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Produzindo alimento para tubarões – a Unilever que você não conhece

- 19 de maio de 2017
O Foods Tech Comitê, que organizou o primeiro Foods Startup Model da Unilever: Eloi Pierozan Junior, Beatriz Lima, Jéssica Safatle, Marina Risi (sponsor do projeto) e Marcelo Botelho
O Foods Tech Comitê, que organizou o primeiro Foods Startup Model da Unilever: Eloi Pierozan Junior, Beatriz Lima, Jéssica Safatle, Marina Risi (sponsor do projeto) e Marcelo Botelho

 

Se você atuasse na Unilever, a terceira maior empresa de bens de consumo do planeta, gerindo marcas líderes como Becel, Hellman’s, Knorr, Maizena, Kibon e Arisco, na categoria Alimentação (a empresa atua também com Cuidados Pessoais e Cuidados com a Casa), a coisa mais lógica a fazer em termos de negócios seria apostar no que já deu certo, e buscar a ampliação dos ganhos de escala em cima da oferta de valor estabelecida e do modelo de negócios que se mostrou vitorioso. Afinal, em time que está ganhando não se mexe, não é mesmo?

Pois os executivos da categoria Alimentação da Unilever, no Brasil e na América Latina, resolveram pensar um pouco diferente. Sim, é preciso ampliar as eficiências e os ganhos em cima da equação existente. Mas também é preciso pensar fora da caixa – no caso, das milhares de caixas de embalagem de marcas consagradas que estão à venda nas gôndolas de milhares de supermercados.

Tomar essa decisão é uma daquelas coisas fáceis de dizer e bem difíceis de fazer. Porque a inércia pede que você invista seu tempo e sua energia reproduzindo bem o que a empresa já faz bem – e não que fique empurrando a companhia para territórios desconhecidos.

Só que tem uma hora em que você percebe que é fundamental avançar em novos territórios. Ainda que isso implique riscos. Porque o maior dos riscos, como fica cada vez mais claro, é não correr risco nenhum. Da mesma forma, ficar parado na zona de conforto é uma decisão crescentemente desconfortável. Afinal, o mercado está mudando muito rápido.

Novas tecnologias entram em cena (e saem de cena) todo dia. Assim como novos comportamentos, novas ideias e novos ideais. O que faz com que os ciclos de mercado estejam sendo brutalmente encurtados – na velocidade das mudanças dos hábitos e das preferências de consumidores cada vez mais curiosos e menos fieis às tradições pétreas e às verdades arraigadas.

Uma grande empresa, estabelecida, pode olhar para esse cenário de instabilidade e enxergar apenas ameaça, e pode reagir apenas buscando defender suas conquistas dos novos tempos que batem à porta. Mas ela pode também enxergar oportunidades na disrupção, e pode reagir buscando realizar novas conquistas, abraçando os novos tempos com espírito de startup, de quem também pode brincar de ser a ameaça – e não de quem, por ser grande e estabelecido, se vê fadado apenas a sofrer a ameaça.

A solução encontrada pela categoria Alimentos da Unilever foi hackear o seu próprio sistema – por dentro.

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Eat Fresh, o projeto vencedor do Foods Startup Model: agradecimento emocionado e viagem internacional como prêmio-surpresa

 

Um grupo de jovens executivos, aglutinado a partir do seu ímpeto empreendedor, constituiu o Foods Tech Comitê, sob a supervisão de Marina Risi (à esquerda, na foto acima), diretora-sênior de Desenvolvimento de Marca de Alimentos Latam.

O Foods Tech Comitê – Beatriz Lima, Jéssica Safatle, Elói Júnior e Marcelo Botelho –, organizou o programa Foods Startup Model, uma ação inédita dentro da Unilever.

O Foods Startup Model reuniu em torno de 50 talentos da categoria Alimentos para, em parceria com a Perestroika, escola de cursos livres, serem sensibilizados e provocados em temas ligados à inovação e ao empreendedorismo. Depois os talentos se dividiram em grupos e produziram quase 400 ideias de novos negócios para a Unilever. Dessas ideias, oito projetos passaram à fase de pitch e prototipação.

Até que, agora em abril, seis meses depois do début do programa, em novembro do ano passado, seis propostas de novos negócios estavam prontas a serem apresentadas a um grupo de avaliadores – os “sharks”, ou tubarões, numa referência ao Shark Tank (“Negociando com Tubarões”), programa do Canal Sony.

Os tubarões eram, pela Unilever, Jorge Arilla, VP de Alimentos Latam, Marina Fernie, VP de Alimentos Brasil, Patrícia Amaro, diretora de e-commerce Latam, e Malu Orlando, diretora de Consumer and Market Insights Brasil. No cardume, alguns empreendedores: Wolf Menke, da House of All, Jorge Gonzalez, do Buzina Food Truck, Marcelo Scandella, da recém-lançada Bijousofia (ex-executivo da Unilever), além deste modesto escriba, que para chegar a tubarão ainda tem que comer muita sardinha.

Os sharks assistiram aos pitches e, atuando como investidores, ficaram responsáveis por decidir qual dos grupos receberia financiamento da Unilever para levar seu projeto adiante.

Os projetos deveriam estar alinhados com o propósito da categoria Alimentos da Unilever: “Tastes good, does good and doesn’t cost the Earth” (algo como: “É gostoso, faz bem e não acaba com o planeta”). Os negócios tinham ainda que ser autossustentáveis, ter potencial para crescer exponencialmente em um curto período de tempo, e requerer um baixo investimento inicial para começar a operar.

O pitch vencedor do programa Foods Startup Model foi o “Eat Fresh”, seguido de perto pelo “Organolive”. E mais detalhes não posso dar porque, a partir de agora, trata-se de segredo industrial. É novo produto sendo carpido. E o mais bacana: um segredo que em seguida será revelado ao mundo. Uma ótima ideia que foi gestada e que está sendo libertada do lugar mais inóspito para as ótimas ideias – o fundo de uma gaveta, uma página perdida dentro de uma moleskine, aquele cantinho de nossas mentes onde guardamos os sonhos que desistimos de realizar.

Um programa como o Foods Startup Model tem muitas virtudes. A abertura de espaço para o exercício da criatividade e da inovação pelos talentos internos. A visibilidade e o protagonismo oferecidos a esses profissionais. O acesso direto à alta gestão da companhia. A possibilidade de empreender recebendo salário, com o dinheiro do acionista, o que é um excelente modo de treinar a sua mão realizadora.

Uma das executivas envolvidas com a “Eat Fresh”, a startup vencedora, disse, emocionada, em seu discurso de agradecimento (os vencedores também receberam, como prêmio-surpresa, uma viagem internacional): “que bom que a gente ganhou, porque acreditamos tanto nessa ideia que íamos empreender por conta própria se a Unilever não comprasse o projeto”.

E eu pensei comigo: “Esse é o espírito, menina”.

E pensei também: “Esse é o espírito, Unilever.”

Parabéns.

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