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A Conquer ensina profissionais a dominar habilidades como oratória, negociação e inteligência emocional

- 1 de maio de 2019
Com 15 mil alunos ao longo de três anos, a escola vem inaugurando novas filiais e desbrava agora também uma nova frente, com clientes corporativos (foto: Diego Castelo)

 

A insatisfação com o ensino voltado a executivos e seu foco no desenvolvimento de habilidades técnicas e teóricas motivou a fundação da Conquer. A escola nasceu em Curitiba, em 2016, e pretende fomentar o que chama de “habilidades de primeira camada” (first layer skills), como oratória, liderança e inteligência emocional.

Na visão de Hendel Favarin, 28, um dos sócios, o domínio dessas habilidades ajudaria a potencializar os conhecimentos específicos, técnicos, a serem adquiridos pelo profissional em um momento posterior:

“Todo mundo deveria aprender oratória, produtividade, inteligência emocional e negociação, por exemplo. São conhecimentos que potencializam as habilidades técnicas de qualquer profissional, fazendo com que a performance atinja um nível mais alto”

Com passagem pela consultoria PwC, Hendel está à frente da escola junto com os sócios Josef Rubin, 30, ex-executivo do Grupo Boticário, e Sidnei Júnior, 31, que tem no currículo uma experiência na Vindi, plataforma de gestão de pagamentos.

Imersos no mercado corporativo, os três viam que “quem crescia na carreira tinha outras habilidades, não era só bom tecnicamente”. Era necessário, eles intuíram, melhorar o ensino de executivos.

“As habilidades mais importantes, que fazem um profissional realmente se destacar, acabam sendo deixadas de lado pelo ensino tradicional”, diz Hendel. “Só que pouca gente ensina esse tipo de competência. E, quando tenta ensinar, faz isso por meio de uma metodologia chata e ultrapassada.”

ACELERAÇÃO NO VALE DO SILÍCIO E INSPIRAÇÃO NA GAMIFICAÇÃO

Quando os três se juntaram e decidiram empreender em educação, tinham em mente o que queriam fazer — mas zero experiência ou conhecimento do setor. O primeiro passo foi identificar de forma clara os pontos negativos que viam no ensino tradicional: professores com ênfase teórica, conteúdo sem aplicabilidade prática e metodologia “quadrada”.

O passo seguinte foi buscar ajuda. Pesquisando iniciativas inovadoras, de olho no Vale do Silício, os empreendedores encontraram o programa de aceleração da Draper University, criada em 2012 por Tim Draper, bilionário investidor de empresas como Tesla e Skype. O trio submeteu seu projeto — e foi selecionado. Assim, Josef (que na época vivia na Colômbia, trabalhando para o Boticário) foi o escolhido para passar pelo processo de dois meses, na Califórnia.

Foi lá que ele tomou contato com o conceito de first layer skills e amadureceu ideias que embasariam os cursos da Conquer incluindo o modelo de aula invertida (flipped classroom), em que o aluno estuda o conteúdo em casa e usa o tempo em sala para aprofundamento por meio de exercícios, projetos e discussões práticas.

Os cursos têm duração média de seis semanas. Não há testes ou provas. Em vez disso, são propostos desafios relacionados ao negócio ou mercado em que o profissional atua. “Trouxemos elementos de gamificação para deixar o ensino mais atrativo”, explica Hendel. Um desses elementos seria o sistema de recompensa: os alunos que pontuam mais nos desafios são premiados com uma experiência ao fim do programa — por exemplo, um show, um jantar ou um salto de bungee jump.

Outro diferencial, segundo os sócios, são os professores saídos diretamente do mercado: 90% deles nunca haviam dado aula antes. “Eles vivem de dia o que ensinam à noite”, diz Hendel.

“Para nós, não faz diferença se o professor tem mestrado ou doutorado. Avaliamos o conhecimento prático dele como profissional e, depois, os selecionados passam por um treinamento”

FANTASIA DE ASTRONAUTA E DISPAROS DE MENSAGENS PELO LINKEDIN

Enquanto Josef mergulhava na aceleração no Vale do Silício, Hendel e Sidnei estavam focados em construir a sede, em Curitiba. Para colocar a escola em pé, os três investiram R$ 180 mil com recursos próprios (até hoje, a empresa não recebeu nenhum aporte externo).

