Verbete Draft: o que é Fintech

- 9 de março de 2016
Mais agilidade, menos burocracia e preços menores para serviços financeiros: estes são os atrativos das startups que estão inovando no setor. Entenda como isso surgiu — e onde vai levar.
Mais agilidade, menos burocracia e preços menores para serviços financeiros: estes são os atrativos das startups que estão inovando no setor. Entenda como isso surgiu — e onde vai levar.

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

FINTECH

O que acham que é: O mesmo que P2P Lending.

O que realmente é: Fintech é uma categoria relativamente nova de empresas, majoritariamente startups, que trabalham com produtos e serviços financeiros (meios de pagamentos, crédito, investimentos, gestão financeira, inclusão e educação financeiras e segurança da informação) por meio de metodologias, processos e canais de tecnologia, gerando soluções inovadoras. O nome é formado pela junção dos prefixos das palavras em inglês Financial e Technology. “O objetivo de uma Fintech é levar uma experiência de maior qualidade, mais transparente e menos burocrática para os clientes”, diz por Jorge Vargas, CEO e cofundador da Biva Serviços Financeiros. Para Newton Campos, professor da FGV-EAESP, professor e palestrante internacional da IE Business School e pesquisador do FGV-CENN (Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios), o objetivo de uma Fintech é impactar positivamente a sociedade através do desenvolvimento de inovações financeiras resultantes do uso de tecnologias da informação e comunicação. “É importante ressaltar a preocupação com os impactos positivos”, diz.

Em janeiro deste ano, falamos sobre Fintech na seção Startups. O texto conta que nessas empresas a internet tem papel central. “É tudo feito online, resolvido via aplicativos ou, se necessário, conversando com pessoas que não seguem os abomináveis roteiros pré-prontos do telemarketing.” O texto também menciona que a estrutura enxuta e os recursos tecnológicos permitem que os preços dos serviços das Fintechs sejam mais baixos do que os tradicionalmente cobrados pelos bancos.

Para Alexandre Lara, cofundador da FintechLab, as soluções oferecidas pelas Fintechs foram desenhadas para resolver muitos problemas comuns na relação com os serviços bancários. “Elas representam alternativas e as chances de engajamento do cliente tornam-se muito altas. Ainda mais porque suas soluções avançadas em tecnologia dialogam bem com o cliente digital, que é mobile, exigente e online”, afirma.

O P2P Lending, tecnologia que permite que uma pessoa empreste dinheiro a outra sem a intermediação convencional de um banco, e a taxas baixas, é uma plataforma muito usada em Fintechs no mundo todo. “As Fintechs englobam o P2P Lending”, diz Vargas.

Quem inventou: Vargas conta que o PayPal, meio de pagamento eletrônico, pode ser considerada a primeira Fintech relevante no mundo. Segundo Campos, o movimento das Fintechs surge dentro do contexto capitalista atual em que as concorrências são extremamente competitivas por causa da digitalização de processos e produtos, que passam a ser ofertados em escalas globais. “Como consequência disso, setores inteiros estão vendo seu futuro questionado pelo uso das novas tecnologias. Na indústria financeira, não poderia ser diferente”, fala o professor.

Quando foi inventado: O PayPal foi lançado em 1998. “O termo é razoavelmente recente, mas o movimento das Fintechs, ganhou relevância e um enorme número de entrantes entre meados de 2005 e a crise de 2008, em especial na Europa e nos EUA”, diz Vargas. Ele também diz que empresas que aliam tecnologia e finanças existem desde que a internet e o comércio eletrônico começaram a ganhar corpo. A própria história ajuda a explicar isso, já que a partir da crise de 2008 caiu a confiança da população nas instituições financeiras e a necessidade de inovação aumentou significativamente. “Agentes reguladores passaram a restringir cada vez mais a atuação dos bancos e as Fintechs ganharam evidência”, diz.

