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Verbete Draft: o que é Creative Machine

- 22 de novembro de 2017
O robô e-David é um exemplo de Creative Machine em ação. Além de "pintar", ele tem uma câmera que registra e analisa o que está pintando.
O robô e-David é um exemplo de Creative Machine em ação. Além de "pintar", ele tem uma câmera que registra e analisa o que está pintando (imagem: reprodução).

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

CREATIVE MACHINE

O que acham que é: Computadores para criança.

O que realmente é: Creative Machine (também chamada de Machine Creativity) é um subcampo da Inteligência Artificial que envolve biologia e psicologia humanas. A área vem crescendo rapidamente já que utiliza as mesmas tecnologias exponenciais que regem o mundo atual e criam processadores cada vez mais rápidos, conexões de internet cada vez mais potentes, a internet das coisas etc.

Por meio programas de software, algoritmos e machine learning (tudo depende da arquitetura interna), a Creative Machine (que pode ou não rodar em um robô) gera ideias novas para a criação de obras de arte, música, design de produtos, problemas científicos e médicos. Os processos são semelhantes aos usados pelos profissionais (humanos) dessas áreas, e o software parte de uma questão a ser solucionada para, então, gerar “respostas” (ideias) em formas de desenhos, pinturas, composições musicais, padrões, entre outras.

Segundo Magali Andreia Rossi, professora dos cursos superiores tecnológicos de Sistemas para Internet e Jogos Digitais da Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) Carapicuíba, a Creative Machine utiliza a Inteligência Artificial desenvolver diversos tipos de algoritmos e máquinas que devem “imitar” as conexões neurais da mente humana. “A Creative Machine tem como visão agregar o que existe de comportamento biológico e psíquico às máquinas, com objetivo de transformá-las em robôs capazes de se integrar aos humanos em diversos aspectos”, diz ela.

A questão da psicologia entra nesse subcampo da Inteligência Artificial também pelo fato de que o processo criativo humano não é algo totalmente compreensível ou explicável. A possibilidade de máquinas sejam cada vez mais criativas vem demonstrando que esse processo não precisa ser claro para que seja emulado.

De acordo com o texto The Coming Creativity Explosion Belongs to the Machines, da Singularity University (link em Para saber mais), as obras de arte vencedoras da segunda edição do concurso Robot Art Competition, que aconteceu este ano, se assemelham de forma impressionante às exibidas em exposições de estudantes de graduação de arte, além de serem esteticamente ambiciosas.

Quem inventou: Não há. Por ser um subcampo da Inteligência Artificial, a Creative Machine está, de certa forma, atrelada à sua criação, pelo cientista da computação John McCarthy, na Conferência de Dartmouth.

Já o termo Creative Machine, segundo Rossi, surge a partir do desenvolvimento de algoritmos com o conceito de psicologia computacional: “É quando começam a ser desenvolvidos algoritmos genéticos em decorrência das redes neurais, que já usavam um certo nível de implementação da criatividade”.

Uma das mais famosas e antigas máquinas criativas (e pintora) é o AARON, programa criado por Harold Cohen.

Quando foi inventado: A Conferência de Dartmouth foi em 1956. AARON foi criado em 1973.

Para que serve: Para a geração e consequente construção de ideias não pensadas pelo homem, seja na arte, na própria ciência da computação ou na medicina. Máquinas criativas são também capazes de se autorreplicar, detectar e consertar defeitos em si mesmas.

Alexandre Ichiro Hashimoto, coordenador do curso de Sistemas da Informação (SI) das Faculdades Integradas Rio Branco, diz que a Creative Machine ajuda o ser humano a encontrar soluções para problemas que ainda sem respostas e também no seu próprio desenvolvimento criativo. “Dessa forma é possível buscar caminhos que não foram pensados para cura de doenças que afligem a sociedade, com tratamentos menos invasivos e mais humanos, por exemplo”, afirma.

Rossi diz que alguns dos benefícios diretos da Creative Machine e com grande repercussão podem ser vistos no campo da medicina: “Implantes de órgãos estão sendo realizados com pequenos robôs conhecidos como soft robotic”.

Quem usa: O PIX18 é a terceira geração de um robô que, segurando pincéis e tintas, pinta óleo sobre tela. Foi desenvolvido pela universidade de Columbia, na qual funciona o Creative Machine Labs. O e-David, criado pela University of Konstanz, é um robô de um braço alimentado por um PC, cinco pincéis e uma paleta de 24 cores que tira fotos enquanto pinta, calculando onde iluminar ou escurecer sua obra. O Picassnake, da Universidade de Manitoba, tem aparência de uma cobra de brinquedo e pinta enquanto dança indie rock. Os três participaram do concurso Robot Art Competition.

The Painting Fool é um programa de computador criado por Simon Colton, professor de Computational Creativity na Goldsmiths College, em Londres. Em 2013, ele expôs suas obras em uma exposição na Galerie Oberkampf, em Paris. Há planos de que o programa se expanda para a área de literatura. Emily Howell é um programa de computador criado pelo compositor e cientista americano David Cope, que compõe música no mesmo estilo de compositores clássicos como Beethoven e Joplin. Algumas delas já foram tocadas por orquestras humanas ao vivo.

Rossi conta que, atualmente, diversos setores estão iniciando o uso de máquinas criativas. “O robô YuMI regeu a orquestra que acompanhou o tenor Andrea Bocelli na Itália, em setembro desde ano”, conta ela.

Efeitos colaterais: Assim como na Inteligência Artificial em geral, existe a possibilidade de que os robôs substituam majoritária ou completamente o ser humano, principalmente no mercado de trabalho.

Para Hashimoto, o que existe são especulações de que a Creative Machine, em específico, e da IA, em geral, possam causar algum tipo de revolução na sociedade, com máquinas controlando homens. “Mas isso pode se explicar pelo fato que tudo que é novo traz medo. Se fôssemos caminhar por essa linha de pensamento, não estaríamos aqui, hoje, diante de tantas soluções inovadoras”, diz.

Quem é contra: Pessoas que, como colocado no item acima, temem a substituição do homem pela máquina.

Para saber mais:
1) Leia, no site da Singularity University, The Coming Creativity Explosion Belongs to the Machines. O texto tem uma boa explicação do que é Creative Machine, contextualizando-a e dando sua dimensão.
2) Ouça, no Experiments in Musical Intelligence, de David Cope, as músicas criadas pelo programa de computador Emily Howel.
3) Leia, no Guardian, Vincent van Bot: the robots turning their hand to art. O título é um trocadilho irônico mas o texto, de 2016, conta sobre a primeira edição do Robot Art Competition, e tem cinco vídeos embedados de robôs em ação.
4) Leia, na MIT Technology Review, Robot Art Raises Questions about Human Creativity. Partindo da pergunta sobre se o potencial da arte da máquina pode ser descrito como criativo ou imaginativo, o texto é uma pensata sobre o tema que usa argumentos e dados históricos sobre arte em geral.

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