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5 respostas para você entender o que é e como fazer um Plano de Negócios

- 23 de agosto de 2019
"Excelentes ideias poderão se tornar excelentes negócios, mas é preciso planejamento", diz Ivete.

Crédito imagem: Unsplash

 

O planejamento é fundamental para reduzir as dificuldades de quem está começando a empreender. E é aí que entra o Plano de Negócios, instrumento essencial para traçar um panorama do mercado, obter informações específicas sobre seu ramo de atuação, assim como dos produtos e serviços que serão oferecidos, dos fornecedores, clientes, e concorrentes. Ele indica, ainda, quais os pontos fortes e fracos do seu negócio, ajudando a identificar se a sua ideia é realmente viável.

O Plano de Negócios é tão essencial para o futuro do seu negócio que convidamos Ivete Rodrigues, Professora e Doutora da Faculdade FIA de Administração e Negócios, para esclarecer as principais dúvidas sobre o assunto.

 1- O que é o Plano de negócios?

Ivete: Quando a mulher decide empreender, seja para realizar um sonho, seja por necessidade, é importante que ela desenvolva uma compreensão sobre o caminho que deve trilhar para ser bem-sucedida. Na clássica obra de Lewis Carroll “Alice no País das Maravilhas”, há um momento em que a menina Alice, ao caminhar pela floresta, chega numa encruzilhada. Surge um gato e ambos dialogam:

Alice: Podes dizer-me, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?

Gato: Isso depende muito de para onde queres ir.

Alice: Preocupa-me pouco aonde ir.

Gato: Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas.

Esse diálogo tornou-se famoso por ser uma metáfora para todas as grandes decisões que devemos tomar ao longo da vida: se não soubermos para onde ir, qualquer caminho servirá. É nesse momento que ganha importância o Plano de Negócios. A empreendedora não deve se render ao amadorismo e começar o negócio sem fazer um planejamento adequado. Empreender não é fácil para ninguém, mas elaborar um Plano de Negócios é importante para evitar dores de cabeça que, muitas vezes, fazem com que as mulheres desistam no meio do caminho.

2- Por que ele é importante? 

Ivete: Por mais que as ideias de negócio pareçam ser muito boas, o que se vê, na realidade, é que muitas acabam não dando certo e o empreendimento, infelizmente, não segue em frente. Excelentes ideias poderão se tornar excelentes negócios, mas é preciso planejamento. Por meio do Plano de Negócios, a empreendedora vai entender melhor se a ideia é financeiramente viável; como é o mercado no qual pretende atuar; quem serão seus clientes e concorrentes; quais as ações necessárias para que o negócio dê certo; quais riscos e problemas que podem surgir; quais estratégias podem ser adotadas para que o negócio seja um sucesso.  Caso a mulher não tenha todo o dinheiro para começar o negócio, será necessário pedir ajuda financeira. Quem for emprestar dinheiro, sejam pessoas próximas, organizações governamentais e sem fins lucrativos ou bancos, pedirá informações detalhadas sobre o empreendimento. Afinal, ninguém vai investir dinheiro em algo que não sabe se terá retorno.

3- Em que etapa da trajetória empreendedora ele deve ser elaborado?

Ivete: Elaborar um Plano de Negócios detalhado pode levar tempo. Além disso, é preciso lembrar que o papel aceita tudo. Por isso, defende-se que, antes da sua elaboração, a empreendedora procure fazer um teste rápido do produto ou serviço que pretende oferecer ao mercado. É o chamado “produto minimamente viável”. Isso significa que será feita uma versão do produto com as mínimas características necessárias para que possa ser avaliado por um potencial consumidor.  A partir desse resultado, a empreendedora pode aperfeiçoar o seu produto e adaptá-lo às necessidades de sua clientela.

