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A Doity vende a possibilidade de se criar eventos em 5 minutos (e prevê expandir a receita em 80% este ano)

- 12 de agosto de 2019
Geraldo Neves (à esq.) e Uziel Barbosa, amigos de faculdade e sócios da startup Doity.

Em 2013, Uziel Barbosa e Geraldo Neves estavam no último ano da faculdade de Sistemas de Informação pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Alagoas (IFAL), em Maceió. A dupla fazia tripla jornada: trabalho durante o dia, faculdade à noite e empreendedorismo nos fins de semana, feriados e madrugadas. “A gente tirava o domingo à tarde para dormir um pouquinho”, brinca Geraldo, hoje com 32 anos (Uziel tem 28). 

Assim, na raça, surgiu a Doity, empresa especializada em gerenciamento de eventos corporativos e acadêmicos. Desde 2013, a startup já transacionou R$ 75 milhões e teve sua ferramenta utilizada para realizar 63 mil eventos em mais de 1 400 cidades do país. Segundo os sócios, é uma plataforma mais abrangente do que concorrentes famosos como Sympla e Eventbrite. Geraldo explica:

“Elas têm uma solução mais genérica, nós temos uma entrega mais completa. E não temos intenção, pelo menos agora, de concorrer em eventos mais comerciais. Achamos que ainda há muita coisa a fazer no segmento no qual estamos”

Empresas como ACE, BMG Up Tech e Sensedia já usaram a plataforma para criar seus eventos, além de instituições responsáveis por organizar congressos, seminários e simpósios acadêmicos. A Doity cobra 10% de comissão sobre o preço dos ingressos (no caso de entrada franca, o uso da ferramenta é gratuito).

UM TRABALHO DE FACULDADE FOI O EMBRIÃO QUE DEU ORIGEM AO NEGÓCIO

A ideia brotou em sala de aula, em algum momento ainda em 2011. A partir de um trabalho da disciplina de Gestão de Projetos, Uziel decidiu desenvolver uma ferramenta para fazer as inscrições e emitir os certificados do evento que a turma organizaria para o curso. O jovem estudante de Sistemas de Informação já tinha uma vontade antiga de empreender e, ao ver a ferramenta pronta, percebeu que tinha criado algo com potencial para se tornar um negócio de fato.

Foram meses de pesquisa sobre a indústria de eventos no Brasil e um ano dedicado a criar e aprimorar novas funcionalidades do protótipo. Ainda em 2012, Geraldo, amigo e colega de faculdade com quem Uziel sempre trocava ideias sobre projetos, embarcou na empreitada. 

Naquele mesmo ano, fizeram contato com João Kepler, investidor-anjo e palestrante sobre empreendedorismo e negócios digitais. Naquela época, ele tinha uma plataforma focada em venda de ingresso e, animado com a solução dos rapazes, decidiu entrar como sócio e encerrar as atividades da sua própria empresa de eventos. Uziel explica:

“Ele estava tentando desenvolver um produto similar, encontrou a gente e desistiu do que já tinha. O investimento do João não foi em dinheiro, mas em estrutura e clientes”

Desde 2015, Kepler é um dos sócios da Bossa Nova Investimentos. O site lista 65 startups no portfólio, incluindo a Doity e algumas outras já publicadas no Draft, como a também alagoana Hand Talk, que facilita a comunicação de deficientes auditivos por meio de um aplicativo, e a paulista Upik, uma consultoria de arquitetura e design de interiores 100% digital.

OS EVENTOS ACADÊMICOS SÃO CERCA DE 60% DO TOTAL DA PLATAFORMA

O nome Doity vem de “do it yourself”: a ideia, afinal, é dar autonomia ao cliente-usuário — o site afirma que os eventos podem ser criados em apenas 5 minutos. Segundo os empreendedores, existem mais de 20 funcionalidades para os usuários da ferramenta. Além da venda do ingresso em si, há recursos para gestão de credenciamento, disparo de email marketing, montagem de hotsites customizados e produção de crachás para participantes e convidados.

