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Projeto Código Verde utiliza tecnologia para rastrear plantas na Mata Atlântica

- 17 de janeiro de 2019
Projeto Código Verde é resultado de meses de desenvolvimento e trabalho voluntário do Legado das Águas com a GS1 Brasil, 3M, Zebra Technologies e Paripassu.

Recolher sementes, catalogar espécies de plantas, germinar e vender para empresas e para o público: este é o objetivo do Viveiro de Plantas do Legado das Águas, maior reserva privada da Mata Atlântica do Brasil, administrada pela Reservas Votorantim, como um negócio independente, uma startup que tem o objetivo de se tornar autossustentável não apenas como bioma, mas também financeiramente. O projeto, que fica a aproximadamente três horas da capital paulista, pretende gerar receitas para manter de pé a floresta nativa.

O Viveiro de Plantas é uma das ferramentas para chegar a este objetivo. O trabalho, minucioso, começa com um time de pesquisadores que recolhe sementes na floresta, leva para o berçário de mudas e identifica de quais espécies se tratam. Feito isso, as sementes são germinadas e, por fim, as plantas vendidas para projetos de recomposição e paisagismo e para o público em geral que visita o Legado das Águas em atividades de ecoturismo, por exemplo.

Por mais natural que seja o processo de transformar sementes em plantas, o Projeto Código Verde aposta em muita tecnologia e inovação para fazer o viveiro funcionar de forma eficiente. Se estamos falando de rastrear espécies de forma automatizada, nada mais razoável do que desenvolver um banco de dados sobre as descobertas feitas ali e colocar toda a informação sobre a mata nativa no meio digital. Para chegar a este objetivo, a iniciativa funciona de forma voluntária e colaborativa, reunindo as competências de uma série de empresas que têm o propósito maior de ajudar a manter a floresta protegida.

Entre as organizações envolvidas está a GS1 Brasil, entidade responsável pela criação e administração de padrões globais de identificação, entre eles o conhecido código de barras, utilizado em tantos itens comerciais.

Herbert Kanashiro, 40, analista de Sustentabilidade da organização e coordenador do projeto por lá, conta que o programa na Mata Atlântica começou há cerca de dois anos, a partir de conversas com representantes da Votorantim. “Temos uma frente de sustentabilidade em que apoiamos negócios sociais por meio da automação. Nestas conversas surgiu a ideia de implementar a tecnologia no Viveiro de Plantas, utilizando nossa expertise no projeto”, lembra.

“Até aqui já catalogamos aproximadamente 90 espécies e temos capacidade produtiva de 200 mil plantas por ano”

PARCERIA POR UMA CAUSA MAIOR

Como se gerar um banco de dados sobre uma floresta não soasse estranho o suficiente, a GS1 deu um passo além e chamou outras grandes companhias para atuar na iniciativa de forma voluntária e, portanto, sem remuneração. E o mais surpreendente: deu certo.

“Procuramos parceiros com quem já tínhamos relacionamento e com capacidade de agregar ao projeto para que pudéssemos entregar uma solução completa em automação”, conta Herbert. Entraram no jogo a PariPassu, que ficou responsável pelo software de rastreabilidade, a Zebra Technologies, que entregou as soluções de hardware (coletores de dados e impressora), e a 3M, que forneceu as etiquetas adesivas para identificar as árvores-matrizes e as plantas.

Milton Andrade, 56, gerente nacional de vendas de soluções de embalagem da companhia, fala a respeito: “Temos muita experiência em fornecer etiquetas adesivas para identificar e rastrear produtos da indústria. Adaptamos isso para entregar este mesmo conceito, mas na floresta.” Segundo ele, a companhia estudou a proposta da GS1 e entendeu que existia ali a possibilidade de apoiar um projeto que se conecta com a essência da 3M, já que traz um trabalho de pesquisa científica com geração de conhecimento sobre as espécies da reserva, além do esforço de conservação de um dos biomas mais ameaçados do planeta.

Assim, a companhia começou a entregar a solução este ano. São etiquetas que recebem códigos para armazenar os dados de cada planta, como o nome científico e popular de cada espécie, data de germinação, lote e código de rastreamento. A tecnologia também permite identificar exatamente qual árvore originou determinada semente, com a localização precisa no meio da reserva, garantindo sua origem. “Imagina que legal comprar uma planta e conseguir verificar perfeitamente de onde ela veio ao ler o código no seu celular?”, diz Milton.

TUDO CERTO ATÉ AQUI, MAS COMO ETIQUETAR UMA FLORESTA?

Para resistir às intempéries e aos animais da floresta, a 3M desenvolveu um suporte plástico para as etiquetas das árvores que recebe um QR Code com todas as informações da espécie.

Criar adesivos para produtos é parte do dia a dia da 3M. Neste caso, no entanto, não dava simplesmente para reproduzir fórmulas conhecidas, já que etiquetar uma árvore não é exatamente uma tarefa cotidiana. Milton conta que uma série de aspectos novos tiveram que entrar na conta. “Precisávamos de algo muito resistente, capaz de suportar intempéries como chuva intensa ou o sol escaldante”, conta.

Depois de alguns testes e de um esforço de desenvolvimento, a 3M chegou até a etiqueta ideal. Com ela em mãos, os especialistas que atuam no projeto Código Verde perceberam que não adiantava simplesmente grudá-la em um suporte na base das árvores, como tinham pensado inicialmente. “Precisamos criar um apoio plástico para aplicar o adesivo, uma espécie de colar que fica na planta a certa altura do chão para facilitar a visualização e evitar o acesso de animais nativos”, conta.

Depois de pronta, a solução parece clara, mas Milton admite que foram necessários meses de trabalho em conjunto com os outros parceiros do projeto para chegar a esta resposta. “Agora, cada vez que o time de viveiristas do Legado das Águas identifica uma espécie, basta gerar e imprimir uma nova etiqueta e fazer a identificação da matriz e das plantas”, conta. E prossegue:

“No fundo o que fazemos no Viveiro de Plantas é gerar algoritmos para a floresta, criar um RG para cada planta, algo que nos permite fazer todo o rastreamento, entender como cada espécie funciona”

O projeto está à altura do que exige a exuberância da Mata Atlântica da região: no primeiro ano, a 3M forneceu 381 mil etiquetas. Herbert, da GS1, calcula que até aqui o investimento das empresas participantes na iniciativa somou R$ 204 mil reais, considerando todo o trabalho de consultoria técnica, desenvolvimento, equipamentos e suprimentos. “É um montante baixo para a relevância do que desenvolvemos lá”, diz.

Milton concorda, lembrando que, no longo prazo, o projeto vai entregar valor muito mais alto para a sociedade pela conservação da reserva e geração de conhecimento sobre as inúmeras espécies daquele ecossistema. “É uma iniciativa inédita. Não encontramos nada assim em nenhum lugar do mundo”, diz. Mesmo orgulhoso de ter feito parte de um projeto com impacto tão positivo, ele faz questão de lembrar que toda a tecnologia ali é só coadjuvante. A natureza, protagonista, é o aspecto que mais impressiona e inova, segundo ele.

 

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