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A Biosoftness criou um spray contra o impacto ambiental da lavagem de roupas

- 28 de setembro de 2018
Renan Serrano, criador do Biosoftness (foto: Thays Bittar)

 

Um spray que, ao ser borrifado no tecido, libera nanocápsulas biodegradáveis que impedem a proliferação de bactérias e fungos, criando uma espécie de barreira protetora contra a sujeira e mau cheiro. Parece ficção científica? Pois o produto existe, atende por Biosoftness e tem um objetivo ousado: impactar positivamente o planeta transformando o hábito de lavar roupas.

“Nossos primeiros clientes relatam que passaram a lavar roupa apenas uma vez por mês”, diz Renan Serrano, sócio-fundador da Biosoftness. A startup paulista por trás do spray de mesmo nome é uma das participantes da edição 2018 do Braskem Labs Scale, e está tendo seu modelo de negócio calibrado para ganhar espaço no mercado com a ênfase que deseja.

Em 2010, recém-formado em moda pela Faculdade Santa Marcelina, Renan queria descobrir como quebrar o ciclo de consumo impulsivo e fugaz no qual o mercado está ancorado. Sua primeira iniciativa foi a criação de uma marca própria, a Trendt, com peças de design atemporal feitas em pequena escala.

Foi aí que ele começou a refletir a respeito da questão da lavagem e seus impactos sobre o meio ambiente. Lavar roupas, embora fundamental, contribui para o desgaste e o envelhecimento precoce do tecido (induzindo à compra de novas peças, cuja produção também demanda recursos naturais). Além disso, uma máquina de lavar consome em média 100 litros de água por ciclo.

Renan percebeu que, apesar da oferta de produtos fungicidas e bactericidas, não existiam alternativas com ação preventiva, destinadas a agir antes mesmo do surgimento de fungos e bactérias. Familiarizado com a indústria têxtil desde jovem (ele praticamente cresceu na fábrica de estamparia dos pais), se pôs a a desenvolver a mistura que daria origem ao Biosoftness, feito de matéria-prima orgânica – incluindo ingredientes como lavanda, cravo e tomilho.

O resultado foi apresentado pela primeira vez em 2016 como um amaciante no festival de inovação SXSW (South by Southwest), que ocorre anualmente em Austin, no Texas, onde recebeu destaque. No Brasil, ganhou naquele mesmo ano o Prêmio Ecoera, dado a empresas de moda com iniciativas sustentáveis.

De lá para cá, o produto evoluiu para uma versão spray e conquistou uma pequena comunidade de clientes – ele é vendido pelo site em frascos de 45 ml que custam R$ 65 e podem durar até três meses.

“Tem gente que borrifa só nas peças preferidas; outros usam no armário inteiro. No último ano tivemos uma taxa de recompra de 90%”, diz Renan. As nanocápsulas biodegradáveis se mantêm ativas por até 60 dias, durabilidade certificada pelo Inmetro. De quebra, o spray ajuda o usuário a dispensar o uso de desodorantes, já que impede o odor corporal de aderir ao tecido da roupa.

O ano de 2018 está sendo de grandes avanços e transformações, com o patenteamento do produto e início de negociações com players grandes. Isso se deve em parte pela participação no Braskem Labs Scale, que busca soluções com química e plástico que impactem positivamente a sociedade.

“É incrível ter uma relação intimista com um player global como a Braskem. Não haveria ninguém melhor para tirarmos nossas dúvidas”, diz Renan. “O programa nos ajudou a colocar energia no mercado certo e nos conectar com as pessoas certas”, diz Renan.

O empreendedor conta que o faturamento de R$ 2 milhões inicialmente previsto para 2018 foi reprojetado para 2021 (quando o objetivo é conseguir vender a tecnologia e a base de dados para uma multinacional).

“Poderíamos gerar caixa rápido, mas com a consultoria da Braskem vimos que perderíamos insights importantes no caminho”, diz Renan. “Preferimos pôr o pé no freio para afinar nossa relação com o consumidor.”

Faz parte desse pensamento a proposta de oferecer no site o produto para um teste grátis: você só paga se gostar. Parcerias com o comércio estão sendo costuradas: em novembro, o Biosoftness começa a figurar nas lojas da Farm numa versão inédita customizada com o aroma e a cor da marca.

Por isso, também, a opção de adiar a oferta recebida pelo Grupo Pão de Açúcar no início do ano para vender o Biosoftness em supermercados. A ideia de Renan é que primeiro haja uma conscientização coletiva sobre o quanto o jeito que tratamos nossas roupas é nocivo ao meio ambiente.

“Queremos que as pessoas percebam que têm um problema que precisam resolver: 65% do impacto ambiental causado por uma peça de roupa está nas mãos do consumidor.” Isso abrange desde a decisão de compra até lavagem, secagem e passadoria, e mais água, energia elétrica e produtos de limpeza industrializados como sabão em pó e amaciante.

A empresa vai entendendo aos poucos quem são seus clientes potenciais – para Renan, possivelmente homens e mulheres com filhos, que tem a necessidade de lavar uniformes escolares com frequência, por exemplo. “Mas temos visto alguns usos inusitados, como limpeza de roupa para pets e equipamentos esportivo”.

As possibilidades são inúmeras: de estofados de sofá a capacetes e equipamentos hospitalares. A própria Braskem cogita fechar uma parceria com a Biosoftness para utilizar o produto no uniforme de funcionários. O importante, diz Renan, é não perder de vista o empenho pela sustentabilidade.

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