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Que tal deixar de ser executivo na Globo para empreender com influenciadores digitais? É o que ele fez

- 7 de dezembro de 2017
João Pedro Paes Leme já entendeu que, no mundo digital, é preciso trocar a roda com o carro andando
João Pedro Paes Leme já entendeu que, no mundo digital, é preciso "trocar a roda com o carro andando".

É comum encontrar gente que decide empreender por ter dificuldade em se encaixar no papel de funcionário ou, ainda, aqueles que decidem fundar um negócio próprio por estarem descontentes com a vida que levam. Nada disso aconteceu com João Pedro Paes Leme, 49. Jornalista, ele foi repórter, correspondente internacional e abdicou dos holofotes (algo incomum no meio) para se tornar diretor da Rede Globo e, quando poderia se acomodar na aparentemente segura posição de executivo, decidiu então abdicar de vez da gigante do entretenimento para criar um novo ciclo. Em março deste ano, abriu a Take4 Content, uma empresa focada em conteúdo e em inteligência para plataformas digitais ou melhor: um empreendimento que tem em sua essência o gerenciamento e a curadoria de vídeos no YouTube — para marcas e influenciadores.

João Pedro divide o comando com o Cassiano Scarambone, 43, e com o nativo digital Luccas Neto, 25, youtuber irmão de Felipe Neto, 29, que é um fenômeno na plataforma de vídeos e que, mesmo não sendo sócio do novo empreendimento, tem atuação importante na empresa. Assim, a Take4 Content já nasce com um balanço interessante entre experiência e feeling no meio digital. João Pedro fala do estranhamento que seu novo negócio ainda gera:

“Muita gente me pergunta o que fazemos exatamente. Isso tem muito a ver com o fato de que 70% das profissões do futuro ainda não existem hoje”

De fato, o mercado que o empreendimento mira não era uma realidade há poucos anos e tem muito a ver com o amadurecimento de plataformas digitais e dos próprios influenciadores. Na Take4 há duas linhas de atuação. A primeira é a curadoria de conteúdo pura e simples para o YouTube – algo que pode ser feito para pessoas ou para marcas e empresas a partir do entendimento do público e da experiência. O segundo pilar é a inteligência digital, o trabalho com dados e algoritmos para alcançar os melhores resultados.

Felipe Neto é a principal aposta da Take4, especializada em influenciadores digitais.

Felipe Neto é a principal aposta da Take4, especializada em influenciadores digitais.

Nessa ponta a empresa conta com a Fan Hero, uma ferramenta de inteligência que serviu de base para o lançamento do aplicativo Felipe Neto no fim de setembro deste ano. A plataforma que garante ao influenciador certa independência das variações e imprevisibilidades do YouTube e onde ele consegue desenvolver relacionamento mais próximo com os fãs, que podem pagar pouco mais de 9 reais por mês para receber conteúdos exclusivos.

“É como se fosse um outro YouTube, mas com uma timeline que mostra um só canal, não uma série deles”, diz João Pedro, e prossegue: “O sistema também nos dá ferramentas para gerenciar melhor os canais que trabalhamos no YouTube, para entender o comportamento da audiência e, com inteligência artificial, traçar tendências claras para o futuro”

DESISTIR DO EMPREGO FIXO PARA FAZER… NADA

O empreendedor conta que a história da Take4 Content começou com uma inquietação pessoal, lá atrás. Entre cargos de repórter e de diretor do jornalismo esportivo na Globo, ele cobriu oito vezes os Jogos Olimpícos, cinco vezes a Copa do Mundo e seis temporadas da Fórmula 1. No meio do caminho, ele saiu da frente das câmeras e escolheu deixar a função e repórter para assumir um cargo executivo na emissora. João Pedro conta que tudo isso foi um período essencial de desafios e aprendizados, que terminaram no dia 1º de setembro de 2016, quando fechou de vez a porta da Globo — exatos 20 anos depois de ter pisado lá pela primeira vez.

João Pedro (entrevistando Guga Kuerten) primeiro abriu mão de ser repórter de vídeo para ser executivo. Depois, largou a Globo para empreender com youtubers na Take4.

João Pedro (entrevistando Guga Kuerten) primeiro abriu mão de ser repórter de vídeo para ser executivo. Depois, largou a Globo para empreender com youtubers na Take4.

Ele fala deste movimento: “Eu vinha pensando muito em dar um passo para mudar o rumo e empreender. Em certo ponto me toquei que continuava na empresa, mas só falava disso. Na minha cabeça eu tinha saído de lá um ano antes. Foi aí que avisei por lá que os Jogos Olímpicos de 2016 seriam o meu último trabalho ali”.

