SPONSORS:

Boutique de Krioula: moda para fortalecer a autoestima da mulher negra

- 16 de julho de 2019
"No início eu levava meus varais de turbantes para eventos de cultura negra e encontros da periferia. Aos poucos fui conquistando o mercado, ganhando mais espaço", lembra Michelle.

 

Na luta por espaço, reconhecimento e empoderamento, as mulheres negras já avançaram bastante, mas ainda assim há muito a conquistar. “Um exemplo dessa situação é que nos sentimos pouco representadas pela moda”, conta a empreendedora Michelle Fernandes, que criou a Boutique de Krioula, e-commerce de acessórios afro-brasileiros justamente para atender a essa parcela da população. Um negócio que nasceu pequeno, na sua casa, mas aos poucos vem crescendo, conquistando clientes e ganhando espaço no mercado. Aqui, Michelle compartilha sua trajetória e conta como o fortalecimento da autoestima das mulheres negras tem motivado o seu negócio.

Como surgiu a ideia de empreender?

Os planos de me tornar uma empreendedora começaram no final de 2012, quando fui demitida do meu emprego de auxiliar administrativa, função que exerci durante 4 anos. Ao ser desligada da empresa decidi empreender em algo que tivesse ligação com a fase que eu estava vivendo. Naquele momento eu estava em transição capilar, ou seja, deixando de alisar os fios para usá-los naturalmente, e queria encontrar no mercado produtos e acessórios que valorizassem minhas características naturais.  Percebi a falta de opções e resolvi eu mesma fazer algo. Meu objetivo era oferecer produtos para mulheres que, negras e gordas como eu, nunca se sentiram bonitas nem reconhecidas no mercado.

O que você fazia antes?

Eu já fui auxiliar administrativo, operadora de telemarketing, balconista e vendedora. Essas experiências me ajudaram a formar meu negócio, pois de cada emprego tirei aprendizados que aplico hoje na minha empresa.

Como nasceu a Boutique de Krioula?

A Boutique de Krioula nasceu da minha vontade de mudar o cenário da moda atual, pois eu não me reconhecia nos produtos e nas propagandas das grandes marcas. Eu já usava os turbantes e isso provocava curiosidade e interesse nas minhas amigas. Vi ali uma oportunidade de aliar empreendedorismo e propósito e com um pequeno investimento inicial fiz meus primeiros turbantes para vender e criei uma página nas redes sociais. Em seguida comecei a avisar as amigas sobre meu negócio. Uma pessoa foi falando para outra e começaram a acontecer as primeiras vendas. No início eu levava meus varais de turbantes para eventos de cultura negra e encontros da periferia. Aos poucos fui conquistando o mercado, ganhando mais espaço.

Como funciona o negócio?

A Boutique de Krioula visa valorizar a cultura afro-brasileira através de seus produtos. Trabalhamos com tecidos africanos e brincos exclusivos feito por designer próprio, todos com essa característica afro-brasileira, usamos muitas cores, estampas, desenhos e etc.

Como é a sua atuação na empresa?

Eu já fiz de tudo um pouco na marca, pois no começo da vida empreendedora a gente precisa atuar em todos os setores. Mas atualmente cuido da parte de marketing e redes sociais, onde tenho contato direto com as minhas clientes.

Quais estratégias têm dado melhor resultado nesta trajetória?

As redes sociais são nossa principal fonte de captação de clientes e vendas, então me dedico bastante em trazer um conteúdo de qualidade.

Por outro lado, quais caminhos foram deixados de lado?

No início participávamos de muitos eventos, mas com o tempo começamos a analisar e concluímos que menos é mais. Então hoje focamos mais no e-commerce e em fazer eventos pontuais.

Você recebeu algum tipo de suporte?

No início de 2018, recebi a Aceleração da ANIP, a Aceleradora de Negócios da Periferia, junto com a Artemísia e a Fundação Getúlio Vargas. Foi o incentivo que eu precisava para desenvolver planos mais robustos e conseguir fechar o ano com a venda total de 1500 turbantes e 2000 brincos.

Qual a origem dos produtos comercializados pela Boutique de Krioula?

As bijus são desenhadas pelo Célio, meu marido e sócio, que é grafiteiro. Há cinco anos, quando a empresa passou a vender mais, ele deixou o emprego de ajudante geral em uma loja de tecidos e veio trabalhar comigo. Hoje ele desenvolve os desenhos e cuida de toda parte de design da marca. Os nossos turbantes atualmente são importados diretamente de países africanos como Angola e Senegal.

Por que você optou pelo e-commerce, ao invés de um ponto de venda físico?

Através do e-commerce tenho a possibilidade de atender todo o Brasil, com um custo fixo menor do que o de um ponto físico. Além de termos revendedoras, também contamos com lojas colaborativas. Por isso, não há necessidade de ter uma loja física.

Como você lida com a concorrência? 

Acredito que a concorrência seja necessária para sairmos da zona de conforto.  Se meus concorrentes não estivessem fazendo um bom trabalho, eu poderia estar estagnada com os meus primeiros produtos, não teria ousado e criado algo novo. Então é bom sempre estar de olho, estudando o mercado para poder melhorar ainda mais meus produtos e entender meu cliente

Qual seu maior objetivo? 

Minha meta é cada vez mais impactar pessoas a partir do meu trabalho. Acredito que uma mulher mais feliz e empoderada consegue alcançar com mais facilidade seus objetivos e sonhos e estamos aqui para ajudá-la nesse caminho.

Qual foi o maior desafio que você enfrentou na vida empreendedora?

Acredito que o maior desafio foi começar. Tudo era novo e eu tinha poucos recursos para fazer a loja acontecer. Passei por muitos momentos difíceis, nos quais as contas não fechavam, mas tive resiliência e foco para continuar traçando meu caminho.

Qual a maior conquista até aqui? 

Já foram muitas! Conhecer grande parte do Brasil, ter a oportunidade de estar com pessoas incríveis, palestrar em grandes eventos contando a minha história e mudar a vida das pessoas. Mas encontrar com clientes pessoalmente e elas me dizerem que a partir dos meus produtos se reencontraram, elevaram sua autoestima e estão muito mais empoderadas, isso não tem preço.

Qual é o seu sonho? O que ainda falta realizar?

Meu sonho com a marca é participar de alguns eventos internacionais como o Afropunk e o Curly Day que acontecem em New York. Acredito que vou realizá-lo em breve.

Se pudesse dar apenas uma dica para quem está querendo empreender, qual seria?

Estude, faça cursos presenciais ou online, busque mentoria nas fases de crescimento da sua empresa. Hoje em dia várias empresas oferecem capacitação, como por exemplo a Empreende Aí, Artemísia, Pense Grande e a Anip.

Quais seus planos para o futuro? 

Estamos em fase de expansão, fechando novos revendedores em outros países. Queremos crescer e conquistar ainda mais clientes que se sintam representados pela marca.

 

Para saber mais:

Boutique de Krioula

O que faz: Marca que visa valorizar a cultura afro-brasileira através de seus produtos para empoderar mulheres ao redor do mundo.

Sócios: 2

Funcionários: 2

Sede: São Paulo – Capão Redondo

Início das atividades: setembro de 2012

Investimento inicial: R$150.

Contato: 11 951499539 e [email protected]

 

Esta matéria pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

 

 

3557 Total Views 5 Views Today
Veja também:

Quem é você quando seu cérebro te trai? Mariana Nobre é o Retrato da semana

- 2 de agosto de 2019