Verbete Draft: o que é Indústria 4.0

- 19 de outubro de 2016
Indústria 4.0 é o passo mais recente da revolução industrial: une automação, robótica e as tecnologias mais avançadas para, praticamente, dispensar seres humanos na linha de produção.
Indústria 4.0 é o passo mais recente da revolução industrial: une automação, robótica e as tecnologias mais avançadas para, praticamente, dispensar seres humanos na linha de produção (imagem: reprodução internet).

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

INDÚSTRIA 4.0

O que acham que é: Um prolongamento da terceira revolução industrial.

O que realmente é: Indústria 4.0 é a fusão da automatização industrial com a tecnologia por meio de conceitos como Internet das Coisas, Big Data, Cloud Computing e Sistemas Cyber-Físicos. É considerada a “quarta revolução industrial” e envolve a criação de novos modelos de negócio, produtos e serviços. Na prática, isso significa que, na Indústria 4.0, as decisões no chão de fábrica são tomadas por máquinas de produção dotadas de sensores capazes de comunicar-se entre si, receber informações em tempo real, armazenar dados na nuvem e identificar e corrigir defeitos sem intervenção humana, entre outras funcionalidades. A tecnologia inclui também a chamada customização em massa: a personalização de produtos, ainda na linha de produção, pelo consumidor final.

Professor, consultor da ESPM-SP e especialista em estratégia na era industrial 4.0, Roberto Camanho diz que há três razões pelas quais a Indústria 4.0 é, de fato, uma quarta revolução industrial e não apenas um prolongamento da terceira: a velocidade, sem precedente histórico, dos avanços tecnológicos; a amplitude e a profundidade do seu impacto, que traz mudanças de paradigmas em variadas áreas; e a transformação significativa nos sistemas de produção, gestão e governança. “Quando comparado com as revoluções industriais anteriores, a revolução que vivemos apresenta um ritmo de mudanças geradas com crescimento exponencial.”

Camanho diz ainda que, no relatório do European Parliamentary Research Service (EPRS), a chanceler alemã Angela Merkel, define Indústria 4.0 como “a transformação abrangente de toda a esfera da produção industrial através da fusão da tecnologia digital e a internet com a indústria convencional.”

Quem inventou: O termo Indústria 4.0 foi utilizado pela primeira vez pelo governo alemão, na feira anual da cidade de Hannover, em uma estratégia para intensificar a utilização de tecnologias exponenciais. O objetivo é modernizar a já avançada indústria do país criando fábricas inteligentes, com capacidade e autonomia para agendar manutenções, prever falhas nos processos e se adaptar aos requisitos e mudanças não planejadas na produção.

Quando foi inventado: A Feira de Hannover em questão aconteceu em 2011. Segundo Sanchez, em outubro de 2012, o grupo responsável pelo projeto apresentou um relatório de recomendações para o Governo Federal Alemão, a fim de planejar sua implantação. “Em abril de 2013 foi publicado, também na feira, um trabalho final onde se iniciou o desenvolvimento da Indústria 4.0 no mundo”, afirma.

Para que serve: Para otimizar, dar mais eficiência e gerar a economia dos sistemas de produção, levando a um aumento de receita, de mercado e de lucro. Há, ainda, diminuição de gasto de energia durante as pausas de fim de semana e possibilidade quase total de controle do estoque (da fabricação à entrega). Sanchez diz que a Indústria 4.0 traz como grandes benefícios a confiabilidade e a eficiência dos processos, entregando produtos com mais perfeição. “Para isso, utiliza capacidade de operação em tempo real, virtualização, descentralização, orientação a serviços e modularidade.”

De acordo com Camanho, os efeitos da Industria 4.0 são a redução dos ciclos produtivos (em até 50%), dos tempos de parada para manutenção e das falhas das máquinas, o que refletirá em aumento de produtividade em 20%. “As fábricas sem operadores, conhecidas como Dark Factory (ou Lights Out, por funcionarem com robôs em um ambiente com as luzes apagadas), são um bom exemplo da Indústria 4.0 e já estão funcionando”, diz.

Quem usa: Na Holanda, um exemplos é a Philips, que produz barbeadores elétricos em uma dark factory com 128 robôs e somente nove funcionários. No Brasil, a Ambev tem um sistema de automação que melhora o controle do resfriamento da cerveja e diminui as variações de temperatura, evitando desperdício de energia. Já na Volkswagen, todos os projetos começam a partir de um modelo digital, que faz simulação em 3D e torna o processo mais rápido, flexível e bem menos custoso.

Uma pesquisa realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), em janeiro deste ano, identificou, dentre as 2 225 empresas ouvidas, a adoção de 10 tipos de tecnologias digitais. Pouco menos da metade das empresas consultadas utiliza pelo menos uma dessas tecnologias. As mais citadas são: automação digital sem sensores, prototipagem rápida ou impressão 3D, utilização de serviços em nuvem associados ao produto, e incorporação de serviços digitais aos produtos em diferentes estágios da cadeia industrial.

Efeitos colaterais: A Indústria 4.0 pode levar à perda de 7,1 milhões de empregos no mundo, até 2020, em função da automação ou da desintermediação (a estimativa é do Fórum Econômico de Davos, feita em janeiro deste ano). Sanchez conta que a perda poderá ser parcialmente compensada pela criação de 2,1 milhões de novos empregos. “Vem daí a grande necessidade de uma ação adaptativa”, diz.

Quem é contra: Segundo Sanchez, parte das instituições e empresas que usam modelos analógicos produção lutam para que tudo permaneça como está, assim como há sindicatos se movimentando para tentar frear essas evoluções. Ele pondera: “É preciso investir em formação e inovação porque, mais cedo ou mais tarde, a mudança virá. Quanto antes pudermos entrar na Indústria 4.0, mais à frente estaremos em relação aos outros países”.

Para saber mais:
1) Leia, na Forbes, What Everyone Must Know About Industry 4.0.
2) Leia, no Guardian, Fourth Industrial Revolution brings promise and peril for humanity, sobre o Fórum Economico de Davos deste ano, cujo tema central foi a quarta revolução industrial.
3) Leia, no TechRadar, 5 things you should know about Industry 4.0, que, entre outras coisas, falar do papel da internet na indústria e de IoT.

Veja também:

“As ondas que mais me intimidam no mundo dos negócios são exatamente as que mais me inspiram a surfar”

- 6 de janeiro de 2017
Guga em ação numa surf trip recente em El Salvador.

“Podemos investir o que for. Não vai nos bastar. Inovação é colaboração”, diz o chefe de tecnologia da IBM

- 15 de dezembro de 2016
Luis Fernando Liguori, da IBM, conta como se inspira nas startups e aposta na colaboração para
inovar na gigante de tecnologia.

Verbete Draft: o que é Geração Alpha

- 31 de agosto de 2016
Muitos da Geração Alpha ainda nem nasceram: eles serão os mais conectados e interligados à tecnologia. No que isso vai dar? (imagem: www.parent24.com).

“O ecossistema de inovação se desenvolveu muito no Brasil nos últimos anos. É preciso ter orgulho disso”

- 29 de agosto de 2016
Boaz, cônsul para assuntos econômicos de Israel, defende que o Brasil tem grande potencial de cooperação: “Israel é um laboratório para testar, mas não o mercado para vender”.