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A água do planeta e seu uso na agricultura – entenda essa relação

- 25 de setembro de 2015
A maior parte da irrigação de plantações é feita com água das chuvas, diz Alexandre Nepomuceno, da Embrapa

Para produzir tudo o que é consumido gasta-se uma quantidade enorme de água. Uma xícara de café, por exemplo, requer 140 litros. Para um quilo de tomate, são necessários 185 litros – e, para um quilo de carne, lá se vão 15 000 litros de água, segundo a organização holandesa The Water Footprint Network. Essa é uma das formas de se medir o consumo do produto final (há outras metodologias, que podem indicar valores diferentes). Não à toa, a busca pelo desenvolvimento sustentável representa um dos maiores desafios da humanidade. A expectativa é que a população mundial passe dos atuais 7 bilhões de pessoas para 9 bilhões até 2050. Esse crescimento – e o consequente aumento da demanda por água, energia e alimentos – vem fazendo com que toda a cadeia produtiva procure soluções que permitam o uso mais racional dos recursos hídricos.

No Brasil, a agricultura é responsável por 70% do consumo de água, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. Embora pareça muito, esse gasto precisa ser relativizado e não pode ser equiparado ao consumo industrial, que representa 20% do montante, ou mesmo ao consumo humano, de 10%. Isso por uma razão simples: boa parte da água usada no campo retorna à natureza. “O que não é consumido pela planta permanece no ciclo hidrológico, seja por meio da evaporação ou da penetração no solo, que devolve essa água para o lençol freático”, diz o pesquisador Alexandre Nepomuceno, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O especialista ressalta ainda que a maior parte da irrigação de plantações é feita com água das chuvas. “É justamente esse retorno da água para a natureza que completa o ciclo e faz com que chova”, diz.

O plantio direto — nome dado à técnica de manter a terra sempre coberta com a palha decomposta de safras anteriores — também é usado para evitar a rápida evaporação da água e a erosão do solo, uma vez que a infiltração se torna mais lenta. “O Brasil é líder mundial no uso desse sistema, que já ocupa cerca de 60% da área plantada”, afirma Nepomuceno.

Os ganhos socioambientais da biotecnologia

Um estudo feito pela Céleres, consultoria focada na análise do agronegócio, sobre o impacto dos transgênicos nas lavouras destaca os principais benefícios da biotecnologia. Os resultados se baseiam em pesquisas de campo e entrevistas com mais de 360 produtores de soja, milho e algodão — as três culturas geneticamente modificadas atualmente comercializadas no país — e apontam que o primeiro ganho é financeiro. Segundo esse estudo, os transgênicos geram um retorno adicional de até R$ 3,49 para cada R$ 1 investido na semente.

O segundo ganho é ambiental. Depois de analisar os resultados acumulados entre 2007 e 2011, a Céleres projeta que a redução do uso da água decorrente da menor necessidade de aplicações de defensivos e da introdução de variedades mais resistentes a pragas pode poupar, no Brasil, 149 bilhões de litros de água ao longo de 10 anos. O volume é capaz de abastecer 3,4 milhões de pessoas nesse mesmo período. “Essa economia vem, principalmente, da redução do número de pulverizações”, diz Anderson Galvão, sócio-diretor da Céleres. “Graças ao milho transgênico, que teve seu primeiro plantio em 2008, os agricultores economizaram o equivalente a 2,7 mil toneladas de ingredientes ativos de defensivos agrícolas na safra 2009/2010”.

Nesse contexto, a projeção mostra que a soja deve liderar a participação nos benefícios ambientais (70%), principalmente pela maior área ocupada. O milho, por sua vez, responderá por 27% do benefício e o algodão, por 3%. “Quando reduzimos a frequência das aplicações de defensivos, ocorre uma queda não só no uso da água, como também do óleo diesel que move as máquinas agrícolas, o que por sua vez impacta em uma menor emissão de gás carbônico, o gás que mais contribui para o aquecimento global”, afirma Galvão.

Plantas mais resistentes à seca

O desenvolvimento de plantas adaptadas às mudanças climáticas também é, na opinião dos especialistas, uma forma de estender a área de plantio a regiões mais áridas, minimizando o risco de perdas em períodos de estiagem. “Nos Estados Unidos, já foram plantados mais de 10 milhões de hectares de milho geneticamente modificados com esse intuito”, diz Nepomuceno. A Austrália é outro exemplo de nação que conseguiu driblar um período de dez anos de seca com técnicas como o uso de plantas geneticamente modificadas, o controle de irrigação e o aperfeiçoamento do sistema de recolhimento de água das chuvas.

“O Brasil precisa modernizar a agricultura e investir em tecnologia para continuar alimentando cada vez mais pessoas sem que, para isso, tenha que aumentar a área produtiva”, diz Galvão. “O setor é totalmente dependente da água e tem ciência da necessidade de usá-la de uma forma racional. Nesse sentido, a biotecnologia pode contribuir muito para que se consiga aumentar a produção agrícola e ao mesmo tempo reduzir os prejuízos ambientais”.

Com agricultores hábeis e recursos tecnológicos, defende o sócio-diretor da Céleres, o agronegócio continuará alimentando o mundo de forma cada vez mais sustentável.

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