SPONSORS:

Verbete Draft: o que é Arduino

- 27 de julho de 2016
Se o movimento maker é o que é, deve muito ao Arduino, a ferramenta que tornou a robótica e o desenvolvimento de protótipos algo muito mais simples e acessível. Conheça essa história.
Se o movimento maker é o que é, deve muito ao Arduino, a ferramenta que tornou a robótica e o desenvolvimento de protótipos algo muito mais simples e acessível. Conheça essa história.

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

ARDUINO

O que acham que é: Um tipo de hardware.

O que realmente é: Arduino é uma pequena placa eletrônica, open source (de código aberto) e de baixo custo usada para a criação de projetos interativos de hardware e software. Chamado de plataforma e ferramenta, permite a conexão, de forma simplificada, entre o universo da computação e dispositivos físicos, já que é capaz de ler inputs (como a luz de um sensor, o dedo em um botão, uma mensagem no Twitter) e transformá-los em outputs (como a ativação um motor, de uma luz de LED, uma publicação). O Arduino roda em todos os sistemas operacionais e é uma das principais plataformas utilizada por makers do mundo todo, que são os seus principais usuários.

A ferramenta é composta por um controlador, algumas linhas de entrada e saída — digitais e analógicas—, além de uma interface serial ou USB e utiliza linguagem de programação padrão. Um texto da iMasters, comunidade de usuários, diz: “Com uma placa Arduino em mãos, tudo que você precisa para começar a trabalhar com ele é fazer o download do ambiente de desenvolvimento em seu computador e conectá-lo através do cabo USB. Depois disso, basta ler alguns tutoriais que em alguns minutos você estará rodando o seu primeiro programa.”

Karla Soares, jornalista e especialista em Cibercultura e Comunicação em Redes, fala que o Arduino permite a criação de aplicações robóticas para o dia a dia. “Ele foi uma forma exitosa de popularizar a robótica, já que é uma ferramenta barata que permite a qualquer pessoa criar aplicações a partir do hardware.” Todo dia 2 de abril é comemorado o Arduino Day, evento mundial que reúne e conecta toda a comunidade em torno da ferramenta. Este ano aconteceram 331 eventos em 68 países. No Brasil, foram 51 eventos em várias cidades.

Quem inventou: Massimo Banzi, David Mellis, Tom Igoe, Gianluca Martino e David Cuartielles, em parceria com o estudante colombiano Hernando Barragán (que escreveu uma tese sobre o feito), todos do Interaction Design Institute Ivrea, na Itália. Segundo Murilo Zanini, professor de Mecatrônica Industrial da Fatec (Faculdade de Tecnologia do Estado) de São Bernardo do Campo, o nome da ferramenta foi escolhido por ser parte do nome de um bar frequentado por seus criadores:  “Além disso, por Arduino ter sido um rei italiano”.

Quando foi inventado: Em 2005, mas tem raiz em projetos feitos anteriormente pelo Ivrea diante da necessidade de uma ferramenta mais moderna e acessível do que as então disponíveis no mercado. A mais utilizada na época era a BASIC Stamp que, na Itália, custava cerca de 76 euros, ou 100 dólares. O valor, alto para os estudantes, fazia com que não produzissem muito. Nessa época, o Ivrea, que já não existe mais, estava prestes a fechar.

Para que serve: Para criar pequenos projetos de eletrônica de uma maneira muito mais simples. “O Arduino tem o benefício de possuir uma comunidade muito grande, que gera tutoriais bastante simples e descritos em uma linguagem bem leiga, e permite o desenvolvimento rápido de soluções”, diz John Paul, coordenador acadêmico da Fiap. Para ele, o maior benefício da ferramenta é a incorporação de acessórios (chamados de shields) com diversas funções, como displays, gravadores de som, placas para transmissão wi-fi, sensores, controladores de motor etc. “Usando um Arduino e um shield, em minutos é possível construir um circuito eletrônico que controla um motor e ainda exibe informações em um display.”

Serve ainda, segundo Zanini, para realizar a leitura de diversos sinais de um ambiente (como temperatura, umidade, presença de pessoas) “e, ainda, para enviar sinais de atuação como controlar motores para que o deslocamento de um botão, ligar ou apagar luzes de um espaço etc.”

Quem usa: É usado massivamente pelo universo maker. Também por instituições de ensino (superior e médio), institutos de pesquisa, empresas, artistas e “hobbistas”, para criar de projetos nas mais diversas áreas. “Várias ferramentas consagradas de desenvolvimento e pesquisa, como o Matlab e o LabView, já disponibilizaram interfaces de comunicação com a plataforma. E há também grandes empresas que apoiam o Arduino, como a Microsoft”, diz Zanini.

Efeitos colaterais: “Viciar” estudantes, que pelos benefícios da plataforma deixam de procurar outras soluções, de acordo com Zanini. “Mas essa desvantagem pode ser contornada. Basta que os cursos apresentem a plataforma, explorem ao máximo suas funcionalidades e, depois, iniciem a exploração de conceitos relacionados à programação tradicional de microcontrolares.”

Quem é contra: Paul conta que, no começo, alguns professores universitários foram contra o uso do Arduino, pois acreditavam que a ferramenta tornava o processo muito simples e imediatista. “Em alguns minutos os estudantes já conseguiam realizar coisas bacanas, como o controle de displays, música, botões, motores etc. No entanto, para alguns cursos o entendimento mais profundo das características de programação e limitação de hardware é crucial.” Zanini diz que que há algumas correntes contrárias ao uso do Arduino por acreditar que, por ser simples demais, pode tirar o interesse de se conhecer o que está acontecendo “por trás” dele.

Para saber mais:
1) Assista, no Vimeo, a Arduino – The Documentary, em que o time criador do Arduino conta, em pouco menos de meia hora, a história da ferramenta.
2) Leia, na Techtudo, o texto O que é um Arduino e o que pode ser feito com ele?, em que Karla Soares explica a plataforma com detalhes técnicos, mas em linguagem acessível. No link há também o vídeo de uma caixa de brinquedos, projetada pelo designer inglês Grant Gibson, com o uso do Arduino.
3) Leia, no Experimentoria, Maker de 8 anos cria smart watch usando Arduino e impressão 3D. Batizado de “O Watch”, o gadget é composto de um Arduino e um LCD a cores e possibilita às crianças familiaridade com o o mundo da programação em Arduino, criando jogos e apps.

Veja também:

O Studio dLux formou uma rede de makers para dar conta da demanda por design aberto – que só cresce

- 1 de junho de 2017
Denis, da Studio dLux, conta como seu business amadureceu, e ramificou-se, nos últimos dois anos.

Verbete Draft: o que é Fab City

- 8 de fevereiro de 2017
Não é utopia, o Fab City é um programa possível, real, e já implementado em lugares como Amsterdam, no qual o movimento maker ajuda a cidade, como um todo, a se transformar.

“Só vamos resolver problemas reais se pararmos de pensar apenas em escalar”

- 2 de fevereiro de 2017
Juliana Glasser passou sete anos achando que trabalhar com tecnologia era só sonho. Hoje, ela tem duas empresas, é porta-voz do movimento maker e palestrante da CPBR10.

Verbete Draft: o que é Gift Economy

- 28 de dezembro de 2016
Gift Economy é o instinto primitivo de doar e trocar o que se tem em prol da sobrevivência e prosperidade de um grupo. É um dos princípios do Burning Man, festival que acontece no deserto de Nevada, nos EUA. Parece utopia, mas está no cerne da sustentabilidade.