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Verbete Draft: o que é Scale-up

- 12 de abril de 2017
Scale-Ups têm crescimento forte e escalonado por anos seguidos. Na foto, equipe do "Think Big", uma Scale-Up da Telefonica, em Berlim (foto: divulgação).
Scale-Ups têm crescimento forte e escalonado por anos seguidos. Na foto, equipe do "Think Big", uma Scale-Up da Telefonica, em Berlim (foto: divulgação).

Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

SCALE-UP

O que acham que é: Empresa de alpinismo.

O que realmente é: Scale-Up (ou Scaleup), segundo a OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development), é como se chamam as empresas que sustentam um rápido crescimento por um longo período de tempo e com modelo de negócios escalável.

Guilherme Fowler, professor e coordenador da recém-inaugurada cátedra Endeavor, no Insper, aprofunda o conceito e diz que Scale-Up é um tipo de EAC (Empresa de Alto Crescimento, ou seja, a que tem mais de 10 funcionários e crescimento médio de 20% ao ano por pelo menos três anos seguidos) mas cujo ciclo acelerado de crescimento e criação de riqueza baseia-se, fundamentalmente, na escalabilidade do seu modelo de negócios. “A definição de Scale-Up é recente e acontece após uma grande revisão de sua literatura acadêmica”, afirma Fowler. A cátedra Endeavor, parceria entre a organização de apoio a empreendedorismo e o Insper, foi criada para abordar os desafios das Scale-Ups e das EACs no Brasil.

Professora de empreendedorismo e marketing nos cursos de MBA da FIAP e cofundadora das aceleradoras Triple Seven Accelerator e WP Capital, Ana Paula Wey Perez conta que há três pontos fundamentais para que uma empresa seja escalável: ser ensinável (qualquer funcionário deve poder aprender sobre o processo de produção, o que torna o negócio maleável e expansível), ser valiosa (o valor é gerado por meio da especialização em uma atividade específica distinta dos concorrentes) e ser replicável (o processo é reproduzido e gera receita recorrente). Segundo Wey, a reprodução e a receita recorrente indicam que o modelo de produção funciona, e mais importante, que há mercado para expansão. “Exemplo disso são franquias padronizadas pelo franqueador master em todas as no processo, na loja, na cultura ou no atendimento, entre outros.”

De acordo com dados do IBGE publicados em Scale-Ups no Brasil — As empresas que vão tirar o país da crise (e o que você precisa saber sobre elas), relatório de 2015 feito pela Endeavor, o país tem cerca de 35 000 Scale-Ups, o que representa menos de 1% do total de empresas brasileiras. Ainda assim, elas são responsáveis por quase 60% (média de 3,3 milhões) dos novos empregos gerados aqui nos últimos anos.

Quem inventou: Não há um “inventor” do termo.

Quando foi inventado: Não é possível precisar uma data, mas há alguns anos o termo vem sendo usado por acadêmicos que estudam o universo dos negócios. O relatório do IBGE é de 2015. O relatório do Reino Unido (veja mais abaixo) é de 2014.

Para que serve: Fowler diz que as Scale-Ups têm impactos positivos na produtividade e, portanto, no desenvolvimento econômico do país. “Sobretudo em um contexto de crise e desemprego, é importante produzir conhecimento sistemático sobre esse tema para que seja possível mapear, continuamente, de que forma o ecossistema empreendedor e as políticas públicas podem trabalhar para estimular as Scale-Ups e o crescimento de empresas no Brasil.”

Para Wey, esse processo de escalonamento é importante e traz benefícios. “É a capacidade que uma empresa possui de crescer atendendo às demandas sem perder as qualidades que lhe agregam.”

Quem usa: O Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT) tem uma área, dentro do Laboratório de Desenvolvimento, específica para falar deste tipo de empresa, o D-Lab Scale-Ups.

O The Scale-Up Report, feito no Reino Unido, em 2014, reúne vários estudos de caso que incluem empresas dos mais variados tamanhos — inclusive gigantes como Telefonica (com o projeto Think Big), Santander (com o programa Breakthrough) e Goldman Sachs (com o 10,000 Small Businesses Programme).

O relatório do IBGE-Endeavor, por sua vez, afirma que a maior parte das Scale-Ups são pequenas e médias empresas., a Oilcheck (de Contagem, MG), a CERS (do Recife) e o Grupo Trigo (de São Paulo, que inclui as marcas Spoleto, Domino’s Pizza e Koni Store), entre outras.

Fowler diz que um consenso acerca do termo é importante tanto para os empreendedores (“para que tenham mais clareza sobre seus desafios, oportunidades e formas de apoio”) como para as partes de fora da Scale-Ups, como organizações de apoio e fomento, governo, influenciadores de políticas públicas e grandes empresas, para que possam ajudar esses empreendedores.

Efeitos colaterais: O afã de ser uma Scale-Up pode trazer prejuízos financeiros e de imagem a uma empresa se ela, por exemplo, tentar escalonar sem ter bem definidos os produtos ou serviços que irá oferecer aos clientes. “Tentar escalar antes disso irá resultar em gastos desnecessários e até mesmo em uma morte precoce da empresa. Até por isso, geralmente são as empresas com mais de 14 anos de experiência têm mais sucesso como Scale-Ups”, diz Wey.

Quem é contra: Fowler diz que, a princípio, não há quem seja contra, já que as Scale-Ups são grandes geradoras de empregos e podem contribuir também para o aumento da produtividade da economia. “Como estamos falando de uma nova classe de empresas, ainda não estão tão claras quais as suas características e a ideia é que isto seja investigado, para que os players do ecossistema empreendedor consigam colaborar com o alto crescimento. Sendo assim, a ideia é que o trabalho favoreça a colaboração e não a competição.”

Para saber mais:
1) Assista, no YouTube, a The Scale-up Manifesto: why scale-ups will drive the global policy agenda for the next generation. O vídeo, que tem pouco mais de uma hora, é a gravação de um debate sobre Scale-Ups promovido pela London School of Economics and Political Science (LSE), em 2015.
2) Leia, no Guardian, Never mind startups, it’s scale-ups that urgently need funding, sobre a falta de investimento em negócios que já não são mais startups e têm grande poder de alavancar a economia.
3) Leia, no Startupi, Iniciativa inédita da Endeavor e Insper fala sobre o impacto das EACs e Scale-Ups na economia, sobre a cátedra inaugurada no Instituto no começo deste mês. O texto também faz uma explanação sobre Scale-Ups em geral.

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