Verbete Draft: o que é OTT

- 12 de julho de 2017
Assistir filmes e séries por streaming já não é novidade. Entenda como isso afeta o mercado (imagem: reprodução Yourstory).
Assistir a filmes e séries por streaming já não é novidade. Entenda como isso afeta o mercado (imagem: reprodução Yourstory).

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

OTT

O que acham que é: Nome de uma nova série da Netflix.

O que realmente é: OTT, sigla de Over The Top, refere-se à entrega de conteúdo audiovisual pela internet sem que os usuários precisem assinar serviços de empresas tradicionais de TV a cabo ou via satélite. Mas como são justamente essas empresas que, majoritariamente, fornecem acesso à internet, e como o OTT só existe online, a conexão entre as duas coisas têm certa relação e, por isso, pode gerar confusão.

Vale reafirmar: todo usuário que tenha qualquer tipo de conexão de internet pode assistir (na TV ou em dispositivos móveis, via apps) conteúdo OTT de acordo, apenas, com as regras de quem oferece este último serviço.

De acordo com Fabro Steibel, professor de Inovação e Tecnologia da ESPM-Rio e diretor executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio, o OTT compete com serviços oferecidos pelos provedores de canais de TV por banda larga (pagos no pacote regular ou on demand, como o NET Now, por exemplo). “O OTT eleva o consumo médio de internet e a discussão sobre isso cresce recentemente com a disputa pela oferta desse tipo de entrega de conteúdo”, afirma.

A transmissão do OTT é via streaming (sem necessidade de download) e pode ser tanto gratuita quanto por pagamento de conteúdo específico (como filmes no iTunes ou no YouTube), ou por pagamento mensal e acesso a todo conteúdo oferecido (como na Netflix). Nos últimos dois casos, o termo utilizado para a prática é VoD (Video on Demand).

Em relação ao VoD, o Brasil foi rankeado como o 8º no mercado da América Latina, segundo o estudo O Impacto Econômico do Setor Audiovisual Brasileiro, da Tendências Consultoria para a Motion Picture Association América Latina, em parceria com o Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual, feito ano passado. Isso significa 352,3 milhões de dólares em receita, o que faz com que o país seja o maior mercado latino-americano de VoD (quase duas vezes maior do que o mexicano e três que o argentino).

O texto WTF is OTT?, do Digiday, publicado em julho de 2015, começa dizendo que Over The Top é o termo mais sexy do mercado de entretenimento e que é o centro da fusão inevitável entre os mundos digital e da TV. Então pergunta, para em seguida explicar em detalhes o conceito e o contexto: “Mas o que exatamente isso significa e por que isso importa?”

Quem inventou: Não existe um inventor para o termo mas as definições oficiais de OTT (algo como especificações de uso), segundo Steibel, surgem com órgãos reguladores da internet, como o FCC (Federal Communications Commission), o principal dos Estados Unidos. “Mas é fato que o termo tem ganhado destaque com o crescimento de aplicativos de streaming de conteúdo de TV como Netflix”, diz ele.

Quando foi inventado: A definição da FCC se deu em 2014 época em que o termo foi popularizado pela Netflix.

Para que serve: De acordo com Pedro Filizzola, CMO da Samba Tech, pioneira na distribuição de vídeos online na América Latina para as empresas, o modelo representa facilidade de criação de entrega de conteúdo online sob demanda. “Para os espectadores e assinantes de serviços de OTT, representa comodidade e economia, já que é possível consumir conteúdo relevante e de qualidade por um preço inferior aos dos serviços de TV por assinatura e no dispositivo que preferir.”

Quem usa: Por um lado, usuários de internet, por outro, empresas como Amazon, Hulu e as já citadas Netflix, iTunes e YouTube (ainda não está disponível no Brasil, mas desde o começo o YouTube TV oferece conteúdo de grandes canais dos EUA como ABC, CBS, FOX e NBC por 35 dólares ao mês).

Filizzola conta que, além dos grandes players, há uma tendência forte de ascensão de canais de nicho, como a FishTV (que oferece conteúdo especializado em pesca) e o Biologia Total, (especializado em aulas de biologia para concursos e vestibulares). “Isso acontece, principalmente, em função da existência de plataformas que permitem a criação desses canais, sustentados pela venda de conteúdos de produtores independentes que não precisam se preocupar com a questão da tecnologia.”

Em abril deste ano, a comScore (empresa americana que mede audiências, marcas e comportamento de usuários no mundo todo) publicou OTT Breaks Out of Its Netflix Shell, texto sobre um estudo que fez em dezembro de 2016. O título fala da força da Netflix no mercado Over The Top, considerada por muitos o ponto inicial da transição de outros meios para o OTT. Mas, por mais que ainda seja a principal player do mercado — está em 75% das casas do estudo, sendo líder de audiência de serviços de streaming nos Estados Unidos —, não joga sozinha: dentro dessas mesmas casas estão também o YouTube (em 53%), a Amazon (33%) e o Hulu (17%).

Efeitos colaterais: Violação de restrições proprietárias, ou seja, uso pirata. Mas, para Steibel, isso não se sustenta: “Há vários indícios de que o consumo pirata de conteúdo tem aumentado os rendimentos do ecossistema da economia criativa baseado em propriedade intelectual”.

Quem é contra: Empresas de TV a cabo (que também são operadoras de internet) e operadoras de celular. “Essa resistência é compreensível, pois uma fonte de suas receitas são os serviços adicionais de conteúdo que, por sua vez, ajudam a manter o preço da conexão de internet baixo”, diz Steibel.

Para saber mais:
1) Leia, no TechCrunch, Netflix reaches 75% of US streaming service viewers, but YouTube is catching up. O texto, um apanhado do mercado feito este ano, conta que a Netflix é a número 2 em termos de engajamento — em média, seus usuários ficam 28 horas por mês assistindo seus conteúdos contra cerca de 47 horas em outros serviços como Sling TV.
2) Leia, na Forbes, How YouTube TV Will Stack Up In The OTT Market. O texto conta como o Google vem apostando em serviços de OTT, como o YouTube TV, para causar uma disrupção no mercado de TV on demand.

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