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Que tal uma empresa que lucra trazendo milhares de outras para o mundo digital? Esta é a Elefante Verde

- 23 de dezembro de 2014
Fábio e Caio, os sócios-fundadores, no QG da empresa em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo.
Fábio e Caio, os sócios-fundadores, no QG da empresa em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo.

Muitas vezes, o diferencial de um empreendedor está em olhar para um cenário conhecido e ser capaz de enxergar o que os outros não veem. De acordo com o Sebrae, existem cerca de 9 milhões de pequenos empresários espalhados pelos quatro cantos do País. Juntos, os donos de padarias, pequenas butiques, salões de beleza ou lanchonetes com renda bruta anual de 360 mil a 3,6 milhões de reais, são responsáveis por 27% do PIB do país. Para Caio Sigaki, 31, porém, o mais relevante disso tudo é que 70% dessas mesmas empresas não têm presença online. Ainda usam panfletos, placas de rua e lista telefônica — e são o público preferencial da sua Elefante Verde.

Formado em Sistemas de Informação, Caio é uma daquelas pessoas que sempre quis ter o próprio negócio. Extremamente focado, desde os 20 anos investia de 30 a 40% de seu salário todos os meses na bolsa de valores, para um dia ter dinheiro para empreender. Trabalhou na área de TI da Thomson & Reuters e, em seguida, buscou uma franquia de cursos de pré-vestibular, o Prepara Cursos, para ter sua primeira experiência como empresário.

“Foi a primeira maneira que encontrei de empreender. Era um modelo seguro, e como eu não tinha muita noção de como montar meu próprio negócio, achei que seria um bom início”, diz. Porém, como todo bom criativo, ele teve problemas para se enquadrar no modelo de franquias, rígido, que não permitia mudanças ou melhoramentos.

De olho no mercado e movido pela vontade crescente de abrir a própria companhia, Caio e Fábio Duran, seu sócio e amigo, perceberam o boom de sites de compras coletivas no final de 2010 (quem se lembra da febre do Peixe Urbano?). Os dois colocaram-se o desafio de criar um modelo que pudesse agregar valor não só para o pequeno empresário, mas também para usuário. Queriam criar algo pioneiro no mercado. No começo de 2011, o Elefante Verde estava pronto para ser lançado.

A empresa oferece, basicamente, os cinco serviços essenciais para uma pequena empresa potencializar sua operação estabelecendo presença online: site, ranqueamento no Google, e-mail marketing, elaboração e venda de cupons promocionais e espaço para avaliação dos usuários das plataformas.

“Nosso objetivo é democratizar o acesso ao marketing digital do micro e pequeno empresário. Nosso público é aquele que antes se concentrava em distribuir panfletos e colocar seu número na lista telefônica”, afirma Caio.

Equipe da Elefante Verde na Rocinha, a maior favela do Brasil

Equipe na franquia da Rocinha: em dois meses, 2 mil microempresários dali entraram no mundo digital via Elefante Verde.

O Elefante Verde não apenas coloca as empresas online, mas também dentro de uma comunidade virtual onde há outras empresas e consumidores ativos, trocando informação. É o que acontece no site do boteco Coronel, que contratou o serviço. O valor mensal dos pacotes varia de 59 a 300 reais, dependendo da quantidade de itens contratados. Mas o modelo de negócios desenvolvido pelos criadores se sustenta na venda de franquias da marca, para que vendedores autorizados espalhem o serviço pelos quatro cantos do país.

HORA DE DERRUBAR BARREIRAS

Apesar de sua experiência pessoal não ter sido muito animadora como franqueado, rapidamente Caio perceberia que a sua empresa poderia ter um bom retorno oferecendo justamente franquias da marca. “Nossa ideia inicial não era trabalhar por meio de franquias, mas percebemos que nosso modelo era tão inovador que valeria a pena transformá-lo em algo vendável”, diz.

Antes de oferecer a alternativa ao mercado, Caio e o sócio tomaram lições com uma consultoria de franquias e fizeram testes do modelo na cidade natal de Caio, Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo. Em junho de 2012, o Elefante Verde vendia sua primeira franquia em Ponte Nova, Minas Gerais. Era mais que isso: a primeira franquia online do Brasil. Caio explica que a inovação veio de uma necessidade:

“O modelo de franquias foi necessário porque nossos compradores estão fora da internet. Toda a nossa prospecção é feita de porta a porta, para depois mostrar para eles o que a presença online pode fazer pelos seus negócios”

No sistema de franquias, a plataforma é invariável: o Elefante Verde customiza o layout, basicamente cores e logomarca, de acordo com o franqueado. Este, por sua vez, compra o direito de explorar o domínio do site – sempre pelo endereço www.elefanteverde.com/nome da empresa – na cidade ou região em que está localizado. Ali, só ele poderá prospectar novos clientes para a plataforma.

