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Como usar bem seu 13º – aproveite as promoções de fim de ano, mas sem se endividar

- 24 de novembro de 2017
O economista Luiz Gustavo Medina: "Talvez a Black Friday esteja revelando e educando um consumidor mais antenado, que não se deixa enganar ou seduzir tão facilmente.”
O economista Luiz Gustavo Medina: "Talvez a Black Friday esteja revelando e educando um consumidor mais antenado, que não se deixa enganar ou seduzir tão facilmente.”

O 13º Salário é mesmo uma alegria. E, muitas vezes, um alívio providencial nas contas do ano. A questão é: como usar esse reforço  no orçamento a seu favor, de modo a entrar em 2018 sem dívidas, e também sem deixar de aproveitar as ótimas promoções de fim de ano que têm seu pico com o Black Friday, que está acontecendo hoje, sexta-feira (24)?

“O 13º sempre sempre vem a calhar”, diz o economista Luiz Gustavo Medina, colunista do jornal Gazeta do Povo e da rádio CBN, onde apresenta também o programa “Fim de Expediente”. “Há uma discussão filosófica enorme sobre o 13º Salário, se isso é um benefício de fato, se é uma forma de proteger o trabalhador do patrão ganancioso ou se sem ele, ou sem o FGTS, os salários poderiam ser melhores e o desemprego seria menor. Mas está fora de questão discuti-lo agora, às vésperas de eleição e em um ano em que a perda de direitos gerou tanta polêmica.”

O 13º surgiu no Brasil em 1962. O projeto de Aarão Steinbruch, que tornava obrigatório o pagamento do “abono natalino” aos empregados do setor privado, era baseado no que algumas empresas já o praticavam com seus funcionários. Desde então, o 13º se tornou uma instituição nacional, tanto que moldou o modelo mental dos trabalhadores brasileiros e como nós consumimos e organizamos nossas contas.

Atualmente, o “abono natalino”  responde por 3,2% do Produto Interno Bruto do Brasil. Por conta dele, até o fim de 2017, por exemplo, é esperada uma injeção de R$ 200,5 bilhões na economia brasileira. É esse dinheiro que vai gerar o crescimento esperado de 4,8% no consumo das famílias no Natal, assim como a expansão de 12% aguardada para as vendas online na Black Friday.

A “Sexta-feira Negra” é uma tradição do varejo norte-americano desde o início dos anos 1950, quando as lojas passaram a queimar seus estoques, renovando as prateleiras para as promoções de Natal. “No Brasil, a Black Friday surge com essa característica online bem desenvolvida”, diz Luiz Gustavo Medina, se referindo ao fim de ano de 2011, quando as vendas saltaram de 142 mil para 237 mil pedidos online em 24 horas, registrando a maior venda do ano.

Desde então, a data só tem crescido em importância: “E de fato, ela acabou se mostrando excelente para o brasileiro que hoje espera o Black Friday para trocar a televisão ou a geladeira, usando a primeira parcela do seu 13º. A verdade é que a data, para o varejo online, desbancou o Natal com a janela de vendas mais importante do ano.”

Com tanto apelo (e oportunidade) para compra, Medina afirma que o melhor para o consumidor é ser “racional”, tanto nas redes quanto nas lojas físicas: “Com o dinheiro do 13º em mãos, o risco é cair na velha ilusão do outlet – a pessoa precisa de uma calça, mas se entusiasma com o preço e acaba levando quatro, como se não fosse haver amanhã. Depois, tendo gastado o dinheiro, só usa a única calça de que precisava.”

Para prevenir frustrações, o site de defesa do consumidor Reclame Aqui divulgou uma cartilha com informações importantes para o consumidor se divertir – sem se afogar – na maré das promoções:

1. Confira se os produtos estão realmente em oferta ou se o preço está embutido, por exemplo, no valor do frete.

2. Evite gastos impulsivos. Atenha-se ao que você precisa. Faça as compras que planejou. E mantenha sob controle a compulsão de levar tudo que lhe chamar a atenção. 

3. Pesquise antes de fechar negócio. Uma oferta ainda melhor pode estar a um clique de distância.

4.  Informe-se sobre a reputação do vendedor.

5. Faça captura de telas com as promoções e salve os comprovantes de compra. Documente bem as transações para o caso de eventuais problemas.

Medina define o brasileiro como um típico ocidental “consumidor”, em oposição ao oriental “poupador”, e diverte-se lembrando do caso de uma amiga que comprou uma torradeira oficial da série Star Wars porque foi seduzida por uma promoção “imperdível”. O detalhe é que ela não come pão. “Faltou razão diante da emoção”. (A torradeira devia ser o máximo, mas, como fica claro, essa consumidora realmente não precisava dela…).

Ao mesmo tempo, os cinco anos de Black Friday aqui no Brasil começaram a moldar o que pode ser um novo comportamento dos consumidores. Em pesquisa do Ibope Conecta encomendada pelo Mercado Livre, 83% dos consumidores declararam planejar suas comprar para a data, e 93% desses já se programaram financeiramente. Em outro estudo, 47% das pessoas responderam que pretendem pagar “à vista, no boleto”. “É uma surpresa, em um país em que a praxe é ter primeiro o desejo, e só depois o dinheiro”, diz Medina. “Mas talvez a Black Friday esteja revelando, e até mesmo educando, um consumidor mais antenado com modelos e preços, que não se deixa enganar ou seduzir tão facilmente, embora seja tão imediatista e consumista quanto sempre fomos.”

Medina diz torcer para que o consumo consciente mude a cara do Brasil. “Seria ótimo se conseguíssemos romper esse ciclo que sempre alterna euforia e depressão, entre períodos em que compramos tudo o que vemos pela frente, como se o mundo fosse acabar, e períodos de inadimplência e finanças pessoais em frangalhos. Seria melhor para todo mundo que conseguíssemos amadurecer, tanto na ponta de quem está comprando quanto na ponta de quem está vendendo”, ele diz.

Isso posto, não deixe de aproveitar as promoções da Black Friday. É o melhor momento do ano para você comprar o que precisa. E também uma excelente oportunidade para você exercitar o autocontrole diante daquilo de não necessita…

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