Verbete Draft: o que é Inovação Aberta

- 4 de novembro de 2015
Inovação Aberta é um processo que extrapola as fronteiras do proponente, seja ele uma empresa ou organização (imagem: reprodução internet).
Inovação Aberta é um processo que extrapola as fronteiras do proponente, seja ele uma empresa ou organização (imagem: reprodução internet).

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

 

INOVAÇÃO ABERTA

 

O que acham que é: Uma ideia nova para pessoas de cabeça aberta.

O que realmente é: “Um processo distribuído de inovação que envolve a gestão proposital do fluxo de conhecimento além das fronteiras da organização”. Feita pelo criador da Inovação Aberta, essa definição é de 2014 e atualiza a penúltima, de 2003, que dizia que Inovação Aberta constatava a abertura do processo de inovação – da geração do conhecimento à comercialização – mantendo um fluxo constante entre as fronteiras da empresa, suas fontes de inovação (internas ou externas) e mercados. Eduardo Vasconcellos, professor da FEA-USP, diz que Inovação Aberta envolve pessoas e organizações externas à empresa em uma ou mais fases do processo. “É geração de ideias para novos produtos ou serviços em sintonia com o mercado, elaboração de projetos preliminares, estudos de viabilidade, pesquisa e desenvolvimento implementação na fábrica, comercialização, serviços de pós venda”, diz. Bruno Rondani, diretor do Wenovate e pesquisador associado do GVcepe, diz que Inovação Aberta é, em uma abordagem gerencial, um novo paradigma de gestão da inovação para se desenvolver e explorar a inovação: “É um conceito do qual decorrem metodologias, processos, modelos de governança, contratações. Quem trabalha com inovação e não souber operar Open Innovation está perdido”.

Quem inventou: Henry Chesbrough, co-fundador da Open Innovation Community e diretor executivo do Center for Open Innovation na Haas School of Business, na Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde é também professor.

Quando foi inventado: Em 2003, Chesbrough cunhou o termo Open Innovation ao lançar o livro Open Innovation – The New Imperative for Creating and Profiting from Technology (no Brasil, Inovação Aberta – Como criar e lucrar com a tecnologia) mas a origem conceitual do termo é difícil de precisar. Acredita-se que o princípio de Inovação Aberta tenha sido usado comercialmente pela primeira vez pelo professor inglês James Murray ao pedir que voluntários sugerissem palavras para um dicionário que estava compilando (ele recebeu milhões de sugestões e levou 50 anos para reuni-las). Assim sendo, o Oxford English Dictionary, que tem cerca de 150 anos, seria o primeiro produto feito através de Open Innovation.

Para que serve: Para aumentar a quantidade de ideias, a velocidade da inovação e a qualidade (já que uma empresa não sabe de tudo), e também para saber o que a concorrência está fazendo e se isso pode acarretar algum risco ao seu negógio.

Quem usa: O 100 Open Startups é uma programa que conecta comunidades e competições de startups com desafios e programas de inovação aberta propostos por grandes empresas e grupos de investidores através da criação de um contexto comum e processos de prospecção, combinação e cocriação em rede. Nasceu ano passado, na 7a edição da Open Innovation Week, quando os organizadores convidaram 100 startups de destaque de 15 competições de startups para participar de desafios de inovação propostos em conjunto por grandes empresas parceiras do evento. Também usa a Petrobras, que é líder mundial e tecnologia para águas profundas. “Há décadas a Petrobras desenvolveu uma rede de universidades e instituições de pesquisa e trabalha em projetos junto com elas”, diz Vasconcellos, da FEA. A Embraer é outro exemplo. Vasconcellos conta que a empresa desenvolveu assim o mais bem sucedido projeto da historia da aviação regional. “A família 170-190 da Embraer foi desenvolvida com 16 parceiros que entraram com 70% do capital. A Boeing está tentando copiar este modelo de inovação aberta”, fala. Rondani afirma que praticamente não há um produto no mercado que não tenha sido feito em alguma forma parceira: “A questão é saber gerir isso sistematicamente ou não. As inovações hoje são feitas em processos abertos. O P&D (pesquisa e desenvolvimento) blindado é cada vez mais raro”.

Efeitos colaterais: A inovação aberta torna públicas informações da empresa que podem ser usadas contra ela. Segundo Vasconcellos isso implica em alguns riscos. “Um projeto de inovação aberta contou com uma rede de colaboradores externos que discutiram o tema. Um dos colaboradores patenteou uma das ideias e ficou dono dela”, diz. Mas, segundo ele, a solução não é fechar mas, sim, saber escolher parceiros, usar adequadamente a legislação sobre confidencialidade e saber, em cada projeto, quais etapas são mais adequadas para abrir e quais são mais adequadas para fazer internamente. Além disso, é recomendável fazer contratos de forma que os bons parceiros sejam adequadamente recompensados.

Quem é contra: Algumas empresas, pessoas e governos desenvolveram uma cultura contrária à inovação aberta por diversas razões: postura do líder ou dono, más experiências no passado, desconhecimento de como gerenciar inovações abertas aumentando chances de sucesso e reduzindo riscos. Rondani não acredita que haja um debate no sentido de se fazer ou não Inovação Aberta mas, sim, em relação ao ponto do projeto em que faz mais sentido ele ser aberto ou fechado. “São decisões pontuais, de contexto específico, de cada projeto. Dois setores tradicionalmente mais fechados, Farmácia e Defesa, são os que mais aplicam Open Innovation. Eles eram mais voltados a P&D e foram os primeiros a colapsar e os primeiros a se abrir”, diz, dando como exemplo o momento em que o custo de se fazer um novo medicamento chegou a quase um bilhão de dólares .

 

Para saber mais:
1) Assista a três TED Talks sobre Open Innovation aqui.
2) Veja este TEDx Open Services Innovation, de Henry Chesbrough.
3) Leia, na revista da Petrobras, o caso da própria empresa brasileira e de outras, nacionais e estrangeiras.

Tecnisa

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