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Verbete Draft: o que é MOOC

- 17 de maio de 2017
A Unicamp foi a primeira universidade a oferecer cursos em português na Coursera, um dos MOOCs mais conhecidos do mundo.
A Unicamp foi a primeira universidade a oferecer cursos em português na Coursera, um dos MOOCs mais conhecidos do mundo.

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

MOOC

O que acham que é: Qualquer tipo de aula gravada e disponibilizada na internet.

O que realmente é: MOOCs, plural da sigla, em inglês, de Massive Open Online Course, são cursos abertos, online, disponíveis por meio de ferramentas como aplicativos ou redes sociais. Os mais conhecidos mundialmente são o Coursera (criado por dois professores de Stanford e que oferece cursos de universidades como UC San Diego, Duke e Michigan, entre outras — como as brasileiras USP e Unicamp) e o edX, fundado pela Harvard e pelo MIT, com cursos das duas instituições e de outras também renomadas.

Os MOOCs podem ser tanto cursos de nível universitário como livres, ministrados, inclusive, por instrutores não necessariamente formados. A Udemy, por exemplo, oferece um curso do tenista Agassi sobre o esporte. Sergio Agudo, diretor de negócios para o Brasil da Udemy, afirma que os MOOCs oferecem a um grande número de alunos a oportunidade de ampliar seus conhecimentos num processo de coprodução. “São cursos online que objetivam a participação em larga escala através da internet.”

Marcelo Mejlachowicz, CEO da Veduca, diz que há, em geral, um questionamento em relação ao conceito e à disseminação dos MOOCs, já que cursos online não são novidade. “O que mudou foi tanto a facilidade ao acesso, sem a necessidade da instalação de programas ou processos de seleção, quanto o planejamento pedagógico. Os MOOCs são concebidos e desenhados para o online, o que leva à utilização de ferramentas específicas e muda a forma como os conteúdos são produzidos”, diz.

O modelo de negócio dos MOOCs, geralmente, funciona da seguinte forma: há cursos pagos e gratuitos, estes últimos sem certificado. Veduca e Udemy também funcionam assim.

Quem inventou: Mejlachowicz conta que há controvérsia em relação à autoria da criação dos MOOCs. “Existem pessoas que falam que os MOOCs começaram com um curso da Universidade de Manitoba no Canadá, que reuniu 2 200 pessoas. Mas creio, assim como muitas pessoas, na visão de que o marco inicial dos MOOCs foi o curso de Inteligência Artificial de Stanford, de Sebastian Thrun que, em três meses, teve mais de 160 mil inscritos. Ou seja, um curso massivo.”

Já Agudo afirma que os criadores são Dave Cormier, da University of Prince Edward Island, no Canadá e Bryan Alexander, do National Institute for Technology in Liberal Education, nos Estados Unicos.

Quando foi inventado: O curso da Universidade de Manitoba aconteceu em 2008 e o de Inteligência Artificial de Stanford, em 2011. A criação de Cormier e Alexander é de 2008.

Para que serve: Para ampliar o acesso a conteúdos educacionais que antes ficavam restritos às universidades. De acordo com Agudo, a ideia principal dos MOOCs é manter a mesma qualidade de um curso presencial de nível superior por meio da usando a internet para, assim, atingir um número massivo de pessoas. “Seu maior benefício é essa capacidade de oferecer conhecimento em grande escala. Sendo recente na área de EAD (Educação à Distância), por um lado, os MOOCs não exigem pré-requisitos mas, por outro, muitos não oferecem certificados de participação.”  

Quem usa: Toda e qualquer pessoa que busque conteúdo online de qualidade. Utilizando dados da Veduca, Mejlachowicz qualifica estudantes em três grupos: alunos de graduação ou mesmo ensino médio que buscam conhecer mais sobre a carreira ou créditos complementares para a graduação (30%), são profissionais formados que buscam conhecimento em suas áreas de atuação, visando um melhor trabalho ou uma promoção (50%) e pessoas que procuram conhecimentos fora da sua área específica de atuação, ou seja, que querem aprender algo por prazer (20%). “Já dentre instituições, a USP, por exemplo, usa os MOOCs para melhorar a dinâmica das aulas por meio de um conceito chamado Flipped Classroom. E empresas usam os MOOCs para capacitar seus colaboradores, muitas vezes como benefício de aprendizagem autoinstrucional.”

Efeitos colaterais: A ideia de que, em 100% dos casos, as aulas online substituem totalmente as presenciais. “Há muitos benefícios dos cursos online, como facilidade de cursar e possibilidade de realizar o programa no seu ritmo. Mas sabemos que em muitos casos é muito bom complementar a educação online com eventos presenciais, seja para consolidar aprendizagens ou para praticar o que foi aprendido”, diz Mejlachowicz.

Quem é contra: Nenhum dos profissionais acredita haver quem seja contra. Agudo diz que a tendência é que a educação e o conhecimento se tornem cada vez mais democráticos: “O que pode haver é quem seja contra a evolução em qualquer instância da sociedade”.

Mejlachowicz conta que, entre 2012 e 2013, houve um boom no surgimento de MOOCs, dando a impressão de que estes substituiriam as aulas presenciais. O fato criou uma certa resistência por parte das universidades e dos professores, que se sentiram ameaçados. “Acredito que as pessoas já entendam que não é assim. Existe um papel muito importante dos MOOCs, que é dar acesso a instituições renomadas para a grande massa, mas os MOOCs não vão acabar com as universidades”, afirma.

Para saber mais:
1) Leia, na Harvard Business Review, Who’s Benefiting from MOOCs and Why. O texto lista as carreiras que mais se beneficiam com MOOCs e conta que em três anos mais de 25 milhões de pessoas se matricularam nos MOOCs oferecidos pelo Coursera, pelo edX e outros.
2) Leia, na Fast Company, MOOCs Are No Longer A Cultural Export Of The West. Publicado em 2014, o texto conta que China, Arábia Saudita e outros países do oriente estão criando seus próprios MOOCs de acordo com suas necessidades específicas.
3) Leia, na Forbes, The Future Of Massively Open Online Courses (MOOCs). É um relato completo e atual (de março deste ano), publicado originariamente no Quora sobre o tema.

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