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Descubra como a Together transforma o sonho de um mundo melhor em realidade — e em um negócio

- 21 de outubro de 2014
Renato, Dudu e Elenice, os três sócios da empresa

Trabalhar com conceitos novos e comumente bastante abstratos é um dos grandes desafios numa era em que a certeza dá lugar à experimentação profissional. Por exemplo, pensar em usar a tecnologia digital para construir um planejamento estratégico que gere mobilização e transformação social a longo prazo pode parecer um objetivo quase utópico. Existem empresas, porém, que querem chegar lá. São startups como a Together, de Renato Guimarães.

“Ter a boa ideia, o interesse e a vontade é fundamental, mas para conseguir a verdadeira mudança é preciso trabalhar de forma sustentável e organizada”, afirma Renato, jornalista, 45 anos. Ele e os dois sócios, Elenice Tamashiro, baseada em São Paulo, e Dudu Torres, instalado no Rio, conduzem a Together praticamente de forma virtual, se juntando apenas quando precisam entregar um projeto maior. Para o dia-a-dia, contam com a ajuda de uma rede de colaboradores, específicos para cada tipo de atividade.

Mas qual é, de fato, o produto da Together? “Somos uma empresa de consultoria. Criamos estrategistas, pessoas que juntem tecnologia, design, estratégia e propósito. Ajudamos pessoas e empresas a entenderem os desafios e oportunidades que determinado tema evoca, fazer uma boa análise da conjuntura e, a partir daí, propor soluções que melhorem determinado cenário”, diz Renato.

Ele sempre trabalhou com comunicação estratégica em associações da sociedade civil. Começou a carreira no Greenpeace. Depois, ficou oito anos na organização internacional de erradicação da pobreza Oxfam de Lima, no Peru. Nessas instituições, aprendeu formas de mobilizar pessoas para as causas que representava.

NA DIFICULDADE, A CRIATIVIDADE

Quando decidiu voltar para o Brasil, no fim de 2008 e auge da crise econômica, veio atrás de mudança. Veio com um filho recém-nascido e outro de oito anos, nascido no Brasil e criado no vizinho andino. Totalmente adaptados ao Peru, teve de recomeçar do zero. O país tinha um custo de vida muito alto e o mercado estava fechado, sem oportunidades de trabalho nas empresas. Renato estava sem contatos. Era um período difícil, mas que o obrigou a ser mais criativo do que nunca.

Together

Promovido pela Together, o encontro de co-criação para discutir sobre o lixo aconteceu na Laboriosa 89

Decidiu, aproveitando a adversidade, se juntar a um grupo de consultores de diversas áreas chamado Gestão Origami. Eram mais de 30 sócios, e todos eles já haviam ocupado cargos sêniors em empresas e todos partilhavam desta mesma insatisfação com o modus operandi das rédeas corporativas — queriam, basicamente, construir uma coisa nova. Foi aí que Renato começou a trabalhar com corebusiness de grandes empresas privadas, que é tornar a sustentabilidade algo relevante para a própria sustentabilidade da empresa.

Saiu do Origami para o Banco Mundial, onde trabalhou diretamente com comunicação de relações com a sociedade civil, que financia grandes investimentos – e tem grande impacto na sociedade. “Tudo estava indo bem, mas vi que não era ali que eu ia conseguir fazer as grandes transformações que estava buscando, tanto na minha vida quanto na sociedade. Foi aí que conheci a agência Purpose, quem inventou a metodologia de criação de movimentos sociais”, diz Renato. Neste ponto, ele chega ao conceito chave do que viria a se tornar o seu negócio: os criadores de movimentos.

CONHECER, SE INSPIRAR, IR ALÉM

A Purpose está por trás da fundação de movimentos como o Meu Rio e Minha Sampa, campanhas de mobilização dos cidadãos do Rio e São Paulo em favor de suas cidades, e Renato foi contratado para ser estrategista da empresa no Brasil. Lá, conheceu Elenice e Dudu, que se tornariam seus sócios na Together. “A Purpose estava em Nova York e havia uma dificuldade logística de alocar capital humano e financeiro a cada vez que eles faziam um projeto aqui. Então, decidimos criar uma empresa de brasileiros que conhecesse a nossa própria realidade”, conta Renato.

Além da elaboração de movimentos, a Together tem outra frente, que chama de social hackers. Eles acreditam que além do ativismo direto, de embate, que é mais conhecido pelo público em geral, as pessoas podem ser ativistas em seu cotidiano. “Se você percebe que algo precisa ser mudado e melhorado, como você mobiliza as pessoas que estão perto de você para concretizar essa transformação? Qual vai ser o impacto desta mudança para você e para a sociedade? Nós podemos te ajudar a descobrir isso”, diz.

Renato propõe desfocar do problema para a solução: sair do que vai mal e ir para como fazer com que aquilo vá bem. E é sem esquecer o sonho que ele conduz a realidade do dia a dia da Together, startup que surgiu entre os dias 23 e 24 de dezembro de 2013. Criaram o nome, o conceito e a logomarca da empresa conversando por Skype de madrugada e na manhã do dia seguinte já estava tudo pronto. Um cliente já havia entrado em contato com Renato para o que seria a primeira consultoria da Together, que começou no dia 6 de janeiro.

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Outro workshop de co-criação, aqui com representantes dos associados do GIFE

“Nosso primeiro job foi criar um movimento de engajamento no cidadão de São Paulo com relação ao lixo que produz. Ele precisa entender que o lixo é dele. Se ele compra um produto, parte do produto é a embalagem, que lhe pertence. Fizemos o planejamento estratégico com um período extenso de pesquisa e entrevistas para delinear nosso público e que tipo de campanha o mobilizaria. O movimento deve estar nas ruas no próximo ano”, diz Renato, orgulhoso.

A Together é uma empresa privada, e como tal, cobra uma taxa quando é contratada para realizar um serviço. Há dois parâmetros básicos para eles: ter os menores custos possíveis – poucos funcionários, home offices – e trabalhar em parceria com colaboradores. O maior investimento de cada um dos três sócios é a dedicação exclusiva à empresa e a formação de uma rede de consultores de confiança e qualidade. Eles pretendem montar um espaço em breve para cursos de formação e especialização de pessoas, e estão em fase de negociação para sublocação de um dos espaços da Giral.

Mesmo sem terem investido nada financeiramente, há momentos complicados na vida dos empreendedores – especialmente porque são uma empresa de consultoria, segundo Renato. “O mais difícil é a variação. Tem momentos em que temos três projetos para entregar, e há meses que não temos nenhum. Você tem que tentar se preparar para os momentos de baixa, mas quem está começando ainda não tem reserva em caixa”, diz.

“É preciso ser resiliente: se na primeira dificuldade você já vai procurar um emprego com carteira assinada, nunca vai conseguir consolidar seu negócio. Tem que remar contra a maré”

Atualmente, a Together toca três projetos: um é sigiloso, outro é com a WWF e outro com o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE). A ideia não é das passos além das pernas, mas crescer pouco a pouco, testando o que dá e não dá certo. “Eu gostaria de trazer o sonho para a equação de negócio das empresas. Passamos a tirar o sonho do longo prazo e a pensar só no curto prazo, isso é o que mais queremos mudar. Queremos fazer as pessoas pensarem em como será o mundo depois que elas conseguirem atingir a transformação que buscam”, diz Renato.

Parece utopia, mas é negócio.

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