A inauguração da escola coincidiu com a volta de Josef ao Brasil. A sede estava pronta, os cursos, desenhados… Mas como atrair os alunos? “Não sabíamos como divulgar, porque não éramos desse meio de educação”, diz Hendel.

Em busca de clientes, começaram a panfletar na rua (contam que até se vestiram de astronauta para chamar atenção) e acionar os amigos para compartilharem a iniciativa em suas redes sociais. O esforço, porém, parecia não estar dando resultado.

Os sócios da Conquer (da esq. à dir.): Josef Rubin, Hendel Favarin e Sidnei Junior

Foi aí que tiveram duas sacadas: criar workshops gratuitos (para servir como “amostra grátis” dos cursos) e convidar potenciais alunos pelo LinkedIn. A missão de disparar os convites, um a um, pela rede de relacionamentos profissionais foi confiada a dona Frida, 67, mãe de Josef, que se ofereceu para ajudar.

“Ensinamos a dona Frida a ligar o computador, entrar no LinkedIn e mandar as mensagens sobre o workshop”, diz Hendel. Sozinha, dona Frida disparou umas 10 mil mensagens. O resultado? Cerca de 400 pessoas foram até os workshops e 36 efetivaram a matrícula. A segunda turma já reuniu o dobro da primeira, 70 pessoas. “Assim a roda começou a girar.”

15 MIL ALUNOS. E UM NOVO BRAÇO PARA CLIENTES CORPORATIVOS

Logo no primeiro ano, a Conquer abriu uma filial em São Paulo, na Avenida Paulista, e faturou R$ 1,1 milhão. No segundo ano vieram mais quatro unidades, totalizando seis: Curitiba, São Paulo (2), Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Hendel diz que a escola já atendeu 15 mil alunos, com idade média de 28 anos. Os cursos mais procurados são Alta Performance, que ensina sobre produtividade, Coragem (oratória), Força (inteligência emocional) e Poderes Especiais (negociação, influência e vendas).

Hoje, a Conquer tem 80 funcionários e mais de 200 professores. No ano passado, o faturamento chegou a R$ 7 milhões, e a expectativa para 2019 é alcançar R$ 23 milhões, com a inauguração de novas unidades — as próximas serão abertas em Joinville (SC), Campinas e Alphaville (bairro nobre entre Barueri e Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo).

Mesmo em pouco tempo, o modelo de negócios já passou por duas adaptações. A primeira foi o desenvolvimento de um braço para atender o mercado corporativo, que hoje já representa 30% do faturamento e inclui clientes como Google, Itaú, Nestlé, Magazine Luiza e Grupo Boticário. Segundo Hendel:

“A gente não pensava em atender empresas, mas foi natural chegar nos RHs das organizações, porque os funcionários faziam nossos cursos e nos indicavam”

A segunda novidade foi a criação do Conquer Labs, um spin-off projetado para oferecer treinamentos corporativos e turbinar a cultura digital dentro das companhias (Globo, Ambev e Exxon Mobil entre elas). “É algo que vai além de ensinar uma técnica, passa por uma transformação cultural para a empresa ser digital e mais inovadora.”

A escola mantém ainda uma frente social: parte do lucro é destinado a treinar, mensalmente, cerca de 50 moradores de rua e pessoas em situação de risco em busca de uma chance no mercado de trabalho, por meio de um primeiro emprego no McDonald’s, parceiro da iniciativa.

“Entramos na parceria com cursos como protagonismo, inteligência emocional e inteligência financeira”, diz Hendel. “O conteúdo foi adaptado, porque são pessoas que estão dando o ‘start’ na vida.”

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  • Projeto: Conquer
  • O que faz: Escola para acelerar o crescimento pessoal e profissional a partir do ensino de “soft skills”
  • Sócio(s): Hendel Favarin, Josef Rubin e Sidnei Junior
  • Funcionários: 80 (mais cerca de 200 professores)
  • Sede: Curitiba
  • Início das atividades: 2016
  • Investimento inicial: R$ 180 mil
  • Faturamento: R$ 7 milhões (2018)
  • Contato: [email protected]
Veja também:

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