Para enfrentar o tratamento do câncer, Mayra Barra decidiu mudar seus hábitos alimentares

- 11 de janeiro de 2017
Mayra: “Não troco mais o prato de comida pelo de sobremesa”
Mayra: “Não troco mais o prato de comida pelo de sobremesa”

 

 

Foi um grande susto que levou a médica Mayra Barra, 38 anos, a uma mudança em seus hábitos alimentares. Ela mantinha alguns costumes havia muitos anos. Comia todo tipo de carne e arroz branco, mas evitava os verdes. “Meu prato nunca teve a parte da salada, no máximo uma rodela de tomate, um pedacinho de beterraba. Nunca incluí legumes nem vegetais”, diz Mayra. “Era um prato menos colorido.”

Um dos pontos fracos dela era o açúcar. Além do consumo de refrigerante, adoçava o café e sempre gostou de doces. “Principalmente chocolate”, diz ela. “Eu era capaz de trocar um prato de comida por um prato de doce. Os amigos costumavam falar que quando eu entrava para almoçar, olhava primeiro a sobremesa antes de decidir se ia comer.”

Apesar de eventuais abusos, ela nunca sentiu o impacto da alimentação sobre o corpo, ou pelo menos jamais fez relação entre as duas coisas. “Nunca reparei nisso”, diz. “O que acontecia às vezes, mais na infância, era que se eu exagerasse no chocolate poderia passar mal. Uma dor no estômago, mas nada além disso. Não parava para pensar ou correlacionar com a comida. Nunca foi o bastante.”

Mas o corpo de Mayra lhe pregou uma peça que exigiria que ela passasse a olhar de maneira diferente para os alimentos que estava ingerindo. No final de 2015, ela notou um líquido sendo expelido pela mama direita. Pelo conhecimento que havia adquirido na faculdade, sabia que aquele podia ser um mau sinal. “Fiquei desesperada.” Ela buscou um mastologista e apesar de exames iniciais não terem captado sinais de nódulos, a ressonância magnética apontou uma dilatação em um conjunto de vasos. Apesar de o médico sugerir que o quadro não indicasse sinal de malignidade, uma cirurgia de remoção revelou um câncer. Por conta de um linfonodo comprometido, ela também precisou fazer tratamento de quimio e radioterapia. Hoje, ela faz o controle com um tratamento hormonal.

Todo esse processo exigiu do organismo de Mayra, principalmente a quimioterapia. E foi aí que entraram as mudanças alimentares. “Com o baque inicial, de cara, emagreci três quilos. Quando recebi a notícia, fiquei com medo, triste. Mas quando me disseram da quimio, fiquei sem reação. Aí comecei a pesquisar algumas fontes que dizem que alguns alimentos podem ter influência na gênese de células cancerígenas. Alguns oncologistas dizem que sim. Outros que não. Mas mudei minha alimentação. Até porque sabia que com o tratamento, viria uma bomba. Busquei informações e me consultei com uma nutricionista.”

Mayra queria estar preparada para os efeitos colaterais da quimioterapia da melhor maneira possível. “A nutricionista falou, de cara, para eu tirar o glúten e a lactose. Passei a estudar rótulos, ver a composição dos alimentos. Passei fome no primeiro dia, descobri que tem glúten em tudo! Aí aos poucos comecei a descobrir um outro mundo, de receitas sem glúten, sem lactose. Descobri o leite vegetal, que passei a consumir no lugar do de vaca.”

Aos poucos, ela foi se empolgando com a mudança. “Nunca fui de cozinhar, e me meti na cozinha. Fiz um curso de culinária e me propus a experimentar outras coisas. Meu gosto também mudou. Eu gostava muito de chocolate ao leite e achava o cacau 70% amargo. Hoje, como tranquilamente, enquanto que o ao leite passei a achar de um gosto estranho, que não me agrada mais.” Vegetais foram introduzidos no prato diariamente e o açúcar foi reduzido de maneira geral, até na xícara de café. “Antes sempre colocava três colheres. Hoje coloco uma só, e do tipo demerara”, mais saudável.

“Ainda busco o equilíbrio”, diz Mayra. Mas as mudanças tiveram um impacto positivo imediato durante o tratamento de quimioterapia. “As primeiras quatro sessões foram as mais fortes. Comecei a fazer as trocas alimentares a partir da segunda, e já passei pela terceira de forma mais tranquila, em relação ao intestino, por exemplo. Então existe uma influência. Sinto que estou mais resistente imunologicamente falando. Houve também uma mudança positiva em relação ao colesterol e coisas mais sutis, como memória.”

Hoje, ela está bem. E algumas mudanças foram definitivas. Ela não chegou a se tornar vegetariana, mas reduziu o consumo de carne animal. Agora, o que ficou para trás de vez foi o grande consumo de doces. “Não troco mais o prato de comida pelo de sobremesa.”

 

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