminhando para a uma mesma direção é nossa grande motivação.

Quais são os três pontos que mais lhe incomodam no ambiente de negócios brasileiro?
O primeiro tem a ver com as questões tributárias versus o suporte que recebemos do governo. Hoje, meu maior sócio é o governo. Boa parte do ano trabalhamos para pagá-lo e o que temos em troca é praticamente zero. Não há qualquer apoio à população, ao empresário e às empresas de maneira justa e transparente. O segundo ponto tem a ver com a instabilidade do cenário político e econômico. É muito difícil prever, planejar e se programar dentro de um ambiente completamente instável. Isso prejudica muito o mercado e afeta diretamente os negócios de nossos clientes. O cenário de investimentos certamente seria outro se as empresas se sentissem mais seguras em relação a isso. E o último ponto tem a ver com o individualismo. Vejo o cenário empresarial muito individualista no país.

Poderia haver união e cooperação muito maiores entre os empresários e empresas brasileiras, principalmente dentro do que chamamos de Nova Economia.

Acredito que esse é um ponto que faria a diferença para todos.

O que você diria para quem está nos lendo agora e pensando em abrir a sua startup ano que vem?
Vá em frente. Arrisque-se e coloque-se em uma situação de desconforto. Se você tem esse sonho, não existe crise que vá impedi-lo de fazer acontecer. Adapte-se e seja enxuto, mas mire alto.

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