Um bom exemplo é o caso da rede de confeitarias da personagem Maria da Paz, da novela “A Dona do Pedaço”.  Ela sabia fazer bolos muito bem e todos os seus familiares, amigos, vizinhos, achavam que eles eram deliciosos. Antes de montar sua confeitaria, ela fez alguns bolos e foi vender na rua. Ou seja, ela elaborou o seu “produto minimamente viável” e testou com outros consumidores que não fossem as pessoas mais próximas. A partir daí ela conseguiu identificar quais sabores tinham mais saída, se as pessoas achavam caro ou barato demais. Ela foi aperfeiçoando o produto até montar uma pequena confeitaria. Ou seja, antes de se tornar “a dona do pedaço” ela testou se realmente seus bolos teriam mercado.

Depois que a empreendedora testar a aceitação do produto junto ao público-alvo, ela terá condições de saber os custos e verificar se sua ideia tem potencial para dar certo.  Caso decida seguir em frente, é a hora de se fazer um planejamento mais detalhado por meio do Plano de Negócios.

4- E quais são as etapas da elaboração do Plano de Negócios?

Ivete: Existem muitos modelos de Planos de Negócio, desde os mais compactos até os mais detalhados. Basta uma rápida busca na internet e surgirão dezenas de opções. Além disso, há muitas instituições que podem ajudá-la nessa tarefa.  Uma das mais referenciadas é o Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Se você tiver dificuldades, não hesite em pedir apoio a esse tipo de instituição ou até mesmo para amigos que conheçam melhor o assunto. Pedir ajuda não é feio.

De maneira didática e resumida, podemos dizer que o Plano de Negócios precisa ter pelo menos três grupos de informações:

a) Análise do mercado: defina quem serão seus clientes, os concorrentes e os fornecedores.

Com essa análise será possível conhecer a clientela: Ela é grande? Onde ela se concentra? Como é possível alcançá-la? Qual o perfil de consumo? São pessoas de baixa, média ou alta renda?

Além disso, é imprescindível conhecer também seus concorrentes. Quem são eles? Como é o produto que eles oferecem?

A partir do conhecimento da concorrência, você pode desenvolver a sua proposta de valor, ou seja, quais serão os diferenciais do seu produto? Por que seus clientes comprarão o seu produto e não o dos concorrentes? Seu produto é mais barato? Seu produto tem mais qualidade? Seu produto é inovador?

Os fornecedores também têm impacto no seu negócio. Eles precisam ser bons e confiáveis. Por isso você precisa saber onde e de quem você adquirirá as matérias primas e os demais insumos necessários para seu negócio funcionar. Saber comprar é um diferencial para você conseguir produzir mais, a um menor custo e com mais qualidade.

b) Plano de Marketing:  um plano de marketing básico serve para você definir os famosos 4 P’s: aspectos relacionados ao produto, ao preço, à praça e à promoção. Não é um conceito novo de gestão, mas é ainda amplamente utilizado.

– Produto: procure descrever os principais itens que serão fabricados, vendidos ou os serviços que serão prestados. Especifique detalhes como tamanho, modelo, cor, sabores, embalagem, apresentação, rótulo, marca.  Não se esqueça de verificar se há normas ou exigências oficiais a serem atendidas (vigilância sanitária, prefeitura, normas técnicas, etc.) para a produção ou acondicionamento dos produtos que você venderá.

– Preço: Preço e custos são coisas diferentes. Custo é o quanto você gasta para produzir. Coloque na ponta do lápis tudo o que você gastará para produzir. Depois, some o lucro que você pretende obter. No entanto, não se pode colocar um preço pelo qual o seu cliente não estará disposto a pagar. Além disso, o preço precisa estar compatível com aquele praticado pelos seus concorrentes. Saiba mais.

– Promoção: seu produto ou serviço pode ser ótimo, mas os clientes precisam saber disso. Portanto, é preciso promovê-lo, ou seja, apresentar e convencer seus clientes de comprar de você e não dos seus concorrentes. Isso pode ser feito por meio de várias formas como internet, mensagens eletrônicas, participação em feiras, carros de som, etc. Use sua criatividade. O importante é que o cliente conheça e compre o seu produto. Saiba mais.