No processo de mudança, João Pedro foi tachado de maluco por abrir mão de algo que tanta gente deseja. “Todo mundo me achou louco: meus amigos, o Cassiano, o Felipe. Mas não teve jeito, eu estava muito convicto”, diz. Apesar de toda a certeza da necessidade de mudança, a verdade é que naquele ponto ele não sabia muito bem o que ia fazer da vida. Na real, ele trocou o emprego fixo por… nada. Por uma vontade, um desejo de transformar.

Como vive entre o Rio de Janeiro e Orlando, decidiu tirar dois meses sabáticos e ficar nos Estados Unidos tentando entender que caminho tomaria. Foi justamente lá que as portas se abriram. “Um amigo me apresentou para os fundadores da Fan Hero que queria trazer a empresa para o Brasil, mas não sabia como. Disse para eles que precisariam da ajuda de um grande influenciador digital e me propus a fazer esta conexão”, conta.

Na hora ele lembrou do Felipe Neto, com quem já tinha feito um trabalho na Globo anos antes. Ele entrou em contato e marcaram de se encontrar. Na época, Felipe também estava em uma entressafra: tinha vendido sua produtora, a Paramaker, para a francesa Webedia e há tempos não atualizava seu canal no YouTube. Os dois perceberam que trabalhar juntos poderia ser um caminho interessante. De ponte, João Pedro passou a ser elo da Fan Hero no Brasil e convidou Cassiano para o negócio. Já Felipe trouxe para a conversa o irmão, Luccas.

COMO É ENSINAR E APRENDER COM NATIVOS DIGITAIS

Sem medo de soar piegas, João Pedro diz que não poderia ter acertado mais. “Ficamos com um balanço muito bom entre a experiência em produzir conteúdo e a visão de nativos digitais com grande familiaridade com plataformas como o YouTube”, diz, assumindo que, para ele, a Take4 Content é aprender e ensinar o tempo todo. No caso da empresa, o bom e velho “casa de ferreiro, espeto de pau” não se aplica, já que decidiram começar o trabalho com influenciadores digitais dentro de casa.

Primeiro fizeram o mais óbvio, retomar o canal do Felipe Neto que com isso saltou de 4,5 milhões de inscritos para mais de 16 milhões. Para tanto, ele deixou de lado as polêmicas e os óculos de sol que usava nos vídeos antigos e adotou linha mais amena para falar com seu público, que, em geral, vai de crianças a jovens de 20 e poucos anos. “O Felipe é muito inteligente, mas tinha colado sua imagem à daquele cara ranzinza. Não sabemos se este foi um grande erro ou acerto, mas fomos em outra direção”, conta. Orientado por João Pedro, ele parou ainda de falar palavrões em seu canal e adotou mais cuidado para escolher os temas que abordaria ali. Adotaram, também, um ritmo (enlouquecedor) de 60 vídeos mensais. O agora empreendedor de youtuber, diz:

“Tanto o YouTube quanto a audiência amadureceram. Então, a fórmula do que funcionava antes também precisa se renovar”

Ele prossegue: “Vemos influenciadores que foram pioneiros há alguns anos, mas agora não conseguem se reinventar porque ficaram reféns das mesmas polêmicas. Para o Felipe, foi libertador fazer essa transição”, conta, dizendo que o canal dele tem audiência consideravelmente superior à da televisão por assinatura no Brasil.

Em paralelo, a empresa investiu ainda no canal do Luccas Neto, onde são postados 45 (!) filmes por mês, volume que já garantiu ao influenciador lugar entre os mais recentes fenômenos do YouTube, com mais de 10 milhões de seguidores dispostos a vê-lo cumprir desafios como atravessar uma ponte de boias na piscina no maior estilo Olimpíadas do Faustão. “É um público mais infantil que complementa a audiência do Felipe”, afirma João Pedro. Ele diz que o canal recebe 35 mil novos inscritos por dia.

Como se não bastasse, em agosto o time lançou o canal Irmãos Neto, que bateu recorde global ao atrair 1 milhão de inscritos em menos de 24 horas – hoje mais de 5,5 milhões de seguidores acompanham os 15 vídeos postados mensalmente.