Na hora de trazer clientes para o mundo digital, parcerias com associações comerciais e divulgação do Elefante Verde pelos meios offline são as principais estratégias. Muitas vezes, o velho e bom telefone para agendar uma visita ainda é a única forma de chegar até um possível cliente. Aí reside mais uma ironia: quando o tradicional e analógico é a maneira mais eficiente para se chegar ao digital.

Com essa estratégia, hoje a Elefante Verde está presente em 5.561 cidades do Brasil. São, ao todo, 51 franquias, incluindo um inédito projeto na Rocinha, no Rio de Janeiro. A ideia vem de uma parceria com o Grupo Carteiro Amigo, que desde o ano 2000 leva correspondências em pontos onde os Correios não chegam da maior favela do Brasil, já que as casas da comunidade não têm endereço regular. Lá, em apenas dois meses de atuação, a Elefante Verde já proporciona divulgação online a mais de 2 mil pequenos empresários que têm seus negócios no local.

A Elefante Verde foi uma das selecionadas para a Techmission 2014. "A experiência no Vale do Silício foi excelente", conta Caio.

Empreendedores brasileiros escolhidos para a Techmission 2014. “A experiência no Vale do Silício foi excelente”, conta Caio.

“No ano passado, a empresa dobrou de tamanho. Esperamos chegar a 2018 com 1 000 franquias e atingir 100 mil clientes não só no Brasil, mas também em países vizinhos da América Latina”, afirma o incansável Caio. O cenário que ele vê hoje dá motivos tal otimismo: de um lado existe uma demanda incessante de acesso à internet e, do outro, uma presença ínfima deste segmento específico na web – o que torna o Elefante Verde um caso de sucesso.

Em agosto deste ano, a empresa foi uma das 200 inscritas no processo seletivo para a Techmission e foi uma das escolhidas para o programa de imersão na cultura do Vale do Silício. “Visitamos empresas como Google, Ideo, Zendesk. Tivemos contato com diversos fundadores, além de visitar alguns fundos de investimento como a Accel Partners, que investiu no Facebook. Tivemos aula em Stanford, além de mentoria de como fazer um bom pitch. Também tivemos a oportunidade de nos apresentarmos em um evento específico do Techmission para diversos fundos de investimento interessados no Brasil”, conta Caio.

SUPERANDO OS ERROS

Durante um ano, toda a receita que entrava era reinvestida na própria empresa. Apesar de duro, o modelo permite que o negócio produza renda desde a sua fundação por meio da taxa de franquia e dos royalties que a matriz recebe – o break-even da companhia foi atingido no meio deste ano. Na matriz da Elefante, que fica em Mogi das Cruzes, a equipe de 16 funcionários se divide entre o time de desenvolvimento, de suporte e atendimento aos franqueados, o comercial e o time de testes da unidade piloto – cobaias de todas as inovações que a equipe de criação elabora.

Mas, apesar do cenário positivo, o percurso da Elefante Verde teve grandes percalços – especialmente o financeiro. Como Caio conta:

“A gente não tinha capital provindo de um fundo de venture capital e dependia muito de nossas próprias vendas para crescer. Uma vez, passamos dois meses sem vender nenhuma franquia. Tiramos dinheiro de cheque especial, das nossas contas pessoais, para pagar os salários dos funcionários”

Para ele, o mais difícil era não deixar a equipe perceber o momento de dificuldade financeira que a empresa atravessava. Passar pelo estresse e agir como se tudo estivesse bem foi uma das tarefas necessárias a Caio e Fábio como gerentes de equipe. Daí também vieram lições orçamentárias. “Uma startup em fase de crescimento pode até ter faturamento, mas quebra se não tiver capital de giro”, diz Caio.

Ele também admite que poderia ter sido mais cauteloso. “Triplicamos de tamanho nos últimos dois anos, mas passamos muito perrengue, reinvestíamos até dinheiro que não tínhamos e nunca ficávamos tranquilos. Mas também, quem não está pronto para assumir o risco, não está pronto para empreender”, afirma Caio, dono de uma personalidade de rara convergência: superousado e aventureiro, mas com uma calma e objetividade de quem parece saber exatamente aonde quer chegar. Talvez feito um elefante?

draft card ELEFANTE

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