– Praça: onde você vai vender o seu produto? Quais serão os canais de distribuição? Isto é, como seus produtos e/ou serviços chegarão até os seus clientes? Há diversas maneiras, desde lojas físicas, venda porta a porta, vendas por telefone e vendas online. Se você decidir por ter um ponto comercial, lembre-se que a localização é fundamental para o sucesso de seu negócio. Um bom ponto comercial é aquele que gera um volume adequado de vendas. Fique atento para os custos de aluguel, segurança, higiene, facilidade de acesso e estacionamento para clientes. Saiba mais.

c) Plano Financeiro: Nessa etapa, você irá determinar todos os recursos financeiros necessários para que seu negócio comece a funcionar. Dependendo do negócio, há necessidade de um maior detalhamento das informações. Mas, minimamente, sugere-se à empreendedora que detalhe os principais custos e receitas previstos.

– Investimento Total: formado por:

  • Investimentos fixos: todos os bens que você deve comprar ou alugar para que seu negócio possa funcionar de maneira apropriada (equipamentos, máquinas, móveis, utensílios, etc.). Defina a quantidade necessária, o valor de cada um e o total a ser desembolsado.
  • Capital de giro: é o quanto de dinheiro que você precisará ter em caixa para seu negócio funcionar. Lembre-se que você precisará comprar matérias-primas e pagar diversas despesas antes de começar a vender e a receber os pagamentos de seus clientes.
  • Investimentos pré-operacionais: antes de começar a funcionar, é provável que você precisará fazer alguns gastos como, por exemplo, pintura, instalação elétrica, troca de piso, taxas de registro para abertura de empresa, etc.

Para saber o investimento total, some todos os custos acima. Veja se você tem todos os recursos necessários ou se precisará de terceiros (pessoas externas ou instituições financeiras). Faça um quadro das fontes de recursos e do porcentual de contribuição de cada uma delas.

– Despesas com pessoal: outro aspecto importante do planejamento financeiro refere-se às despesas com eventuais funcionários. Além dos salários, devem ser considerados os custos com encargos sociais (FGTS, férias, 13º salário, INSS, horas- extras, aviso prévio, etc.). Não deixe de prever isso pois, caso os encargos sociais não sejam pagos, você poderá sofrer processos trabalhistas.

– Estimativa de faturamento: procure estimar quanto será o faturamento mensal do seu negócio, multiplicando a quantidade de produtos que você avalia que poderá vender pelo preço de venda. Faça isso com cautela e evite otimismo em excesso. Não se esqueça de verificar se há épocas em que você venderá mais e épocas em que provavelmente seu produto terá menor saída. Por exemplo, ovos de páscoa tem o pico de vendas na Semana Santa. Em outros períodos, a venda pode ser mínima ou inexistente.

– Cálculo dos índices financeiros: com as informações sobre os custos de investimentos, será possível calcular índices como ponto de equilíbrio, taxa interna de retorno (TIR), retorno sobre os investimentos (ROI), tempo que você demorará para começar a ter lucro (período de pay-back), etc. Para isso, é possível que você precise recorrer à ajuda de especialistas.

5- Quais os conselhos para um Plano de Negócios eficiente?

Ivete: Por mais que pareça difícil ou burocrático, ter um bom Plano de Negócios pode ser a diferença entre o fracasso e o sucesso. Mesmo assim, pode haver imprevistos. Talvez você necessite fazer ajustes em seu plano. Mas não desista!

Seja confiante. Tenha em mente o seu potencial e suas habilidades. E não se esqueça: aprenda sempre. Busque se capacitar. Ninguém nasce pronto. Como disse Paulo Freire, educador brasileiro de renome internacional, “ninguém caminha sem aprender a caminhar, sem aprender a fazer o caminho caminhando, sem aprender a refazer e a retocar o sonho pelo qual se pôs a caminhar”.

Esta matéria pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

 

 

 

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