Nos primeiros anos, os eventos acadêmicos respondiam por cerca de 80% da ferramenta, pelo foco maior que os empreendedores dedicavam a essa frente. A proporção hoje está mais equilibrada, mas os congressos, simpósios etc. ainda representam aproximadamente 60% do total transacionado pela plataforma. 

São eventos que passam longe dos olhos do público não-especializado. Entre os exemplos, há o 35º Congresso Brasileiro de Espeleologia, que em junho reuniu geólogos e estudiosos sobre grutas e cavernas em Bonito (MS); e o III Encontro Brasil & EUA de Autismo, voltado para psicólogos e programado para ocorrer ainda neste mês num shopping no Recife.

Os realizadores podem receber trabalhos acadêmicos por meio da ferramenta, organizar uma trilha de avaliação, feedback e apresentação desses conteúdos na plataforma e ainda usar a Doity para emissão de certificados. 

A NOVIDADE É UM APP GRATUITO PARA EVENTOS COM RECEITA DE R$ 30 MIL

Em junho deste ano, a startup ampliou seu leque de serviços com a oferta de um aplicativo customizável, que pode ser usado por todos os participantes do evento para administrar a programação. Segundo Uziel:

“Esta é uma primeira versão. Neste momento, estamos buscando uma maior interação dentro do app, para criar uma rede social do evento e ferramentas como envio de perguntas para o palestrante”

O serviço é oferecido gratuitamente para eventos com receita acima de R$ 30 mil. Abaixo disso, custa R$ 1 500. Ainda assim, segundo Uziel, é um valor aquém do que se cobra no mercado: “Um app deste, em empresas especializadas, sai entre 5 mil e 8 mil reais.” 

O aplicativo e a receita gerada com a cobrança dessa e de outras funcionalidades representam 5% do faturamento da empresa (os outros 95% vêm da comissão sobre a venda de ingressos). 

A PREVISÃO É AUMENTAR EM 80% A RECEITA COM A VENDA DE INGRESSOS

Até aqui, a jornada foi “puxada”, com os sócios precisando se dividir entre a empresa e seus respectivos empregos como desenvolvedores de sistemas. Há um ano, Uziel trabalha full time na Doity e, em dois meses, será a vez de Geraldo passar a se dedicar exclusivamente. Enquanto ralavam para levar a startup adiante, um dos desafios foi abrir a cabeça para áreas fora da tecnologia, mergulhando em estudos sobre marketing e gestão de negócios. 

O primeiro funcionário foi contratado no segundo ano da empresa. Atualmente, são 24 colaboradores, a maioria em Maceió, exceto dois alocados em São Paulo. Segundo os sócios, 2019 será o ano com o maior valor transacionado dentro da plataforma. Eles estimam movimentar, de janeiro até dezembro, R$ 37 milhões em venda de ingressos para eventos dentro da ferramenta, um aumento de 80% em relação ao ano passado. 

Nos planos está uma expansão internacional. Em 2018, eles começaram a testar o mercado português. Desde então, 150 eventos locais já passaram pela plataforma. O projeto, para os próximos anos, é escalar a empresa em países da América Latina e Europa. Os sócios concordam que o movimento exigirá mais investidores. Geraldo diz:

“Nós ‘apanhamos’ muito em 2018, pela inexperiência em outras áreas da empresa e do próprio negócio. Aprendemos muito, também. Sentimos que em 2019 estamos consolidando tudo isso e estaremos prontos, em 2020, para atrair investimento.”

 

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DRAFT CARD

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  • Projeto: Doity
  • O que faz: Plataforma de gerenciamento de eventos
  • Sócio(s): Uziel Barbosa, Geraldo Neves e Bossa Nova Investimentos
  • Funcionários: 24
  • Sede: Maceió
  • Contato: [email protected]
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