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Verbete Draft: o que é Business Model Canvas

- 25 de março de 2015
exemplo do Business Model Canvas usado pela Nespresso.
Exemplo do business model canvas usado pela Nespresso, que está no livro de Osterwalder.

Gisela Blanco, que assina este texto, é jornalista mestre em Business Innovation pela University of London.

 

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

BUSINESS MODEL CANVAS

O que acham que é: Algo bem moderno que as startups fazem no lugar de um plano de negócios.

O que realmente é: Ao contrário do plano de negócios, que detalha tudo sobre a empresa, desde a análise da concorrência às projeções financeiras, um modelo de negócios se concentra em como uma organização funciona, o que vende, de que forma, quem compra e quanto dinheiro isso rende. O Business Model Canvas, que em bom português significa modelo de negócios canvas, é uma metodologia para construir este modelo, dentre várias outras existentes. O que a diferencia é que esta é bem visual (daí o nome “canvas”, que em português significa quadro ou tela) e bem prática, permitindo que se construa e altere qualquer item. Isso explica o sucesso entre as startups, que nascem e crescem rápido e a todo tempo precisam mudar algo no modelo de negócios (ou até ele todo, ao fazerem o que é conhecido como pivotar). Na prática, o canvas funciona assim: em um quadro ou folha de papel, o esquema da empresa é desenhado com nove blocos, cobrindo as quatro áreas mais importantes de qualquer negócio: clientes, oferta, infraestrutura e viabilidade financeira. O ideal é que esse esquema fique à vista o tempo inteiro, para que sócios e funcionários da companhia possam ver e sugerir mudanças no dia a dia. Como no design thinking, aqui também é comum ver muitos post-its colados: para alterar um tipo de cliente, por exemplo, basta amassar um papel amarelo e trocar por outro.

Quem inventou: O escritor, pesquisador e empreendedor suíço Alexander Osterwalder, que criou o método baseado em suas próprias pesquisas na Universidade de Lausanne sobre vários tipos de modelos de negócios, e nas contribuições de mais 470 pesquisadores e empreendedores de 45 países. Hoje, Osterwalder viaja o mundo dando aulas e palestras sobre o Método Canvas. Nessas apresentações, não é raro vê-lo literalmente queimando planos de negócios, que ele considera ultrapassados e muito menos úteis do que o modelo canvas.

Quando foi inventado: Em 2008, quando Osterwalder lançou o livro Business Model Generation, com a proposta do canvas. O livro foi traduzido para 30 línguas e vendeu mais de 1 milhão de cópias. Fez sucesso não só pelo método que ele traz, mas também pela forma como o apresenta: com design moderno, bonito e divertido, cheio de imagens e infográficos.

Para que serve: “Quando um empreendedor está testando uma nova ideia de negócio, é comum ser aconselhado a fazer um plano de negócios, listando qual vai ser a receita, os custos etc. Um monte de coisas sobre as quais ele não faz a mínima ideia. Em contrapartida, o modelo de negócios é ágil, permite que você teste e mude o tempo todo, inove”, afirma Gérman C. Alfonso, professor da Fundação Dom Cabral e sócio da consultoria Nodal, que assina o prefácio da versão brasileira do livro de Osterwalder. “É um modelo útil em qualquer momento e que deve ser mantido na parede o tempo todo para ser alterado usando só post-its, nunca escrevendo diretamente nele”, diz.

Quem usa: Grandes empresas como 3M, Ericsson e Deloitte são citadas na versão original do livro. Na edição brasileira, organizações Globo e Votorantim entraram na lista das que usam o business model canvas. Dentre as startups, não é exagero dizer que todas usam ou em algum momento vão ter que usar o método ou formas adaptadas dele. “Em um elevator speech, por exemplo, o empreendedor não tem tempo para contar o plano de negócios. Já o canvas, é fácil de mostrar”, diz Gérman Alfonso Ruiz.

Efeitos colaterais: Com o sucesso do método, surgiram vários outros parecidos, simplificações e adaptações, que podem tanto ajudar quanto confundir os empreendedores. Há modelos com menos blocos (cinco ou quatro em vez dos nove originais), e outros específicos para gerência de projetos, para administrar a própria carreira, para projetos sociais e por aí vai.

Quem é contra: A maior controvérsia em torno do modelo canvas é se ele realmente deveria substituir o plano de negócios. Hoje, boa parte dos administradores experientes acreditam que não: plano e modelo de negócios são coisas diferentes e cada um tem sua função específica. É o que pensa Maria Rita Bueno Spina, da Anjos do Brasil. “É preciso saber que tudo isso são só instrumentos, que a gente usa dependendo do momento e da necessidade”, afirmou ao Draft em uma reportagem sobre investimento em startups. Segundo ela, todo tipo de plano funciona apenas como um guia, para que possa ser adaptado de acordo com a necessidade. Gérman Alfonso Ruiz acredita que negócios inovadores, tecnológicos, deveriam sempre fazer antes um modelo de negócios canvas. “Em um próximo estágio, já com a empresa mais madura e o modelo validado, faz mais sentido escrever o plano de negócios”, afirma. Afinal, as funções de um e de outro são mesmo diferentes: um plano tradicional, para ser apresentado a investidores, costuma levar em conta, por exemplo, a concorrência e o ambiente externo (a economia do país e do mercado). Coisas que não fazem parte de um desenho do modelo de negócios.

Para saber mais:
1) Leia o livro Business Model Generation, de Alexander Osterwalder.
2) Conheça o site do livro, que tem textos, imagens e vídeos com exemplos, além de um aplicativo para ajudar a fazer canvas.
3) Assista essa palestra da Endeavor com o empreendedor Marcelo Salim explicando como inovar em modelos de negócios.
4) Fique atento sobre o que não fazer nesta apresentação sobre modelos de negócios que fracassaram.

 

Veja aqui mais verbetes desta série.

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