UM NEGÓCIO LUCRATIVO EM NOVE MESES

Os resultados com os dois superstars do YouTube foram o principal argumento para que a Take4 Content conseguisse atrair clientes. A empresa conquistou o gerenciamento do canal do Magazine Luiza e conseguiu inflar em 450 mil o número de inscritos em cinco meses. A exibição dos vídeos, que não saía da casa de alguns milhares, agora frequentemente passa de um milhão. A empresa focou em entretenimento e inclusão digital ao usar linguagem simples para falar de tecnologia e criar uma personagem, a Lu, para ser a cara do canal. Em uma das ações, a própria Luiza Trajano, fundadora da companhia, emprestou seu carisma à plataforma em um vídeo em que reproduz alguns memes de que foi “vítima” e personagem.

João Pedro, Luccas e Cassiano apresentam o canal dos Irmãos Neto, um fenômeno do YouTube que ganha 35 mil seguidores por dia.

João Pedro, Luccas e Cassiano apresentam o canal dos Irmãos Neto, também um fenômeno do YouTube.

Outro freguês da casa é o canal Zico 10, do lendário jogador de futebol, que em poucos meses no ar já se aproxima dos 400 mil inscritos. Ao todo, João calcula já somar sete projetos importantes no portfólio. “Temos outros dois clientes quase fechados”, conta. Os bons resultados já fizeram da Take4 Content um negócio lucrativo, apesar da história ainda curta. “Começamos com investimento inicial do Cassiano e estava preparado para ficar alguns meses sem a entrada de uma renda, mas felizmente já atingimos ponto de equilíbrio. Poderíamos fazer retiradas, mas estamos reinvestindo no negócio”, diz. Ele afirma, também, que hoje existe até mais demanda do que pensava inicialmente haver.

Ele diz que há alguns formatos para a geração de receita na Take4. Um deles é a remuneração do próprio YouTube para os influenciadores, campanhas publicitárias e patrocínios nos canais dos irmãos. Outra fórmula é o pagamento que recebem pela gestão do canal de outras personalidades ou marcas, como acontece com o Zico e o Magazine Luiza. Há, ainda, as receitas geradas pelo aplicativo do Felipe, que já teve mais de um milhão de downloads (parte deste público paga uma assinatura). Outro pilar, menos relevante em termos de faturamento, é o licenciamento de produtos dos irmãos e parcerias como a mantida com a marca carioca Reserva. “Também temos um e-commerce que planejamos movimentar nos próximos meses”, conta.

Para dar conta de tantas frentes, a Take4 Content, que começou a operar com time de 20 pessoas, hoje já conta com mais de 50 funcionários, além dos colaboradores que trabalham mais diretamente com os irmãos Neto. João Pedro, por sua vez, está se acostumando com o ritmo mais acelerado e cheio de transformações do mundo digital. “É um segmento que não teve crise. Como comparação, quando deixei de ser repórter para me tornar executivo na Globo a mudança foi mais difícil”, diz.

Para ele, ter um negócio é um certo balanço do que aprendeu em cada uma das posições. “Como correspondente, eu precisava ter essa visão do todo porque cuidava de um núcleo e, como executivo, fui muito empreendedor dentro da Globo, sempre criava e implementava ideias”, conta. Ele diz não lembrar de ter cometido nenhuma grande escorregada nestes primeiros meses à frente da Take4 Content, mas admite que os pequenos tropeços são cotidianos:

“Há erros de todas as naturezas. O ritmo do universo digital é muito acelerado”

Ele cita, por exemplo, desde o atraso de seis meses para o lançamento do aplicativo do Felipe Neto até a necessidade de mudar de escritório pouco depois de terem se instalado. “Quando alugamos, o Felipe disse que a gente precisava de um lugar maior. Eu não acreditei e ele estava certo, estamos de mudança para um novo espaço porque a empresa está crescendo.” João Pedro diz que sempre se planeja para não precisar trocar a roda com o carro andando, mas que já entendeu que isso é parte da rotina em um negócio da internet.

Aparentemente, só o que falta na carreira de João Pedro é virar, ele próprio, um youtuber. Ele recebe a ideia dando risada. “Olha, confesso que já pensei nisso. Seria uma volta completa às origens”, diz, lembrando dos anos em que esteve à frente das câmeras como repórter. “Talvez um dia, mas hoje a vida de empreendedor não deixa espaço para isso. Só se mostrasse o meu dia a dia.”

DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Take4 Content
  • O que faz: Gerencia e faz curadoria de canais no YouTube para marcas e influenciadores
  • Sócio(s): João Pedro Paes Leme, Cassiano Scarambone e Luccas Neto
  • Funcionários: 54 (incluindo os sócios)
  • Sede: Rio de Janeiro
  • Início das atividades: março de 2017
  • Investimento inicial: NI
  • Faturamento: NI (as receitas crescem 59% ao mês)
  • Contato: contato@take4content.com
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