Verbete Draft: o que é Geração Y (os Millennials)

- 17 de agosto de 2016
Os millennials, ou Geração Y, são os primeiros que atingiram a idade adulta no ano 2000. São a primeira "geração internet" (imagem: reprodução Healthline).
Os millennials, ou Geração Y, são os primeiros que atingiram a idade adulta no ano 2000. São a primeira "geração internet" (imagem: reprodução Healthline).

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

 

GERAÇÃO Y

O que acham que é: A geração surgida a partir do filme “Curtindo a Vida Adoidado”.

O que realmente é: A geração dos nascidos entre 1979 e 1993. Esta definição segue a mesma linha do tempo utilizada no Verbete sobre a Geração X, publicado semana passada, e adotada pela maioria dos especialistas.

Luiz Arruda, consultor sênior da WGSN Mindset, diz que os Y são popularmente conhecidos como Millennials, ou ainda, Geração do Milênio ou da Internet. “Essa geração teve um convivência já muito cedo (bem antes que os X) com a tecnologia avançada. Por isso, são tidos como sempre conectados, multitarefas, vidrados em mídias sociais, empreendedores e donos das ferramentas para produzir e espalhar suas criações.”

Gustavo Pessoa, psicólogo, mestre em Psicologia do Desenvolvimento pela USP e cofundador da Talent Matching, conta que uma das características mais marcantes (e controversas) da Geração Y é ser refratária a regras hierárquicas. “Os Y veem menos valor na rigidez de normas e procedimentos, pouco sentido na hierarquia inflexível e pensam mais em como alcançar seus sonhos de uma forma individual em vez de conquistá-los via empresa, como ocorreu na Geração X.”

A Geração Y, segundo Arruda, é primeira verdadeiramente global e seus jovens possuem um desejo constante pela busca de novas experiências e são ávidos por mudança, movimento, liberdade, inovação, informalidade. “Desejam isso na sua vida pessoal e profissional e buscam um propósito em tudo o que fazem, principalmente no trabalho e no relacionamento com marcas e produtos. Além disso, são otimistas em relação ao futuro, têm grande capacidade de lidar com a diversidade e possuem consciência social e ambiental.”

Outra característica marcante dos Millennials é a proximidade com seus pais que, para alguns autores, são excessivamente permissivos, criando Y mimados, sem noção de limites. Hoje, os Y têm entre 23 e 37 anos o que permite que possam ser filhos de pessoas X. “Os pais X criaram os filhos Y de forma mais livre, com mais foco no autoconhecimento e incentivo aos talentos individuais, criando a cultura que observamos hoje no mercado”, diz Pessoa.

Quem inventou: Nile Howe e William Strauss, autores emblemáticos do movimento nomeador das gerações, no livro Millennials Rising: The Next Great Generation. Em entrevista para o NPR, Howe conta sobre escolha do nome: “Foi o primeiro que nos veio à mente já que aqueles jovens seriam os primeiros se graduar no colégio no ano 2000.” Já o termo Geração Y foi usado, pela primeira vez, em um editorial do Ad Age para falar sobre a geração que vinha depois da X.

Quando foi inventado: O editorial do Ad Age foi publicado em 1993 e o livro de Howe e Strauss é de 1999.

Para que serve: Classificar gerações tem diversos fins. “Para entender os funcionários e administrá-los, para entender os consumidores e assegurar mais vendas”, diz Pessoa. Para Arruda, classificar e definir gerações é uma parte importante do cotidiano da rede que envolve marketing, agências de propaganda e consultorias de negócio e tendências. “Elas balizam uma série de escolhas estratégicas e criativas e são relevantes para a definição mais acurada dos públicos-alvo, além da adequação das estratégias de mercado, produto e comunicação”, diz. Uma vez conhecidas as principais características, desejos e demandas de cada target, fica mais fácil traçar um “caminho” assertivo e relevante até eles.

Quem usa: Profissionais de marketing, agências de propaganda, consultorias de negócio e tendências. Governos também, nas áreas educacionais e de saúde, por aplicarem estratégias de acordo com a faixa etária do público atendido.

De acordo com Pessoa, a Geração Y, hoje, é a que mais interessa ao mercado: “Trata-se da próxima geração a ocupar cargos de diretoria e presidência a curto e médio prazos. Todo planejamento estratégico de uma empresa, seja externo, olhando para o comportamento de seus consumidores, ou interno, olhando para seus próprios funcionários, requer um profundo entendimento de quem são essas pessoas”.

Efeitos colaterais: São considerados mais ansiosos, tanto na vida pessoal quanto na carreira; buscam gratificação e resultados instantâneos; possuem raciocínio não linear, em rede, “com hyperlinks”; possuem uma certa fobia de comprometimento, que pode afetar sua relação com política, economia, educação, carreira, religião e até mesmo amor e família. “Por isso, temos visto muitos Millennials casarem e terem filhos mais tarde que as gerações anteriores”, diz Arruda. Ele ressalta que as características listadas acima não são, necessariamente, ruins ou negativas mas, sim, generalizações que devem ser analisadas dentro de um contexto.

Para Pessoa, a Geração Y destrói as barreiras inflexíveis (local, horário, forma etc.) das empresas sem ter clareza do que quer colocar no lugar: “Ela fica um pouco perdida e confunde seus interlocutores, que também não têm as respostas. A construção de instituições e empresas mais fluidas começa a ocorrer, mas de forma muito incipiente. Por enquanto, convivemos com essa contradição”.

Quem é contra: Grupos conversadores, sejam da sociedade ou do mercado de trabalho. Os Y são mais inclusivos em relação a minorias sociais. “A Geração Y promove discussões cruciais sobre liderança feminina, benefícios para cônjuges LGBTQ, igualdade de gênero, feminismo e outras lutas”, conta Pessoa. Em relação ao mercado, os Y almejam ter experiências, dando ênfase ao uso em detrimento da posse. Os Y são tanto criadores como consumidores da Nova Economia e seus serviços — como Uber, Airbnb, Netflix, Whatsapp — e não querem mais comprar para, sim, alugar, assinar, compartilhar. Empresas tradicionais automotivas, hoteleiras e de telefonia perderam nos Y os consumidores certos das gerações anteriores e trabalham para mudar ou adaptar estratégias.

Para saber mais:
1) Leia, no New York Times, The Why-Worry Generation, de 2010. O texto cita pesquisas e diz que os Millennials eram tidos, no começo da década, como “a próxima grande geração” mas, na verdade, são narcisistas e covardes.
2) Leia, no Salon, We are the lamest generation!, texto de 2013 em que uma millennial defende, ponto por ponto, as críticas e acusações pelas quais passa sua geração.
3) Assista ao TEDx Millennials: Who They Are & Why We Hate Them, de Scott Hess, vice-presidente da empresa de pesquisa TRU e uma das autoridades em juventude americana.
4) Leia (ou ouça), no NPR, Why You Should Start Taking Millennials Seriously. O texto, de 2014, começa com duas informações: há mais de 80 milhões de Millennials nos Estados Unidos e eles não apenas utilizam mídias sociais como foram eles que as criaram. Segue por outras áreas na mesma linha.

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