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Verbete Draft: o que é Gig Economy

- 4 de maio de 2016
Nos EUA, motoristas do Uber protestam contra o aumento da comissão cobrada pelo aplicativo (imagem: reprodução Getty).
Nos EUA, motoristas do Uber protestam contra o aumento da comissão cobrada pelo aplicativo (imagem: reprodução Getty).

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

GIG ECONOMY

O que acham que é: Economia proveniente de shows de música ao vivo.

O que realmente é: Gig Economy, também conhecida como “Freelance Economy, “Economia sob demanda” ou “1099 Economy”, é o ambiente ou o mercado de trabalho que compreende, de um lado, trabalhadores temporários e sem vínculo empregatício (freelancers, autônomos) e, de outro, empresas que contratam estes trabalhadores independentes, para serviços pontuais, e ficam isentas de regras como número de horas trabalhadas (o chamado “horário comercial”). O termo não é novo, mas se tornou tendência mundial na era digital, impulsionado por empresas como Uber e Amazon — esta, mais ainda depois criar o programa de entrega Amazon Flex, que paga entre 18 e 25 dólares para que o courier entregue os pacotes. Em setembro do ano passado, a Wired falou a respeito no texto Amazon Wades Further Into the Complex World of the Gig Economy e referiu-se à Gig Economy como “economia de gratificação instantânea”.

Ricardo Murer, professor de Pós-Graduação e MBA em Marketing Digital da ESPM-SP, faz um paralelo entre a economia tradicional e a Gig Economy e diz que, enquanto na primeira o trabalhador é contratado via CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e, dessa forma, tem assegurado direitos como pagamento regular de salário e benefícios, 13º salário, férias, salário desemprego, aposentadoria etc., na segunda, os contratos são independentes e possuem cláusulas específicas. “Na Gig Economy não costuma haver qualquer tipo de benefício ou direito trabalhista. Terminado o objeto do contrato ou o projeto, a relação entre empresa e empregado chega ao fim.”

Um estudo feito pelo JPMorgan Chase Institute revela que o número Gig Workers nos Estados Unidos cresceu 10 vezes desde 2012 e que 4% de adultos já trabalhou, ao menos uma vez, nesse mercado. Um outro estudo, da Intuit Research, prevê que até 2020 a Gig Economy compreenderá 40% dos trabalhadores americanos. O texto Uber is just the tip of the iceberg: The gig economy is leveraging the human cloud, recém-publicado na seção de finanças do Yahoo!, diz que a Gig Economy tem tudo a ver com flexibilidade: empregadores podem contratar mão de obra de acordo com demandas pontuais e em variados mercados e regiões e trabalhadores não precisam ficar dentro do escritório e cumprir horário. Aponta, também, que esta não é uma transição que profissionais fazem facilmente e que, para se adaptarem, é preciso que mudem a forma como veem seus trabalhos, tanto em termos de planos de carreira como em relação ao que esperam das empresas para as quais prestam serviços.

Quem inventou: Murer diz que a Gig Economy não pode ser considerada uma invenção e deve ser entendida como uma confluência de fatores econômicos, políticos e sociais. “Segundo Geoff Nunberg, o termo ‘gig’ aparece pela primeira vez numa peça de Jack Kerouac, de 1952, na qual ele narra um trabalho temporário realizado para ferrovia Southern Pacific, em San Jose. É na década de 1950, também nos Estados Unidos, que a geração ‘beat’ vai aceitar qualquer tipo de trabalho parcial e sem vínculos como parte de uma experiência de vida.”

 

Quando foi inventado: Não há uma data específica. Mas a Gig Economy ressurgiu com força (ou está em voga, segundo o texto da Wired, citado acima), com o surgimento das plataformas digitais sob demanda. O TaskRabbit é de 2008, o Uber de 2009, o Lyft de 2012.

Para que serve: De acordo com Marcos Crivelaro, professor de Finanças da Fiap, serve para que empresas contratem profissionais de todo o mundo para a realização de tarefas de maneira dissociada da hierarquia ou relações trabalhistas. “Os empregadores podem selecionar os melhores profissionais de cada área. As empresas podem economizar recursos em termos de benefícios, espaço de escritório e treinamento e têm possibilidade de contratar especialistas para projetos específicos que poderiam ser demasiado caro para manter na equipe”, diz. Já para os trabalhadores, ainda segundo Crivelaro, a oferta de tarefas vem de qualquer parte do globo, já que ocorre via aplicativos. “O reconhecimento profissional permite um fluxo contínuo de trabalho que pode ser realizado em equipe ou individualmente. O profissional cria o equilíbrio horas de trabalho x horas de descanso.” Em tempos de crise econômica mundial, a Gig Economy é um campo a mais de oferta de trabalho para profissionais desempregados. The ‘gig economy’ is coming. What will it mean for work?, publicado em julho do ano passado, no Guardian, aponta ainda a liberdade de horário (que permite, por exemplo, encaixar trabalho e funções como buscar um filho na escola) como outro benefício e diz que na Gig Economy há uma intersecção cada vez maior entre vida pessoal e profissional.

Quem usa: No contexto da era atual digital, Lyft e Postmates (empresa americana de logística que possibilita a entrega de variados tipos de produtos) e, entre outros, os já citados Amazon e Uber, o exemplo mais forte no Brasil.

Efeitos colaterais: Ausência de direitos e benefícios trabalhistas, em especial quando há quebra de contrato. “A informalidade da relação e a falta de controle em projetos pode também levar a situações de estresse e desgaste profissional”, diz Murer. Uber e Lyft são apenas dois exemplos, entre outros, de empresas que sofreram ações judiciais que pleiteavam direitos trabalhistas aos profissionais (o Uber perdeu uma ação em primeira instância na Califórnia, mas está recorrendo). Um trabalhador da Amazon escreveu a Jeff Bezos, CEO da Amazon, dizendo “Sou um ser humano, não um algoritmo”. Crivelaro aponta, ainda, o enfraquecimento de sindicatos e de entidades de classe. “Há, ainda, o risco da perda da ‘história da empresa.'”

Quem é contra: De um lado, profissionais que se sentem lesados pelo tipo de relação de trabalho ou com mudanças posteriores de regras (como a diminuição, pelo Uber, da porcentagem sobre o valor da corrida para o motorista). De outro, governos com políticas trabalhistas mais rígidas, sindicatos e associações de classe (no Brasil, o Sindicado dos Taxistas, por exemplo). Crivelaro diz que são contra as pessoas que não estão inseridas em práticas de trabalho globalizado e que têm dificuldade de autogestão de tempo.

Para saber mais:
1) Leia, na Forbes, Why Co-Ops And Shared Workspaces Are Exactly What the Gig Economy Needs, sobre as vantagens e oportunidades econômicas da Gig Economy.
2) Leia, no The Wall Street Journey, o texto Contract Workforce Outpaces Growth in Silicon-Valley Style ‘Gig’ Jobs, que afirma que novas pesquisas mostram que a mudança na forma de trabalho afetam o serviço de saúde, a educação e as indústrias tradicionais que oferecem estabilidade ao empregado.
3) Leia, na CNBC, How robots will kill the ‘gig economy’. O texto diz que a Gig Economy, especialmente para entregas e transporte, vai acabar em 20 anos em função da substituição de seres humanos por veículos autônomos e drones.
4) Assista ao TED The power of informal economy, do repórter investigativo Robert Neuwirth.

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