Para que serve: Para oferecer novas possibilidades ou combinações de soluções que resolvam problemas financeiros diversos em praticamente todas as áreas que compõem o mundo das finanças: crédito, risco, investimento, meios de pagamentos etc. Lara enumera os três principais benefícios das Fintechs para o cliente final: “Relação com o usuário menos burocrática, com menos ‘financês’ e sem letras miúdas; tarifas ou taxas muito competitivas e melhora nos sistema bancário tradicional por causa da concorrência”.

Quem usa: Todo mundo pode usar, tanto pessoas físicas como empresas. Dentre as principais segmentos do setor financeiro, alguns exemplos são Square e Apple Pay (dos setores de meio de pagamento), GuiaBolso e Magnetis (controle financeiro e gestão de investimentos), Nubank e a própria Biva (crédito e investimentos). “Todos os stakeholders, sejam lojistas, consumidores, investidores, pessoas, empresas em necessidade de crédito, profissionais do setor, fabricantes de bens de consumo ou bandeiras de cartão de crédito, são impactados em algum momento”, diz Vargas. De acordo com Lara, bancos também usam Fintechs: “Há um bom número de Fintechs dedicadas a melhorar a eficiência operacional bancária”.

Efeitos colaterais: “Dependendo do impacto gerado pelas inovações criadas por estas startups, muitas práticas tradicionais — e portanto empregos vinculados a elas — tenderão a desaparecer. Por outro lado, novas profissões e oportunidades também devem surgir”, diz Campos. Vargas não vê efeitos colaterais mas, sim, efeitos intencionais, ou seja, reflexos positivos. “O principal efeito sistêmico gerado pela ascensão das Fintechs é a ‘desbancarização’ e a desintermediação financeira. O consumidor não é mais obrigado a manter um relacionamento com seu banco. Isso também atende à enorme parcela da população ainda não bancarizada que, no Brasil, é cerca de 44 milhões de adultos”, diz.

Quem é contra: “Não é difícil concluir que instituições financeiras tradicionais, especialmente de mercados tão consolidados como o brasileiro, sintam-se incomodadas com as Fintechs. Afinal, elas mexem com um status quo até então altamente rentável”, afirma Campos. Ele diz, que, no entanto, muitas dessas instituições tradicionais, principalmente as mais influentes, já estão estabelecendo parcerias com diferentes Fintechs e, com isso, ganhando mais eficiência e inovação em suas operações.

Para saber mais:
1) Leia, na Inc. Magazine, Why Fintech Is One of the Most Promising Industries of 2015, que explica o crescimento das Fintechs “que vão mudar para sempre sua relação comercial com dinheiro”.
2) Assista ao TEDx FINTECH Korea, de Gi Eui Choi.
3) Leia, no TechCrunch, Why Fintech Startups Aren’t Killing Banks — Yet. O artigo diz que o buzz em torno das Fintechs ano passado ofuscou o quanto elas têm de realmente interessante.
4) Na The Economist, o texto The fintech revolution afirma que as Fintechs são uma onda de startups que está mudando as relações financeiras para melhor.

Tecnisa

Veja também:

Na onda das fintechs, o banco Neon quer provar que dá para lucrar com transparência

- 6 de abril de 2017
Pedro Conrade conta como o Banco Neon surgiu, da evolução de um app de gestão financeira, e está crescendo com uma proposta simplíssima: ter poucos produtos, sem cobrar quase nada dos clientes.

Como é construir um ambiente de inovação, do zero, dentro de um grande banco – o Bradesco

- 9 de fevereiro de 2017
Fernando Freitas, do Bradesco, acredita que inovação interna e aberta se complementam.

Zup, ou o pequeno grande case da startup que leva a digitalização a empresas tradicionais

- 7 de fevereiro de 2017
Os sócios da Zup na sede da startup, a partir da esq.: Felipe Almeida, Flavio Zago, Bruno Pierobon e Gustavo Debs.

Não existe “molezinha” para repetir o sucesso milionário de uma startup

- 10 de janeiro de 2017
Sérgio Kulikovsky criou, aos 28, uma fintech 700 milhões de dólares. Não repetiu o feito, mas está satisfeito à frente da Acesso, é investidor anjo e tornou-se mentor de startups.