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Verbete Draft: o que é Blockchain

- 13 de julho de 2016
Você já ouvir falar, até mesmo aqui no Draft. É hora de entender tudo sobre a Blockchain — que é provavelmente a maior invenção tecnológica desde o surgimento da internet
Você já ouvir falar, até mesmo aqui no Draft. É hora de entender tudo sobre a Blockchain — que é provavelmente a maior invenção tecnológica desde o surgimento da internet (imagem: reprodução).

Voltamos à série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

BLOCKCHAIN

O que acham que é: O mesmo que Bitcoin.

O que realmente é: Blockchain é a tecnologia de registro público de todas as transações feitas em Bitcoin (moeda eletrônica P2P que dispensa o uso de instituições financeiras regulatórias) sejam passadas ou presentes — este link, da Blockchain.info, mostra essas transações em tempo real. Os blocks (arquivos nos quais os dados da rede de Bitcoins são armazenados de forma permanente, imutável) são adicionados na Blockchain em ordem cronológica e linear.

Em outras e simplificadas palavras, a Blockchain é uma forma nova de banco de dados. A tradução literal, corrente de blocos, ajuda a entender o conceito. Segundo Fábio José de Almeida Zenaro, professor do Advance Program in Finance, do Insper, cada elo da cadeia possui uma cópia fidedigna das transações e participa ativamente do processo de validação de quando um novo registro é incluído na rede. “Só passa a fazer parte do Blockchain aquele bloco que é reconhecido pelos demais elos como verdadeiro, sendo este processo baseado em algoritmos e cálculos matemáticos e computacionais que confirmam a autenticidade, a unicidade e a segurança da transação. É a partir desse processo de validação que novas informações vão sendo registradas e armazenadas na cadeia, formando uma corrente de blocos imutáveis, descentralizados e seguros”, diz. E salienta que Blockchain não é Bitcoin: “Blockchain é a tecnologia de registro descentralizado e Bitcoin a primeira e mais representativa aplicação suportada por esse tipo de tecnologia distribuída”.

Um estudo do World Economic Forum estima que, em 2027, cerca de 10% do PIB global já estará em Blockchain.

Quem inventou: A Blockchain está diretamente ligada à Bitcoin, cujo criador é conhecido pelo pseudônimo de Satoshi Nakamoto. Zenaro conta que os primeiros registros da Blockchain surgiram em um texto acadêmico de Nakamoto intitulado “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System”. “Ali estão os primeiros conceitos do protocolo do Blockchain associado ao uso da moeda criptográfica que funciona com um registro público, porém anônimo”, diz.

Quando foi inventado: Em 2009. O site Bitcoin.org disponibiliza o texto de Nakamoto, publicado naquele ano, em diversas línguas, dizendo que “a tese original de Satoshi Nakamoto é recomendada como leitura, ainda nos dias de hoje, para qualquer pessoa que estude o funcionamento da Bitcoin”. É complexo e cheio de gráficos, um prato cheio para nerds.

Para que serve: A Blockchain é tida como principal tecnologia de inovação da Bitcoin já que é a prova de todas as suas transações na rede. Usando uma analogia bancária, a Blockchain é o histórico das transações tradicionais feitas pelos bancos. Os blocos são como extratos bancários individuais.

Rodrigo Batista, do Mercado Bitcoin, diz que a Blockchain resolveu um desafio da geral da computação por meio da questão do pagamento com Bitcoin: enviar uma informação digital de uma pessoa para outra sem que haja risco de que seja duplicada. “Após resolver o problema de pagamento, percebeu-se que é possível usar o método para registrar digitalmente qualquer coisa: certificar a existência de um documento, a notarização, a autenticação, títulos de propriedade, ativos, ações.”

Zenaro elenca cinco benefícios da utilização da Blockchain: transparência (qualquer membro da rede pode acessar o histórico de registros e rastrear as transações); confiança (a informação validada que entra no bloco é imutável, reduzindo as chances de fraude); segurança (criptografia e outros aspectos tecnológicos garantem a confidencialidade das informações); descentralização (o conceito de cópias distribuídas reduz as chances de fraude e elas ficam menos suscetíveis a ataques cibernéticos) e economia com a desburocratização (há potencial de redução significativa nos custos e de ganho de agilidade por aqueles que o utilizam). “Todas essas vantagens fazem a tecnologia Blockchain uma solução para as empresas que trabalham com grandes volumes de dados, exigem transparência e que querem avançar para a tecnologia do futuro”, afirma.

Quem usa: “Hoje, a Nasdaq, bolsa eletrônica americana, é quem tem o caso mais adiantado de uso da Blockchain para fins que não sejam de pagamentos por uma instituição e, sim, para fazer registros de propriedade de algumas ações de empresas”, diz Batista.

Segundo Zenaro, há bancos criando laboratórios internos, investindo e buscando parcerias em Fintechs do segmento para desenvolvimento de provas de conceito. Ele cita, como exemplo os bancos internacionais JP Morgan, Goldman Sachs, Citibank, Santander e, no Brasil, o Itaú. “Há também um grande envolvimento das bolsas e depositárias do mundo todo como a DTCC (Depository Trust & Clearing Corporation), a ASX (Austrália), a Strate (África do Sul), a Deutsche Borse e a Nasdaq, e uma participação ativas de empresas provedoras de infraestrutura e soluções, tais como Microsoft, Cisco e IBM.”

Efeitos colaterais: Instabilidade da plataforma, escalabilidade, tempo de verificação das transações, que são pontos de atenção, segundo Zenardo. “Além disso, o custo despendido para validação dos blocos e a volatilidade do preço da moeda também são apontados como fragilidades na aplicação.” A impossibilidade de reversão caso dê algo errado é um ponto levantado por Batista: “No mês passado, o maior experimento utilizando Blockchain, chamado DAO, passou por um evento e causou um prejuízo de cerca de 50 milhões de dólares aos investidores do projeto por causa da irreversibilidade da operação.” Já a Investopedia diz que tamanho cada vez maior (e crescente) da Blockchain é considerado um problema por causa de questões como capacidade de armazenamento e sincronização.

Em média, em cada 10 minutos um novo bloco é anexado à cadeia de blocos.

Quem é contra: “Governos totalitários, como Rússia e Venezuela, têm se posicionado contra o uso das moedas digitais e, por consequência, da Blockchain”, diz Batista.

Para saber mais:
1) Leia, no Guardian, Blockchain Revolution review – Satoshi Nakamoto’s world-changing innovation. Publicado no começo do mês passado, pergunta: Será a Blockchain, a celebrada e crescente tecnologia P2P de dados e base do bitcoin, tão grande quanto a web?
2) Leia, na Forbes, Blockchain: Wall Street’s Most Game-Changing Technology Advance Since The Internet. Recém publicado, o artigo diz que a Blockchain pode ter um grande impacto nestes tempos difíceis para Wall Street, cujos executivos estão procurando formas mais enxutas, eficientes e rentáveis para suas transações.
3) Assista ao TEDx Blockchain Demystified, em que Daniel Gasteiger conta como essa nova tecnologia está se movendo para além da Bitcoin e que é, provavelmente, a maior invenção tecnológica desde o PC, nos anos 1970, e a internet nos anos 1990.
4) Leia, na seção Wired Money 2016, The blockchain could give a big boost to local economies. O texto diz que o uso cada vez mais difundido da tecnologia da Blockchain pode ajudar economias locais continuarem locais, além de apoiar pequenos e médios negócios.

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